23 de jul de 2016

Igrejas alemãs vão oferecer Wi-Fi gratuito para atrair fiéis

A região da ex-Alemanha Oriental é lar do maior número de ateus no mundo, sendo que somente 8% da população afirma acreditar em Deus. Além disso, o cristianismo deve se tornar uma minoria religiosa no país nos próximos 20 anos.
Para reverter essa situação, as igrejas protestantes locais desenvolveram um plano para atrair as pessoas de volta: oferecer Wi-Fi gratuito em todas as igrejas na antiga Alemanha Oriental.
O projeto de distribuir o “Godspots” prevê conectar 220 igrejas em Berlim e expandir para 3 mil igrejas, centros comunitários e instituições religiosas nos próximos meses. A iniciativa também é uma comemoração antecipada do 500° aniversário da Reforma Protestante de Martinho Lutero, que acontece no ano que vem.
“As pessoas não estão menos espirituais do que antes, mas o ponto da Reforma era que a igreja precisa evoluir continuamente”, diz Christoph Heil, porta-voz do projeto. “Queremos mostrar que os edifícios da igreja ainda pode ser locais de encontro para a comunicação."
Se o Godspot atinge o seu objetivo, no próximo ano, a igreja protestante pode se tornar um dos maiores provedores de Wi-Fi aberto em toda a Alemanha.
Apesar de ser uma das nações mais industrializadas e a quarta maior economia do mundo, a Alemanha fica para trás quando se trata de acesso público a conexão Wi-Fi. O país tem cerca de 15 mil hotspots de Wi-Fi livre, o que equivale a um para cada 10 mil pessoas. Em comparação, nos Estados Unidos o número de pontos de conexão por pessoa se multiplica por cinco, enquanto no Reino Unido esse valor é 28 vezes maior.
A culpa disso é uma lei que responsabiliza a pessoa ou empresa que opera um hotspot por qualquer coisa ilegal que alguém faça em sua rede. Por exemplo, se alguém em um café com Wi-Fi gratuito baixa uma música na internet, o dono do estabelecimento pode ser processado por pirataria.

Publicado em Motherboard via Olhar Digital


Igrejas da TV exploram cada dia mais a boa fé das pessoas

As igrejas que loteiam os diversos espaços das emissoras de rádio e televisão podem ser acusadas de tudo e mais um pouco, menos de falta de criatividade. A cada dia uma moda diferente é inventada para tomar dinheiros dos desavisados. É quase um exercício de superação.
Na RedeTV!, num momento chamado “Agente dos Pastores”, é vendido por R$ 35 “um saquinho de sabão em pó milagroso, que limpa que nem Jesus”.
Em meio a isso, cada um vai dando seu recado, como o de uma mulher que pede aos fiéis para irem a sua igreja ver os “vários milagre” e receber “benças”. Finalizando, com chave de ouro, outro recomenda que ninguém entre na “igreja errada para não perder a bênção milagrosa” que a sua oferece.
Concorrência forte ao Valdemiro Santiago, já em liquidação com a “rosa ungida, tijolinho da obra e o lenço poderoso”.
É triste verificar a imensa quantidade de pessoas enganadas na sua boa-fé, dando o que muitas vezes não têm, na espera de uma resposta do céu.

Interessante
A televisão comum, como uma espada na cabeça, é submetida a algo chamado “classificação indicativa”, que para todas as suas produções aponta o que pode e o que não pode ser exibido neste ou naquele horário.
Só que esses programas de igreja, que cometem verdadeiras barbaridades até contra a vida de homens, mulheres e crianças, continuam com “bandeira livre”.

Caso de perguntar
Abusar da boa-fé de milhões de pessoas ou usar essas igrejas como ponto de comércio, para vender sabão, toalha, lenço ou outra qualquer mercadoria do gênero, isso pode?
Tem, pelo menos, algum imposto incidindo em cima?

Ninguém é tonto
Todos sabemos os cuidados que a classe política observa ao tocar em assuntos relativos à igreja, seja ela de que bandeira for.
Ainda mais em um ano eleitoral como é o caso do agora em curso. Os candidatos da vez, como já estamos começando a ver, se submetem a tudo, até a banho com o “sabão milagroso”, em troca de voto. Pouca vergonha.

Ela que manda
O poder da Universal na CNT é de ampla e total dominação. Se, por exemplo, um programa está indo bem de audiência em determinado horário e a igreja vê potencial naquela faixa, ela vai lá e pega. Simples assim.
Os donos, felizes com o dinheiro que entra, simplesmente dizem "amém". Em tempo, a informação é que a IURD renovou com a CNT até 2019.

Publicado em UOL TV e Famosos


18 de jul de 2016

Nova Igreja das catacumbas: aumentam conversões do islã ao cristianismo. Mas…

O panorama é complexo, delicado e desafiador.
Um número crescente de refugiados muçulmanos na Europa está se convertendo ao cristianismo, escreveu na semana passada o jornal britânico The Guardian, em matéria que abrangia um panorama interno e externo aos limites do Reino Unido. Os números envolvidos são eloquentes, baseados, por exemplo, nos batismos em massa que se verificam nos diversos países, frisou o jornal.
Na Áustria, a Igreja católica registrou 300 pedidos de batismo de adultos só no primeiro trimestre de 2016. A pastoral do país estima que 70% desses pedidos vieram de refugiados.
Os fiéis da igreja da Trindade em Steglitz, Berlim, aumentaram de 150, há dois anos, para 700, devido, segundo o pároco Gottfried Martens, às conversões de muçulmanos.
Em Liverpool, Inglaterra, das cerca de 100 a 140 pessoas que assistem à missa semanal em língua farsi, a maioria é imigrante do Irã e do Afeganistão. Um em cada quatro, conforme levantamento realizado pelo bispo de Bradford, dom Toby Howarth, é convertido do islã.
Na maior parte dos casos, trata-se de requerentes de asilo. A conversão é uma questão delicada e a Igreja a trata com extremo cuidado.
Publicamente, fala-se pouco do assunto porque o risco de alimentar as tensões com o mundo muçulmano é alto, em especial no atual contexto histórico de crescente fundamentalismo islâmico no Oriente Próximo e Médio, bem como na África, onde a religião tem sido explorada a ponto de ser vista como o próprio pivô dos conflitos em andamento. Cada palavra sobre o tema deve ser ponderada, até porque o diálogo cuidadoso tem sido o caminho traçado há décadas.

ATRAÇÃO, NÃO PROSELITISMO
“A Igreja está crescendo, mas não por fazer proselitismo: ela não cresce por proselitismo; ela cresce por atração, pela atração do testemunho que cada um de nós dá ao povo de Deus”, declarou o papa Francisco, esclarecendo os termos da discussão.
A perspectiva, portanto, tem no centro a evangelização, essencialmente ligada ao anúncio do Evangelho a quem não conhece Jesus Cristo ou sempre o rejeitou, como comentou o papa na Evangelii Gaudium, seu documento programático de pontificado. Números oficiais não existem. Estimativas estatísticas não estão disponíveis. Ainda assim, é notório que muitos daqueles que não conhecem Jesus ou que antes o rejeitavam “estão buscando a Deus em segredo, impulsionados pela sede do seu Rosto, inclusive em países de antiga tradição cristã”, observa o pontífice. E “todos têm o direito de receber o Evangelho”. Não se trata de impor “uma nova obrigação, mas de compartilhar uma alegria, sinalizando um horizonte belo”.
Faz algumas semanas, o tema foi abordado pelo cardeal suíço Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, durante uma conferência inter-religiosa no Instituto Woolf da Universidade de Cambridge: “Nós temos missão de converter a todos os que pertencem a religiões não cristãs”, disse o cardeal, mas acrescentando que “é importante fazê-lo mediante o testemunho credível e sem qualquer proselitismo”. No entanto, bastou o uso da palavra “converter” para desencadear um grande tumulto, que acabou exigindo a intervenção do diretor do gabinete de imprensa do Vaticano para esclarecer as palavras de Koch e afirmar que os relatos dos jornais não correspondiam ao que ele realmente tinha dito. E isso que o cardeal já tinha deixado claro que o proselitismo não é a receita para voltar a preencher uma Igreja que, em certas latitudes, sofre de uma dormência generalizada que vai muito além dos bancos vazios nas missas de domingo. Koch mencionara os muçulmanos, embora a sua referência principal fossem os jihadistas, que, por trás da bandeira da crença religiosa, perseguem, na verdade, fins políticos: “Precisamos converter, acima de tudo, os que usam da violência, porque, quando uma religião usa a violência para converter os outros, estamos diante do abuso da religião”.

A CONVERSÃO DO IRANIANO JOHANNES
A atração cristã de que falava o Papa Francisco é clara no testemunho de Johannes, um iraniano que, na matéria do Guardian, contou como e por que se converteu. Nascido em família muçulmana, ele se chamava Sadegh. Na universidade, começou a se fazer perguntas sobre as raízes do islã. E afirma: “Descobri que a história do islã era totalmente diferente do que eu tinha aprendido na escola. Talvez, comecei a pensar, ela fosse uma religião que se estabeleceu com a violência”. Prossegue Johannes, que hoje mora em Viena: “Mas uma religião que dá os seus primeiros passos com a violência não pode levar as pessoas à liberdade e ao amor. Jesus Cristo disse que quem com espada fere, com espada perece. Isso realmente mudou a minha forma de pensar”. Johannes empreendeu o seu caminho de conversão no Irã, mas logo se viu forçado a deixar o país.

CONVERSÕES DE FACHADA?
É claro que existe o risco de que as pessoas só procurem o batismo esperando maiores chances de conseguir asilo na Europa. Por este motivo, a Conferência Episcopal Austríaca publicou no ano passado novas orientações para os sacerdotes, alertando que muitos refugiados poderiam tentar facilitar o seu estabelecimento no país através da suposta conversão. “Admitir ao batismo pessoas identificadas como ‘não críveis’ implica perda de credibilidade para a própria Igreja”. Desde 2014, aplica-se um período de preparação em que se verifica o desejo sincero da conversão. “Não estamos interessados em ter cristãos pro forma”, explica Friederike Dostal, que coordena os cursos de preparação para o batismo de adultos na arquidiocese vienense.
Na Alemanha, o pe. Martens também só batiza muçulmanos depois de três meses de catequese: “Muitos são mesmo atraídos pela mensagem cristã, que muda a sua vida”. Os que nunca mais põem os pés na igreja depois da suposta conversão chegam a cerca de 10%, conta ele.

CONVERSÕES AUTÊNTICAS EM PAÍSES IMPROVÁVEIS
Já os casos como o de Johannes são vários, inclusive em países onde a atração cristã pareceria impossível. Na Arábia Saudita, por exemplo, o número de cristãos está crescendo mesmo com a proibição de quaisquer cultos que não sejam o oficial: o islã. Estimativas, de novo, não há. A base para esta observação são os sinais que se percebem no cotidiano. De acordo com os raros dados disponíveis, os cristãos existentes no país wahabita seriam pouco mais de um milhão; na maioria, trabalhadores estrangeiros. A organização Open Doors (Portas Abertas), criada para defender os cristãos perseguidos em todo o mundo, revelou recentemente que também entre os sauditas estão crescendo as conversões – em segredo, é claro. O exemplo citado é o de Mohammed (nome fictício), que se converteu ao cristianismo depois de vasculhar informações na internet. Ele conheceu cristãos de fora das fronteiras do reino saudita e, pela primeira vez na vida, em outro país do Oriente Médio, entrou em uma igreja e começou a estudar a bíblia. Depois de alguns dias, perguntado sobre quem era Jesus, ele respondeu: “É meu salvador, é meu Deus”. Recebeu o batismo antes de voltar para casa, sem que ninguém soubesse.
A história não é muito diferente da do escritor Nabil Qureshi, autor do livro “Buscar Alá, encontrar Jesus”. Qureshi relatou repetidas vezes, publicamente, a sua experiência de jovem muçulmano vivendo no Ocidente, alertado continuamente contra os “riscos de contaminação” que sofreria dos cristãos. “Os primeiros versos do alcorão que memorizávamos na mesquita proclamam que Deus não é pai nem filho. Já o recitávamos aos 6 anos de idade. Também aprendemos que Maomé foi o maior mensageiro de Deus e que nunca viveu neste planeta nenhum homem mais perfeito do que ele. Não é difícil entender como eu me tornei um ferrenho opositor da Trindade”, ri ele hoje. Também no seu caso foi decisivo um encontro: seu amigo David era capaz de dialogar de modo quase teológico. Depois de um milhar de disputas, brigas e confrontos, até mesmo sobre a confiabilidade dos Evangelhos e da crucificação de Cristo, veio o ponto de viragem pelo qual passam ainda muitos outros jovens: “Eles entendem que a visão cristã de Jesus é muito mais coerente do que a visão dos muçulmanos sobre o Nazareno. Eles podem ver que o islã foi construído sobre bases muito fracas do cristianismo. E podem parar de afastar as pessoas de Jesus, passando a anunciar o Evangelho. Foi o que aconteceu comigo. É o que pode acontecer com eles”.

EVANGELIZAÇÃO INDIRETA
Que o tema é delicado fica claro pelo sínodo sobre a evangelização, de 2012, que abordou as conversões do islamismo ao cristianismo, mas sem alarde. Um panorama da situação foi pintado por dom Bechara Boutros Raï, o patriarca de Antioquia dos Maronitas, criado cardeal no ano seguinte pelo papa Bento XVI em seu último consistório: “A evangelização nos países árabes é realizada indiretamente, dentro das escolas católicas, das universidades, dos hospitais e das instituições pertencentes a dioceses e ordens religiosas abertas tanto a cristãos quanto a muçulmanos. A evangelização indireta é praticada principalmente através dos meios de comunicação social, em especial os católicos, que transmitem as celebrações litúrgicas e vários programas religiosos. Constatamos, entre os muçulmanos, conversões secretas ao cristianismo”. Raï, no auge da agitação política e social que inflamava o Magreb e o Oriente Próximo, falou do advento de uma “primavera cristã, que levará, pela graça de Deus e graças a uma nova evangelização iluminada, a uma verdadeira primavera árabe da democracia, da liberdade, da justiça, da paz e da defesa da dignidade de todo homem, contra todas as formas de violência e de violação dos direitos”.
Basta pensar em Marrocos, onde a presença cristã triplicou em quinze anos e os neófitos pertencem principalmente às classes médias altas, que veem no cristianismo “uma religião da tolerância e do amor”, em contraste com um islã demasiado restritivo. Abdul al Halim, médico e coordenador da igreja anglicana local, explicou no ano passado que “a religião (cristã) só pode ser praticada em segredo”, já que o credo muçulmano é a religião de estado. “Somos forçados a rezar como se fôssemos uma associação secreta. Tivemos até que nos dividir em dois grupos para evitar chamar a atenção”.
Uma prova do crescimento das conversões inclusive em áreas de forte predominância islâmica vem do Patriarcado Latino de Jerusalém, que contou a história das conversões ao cristianismo no Egito, o país árabe com a maior quantidade de cristãos entre seus habitantes. Repete-se o cenário: não há números exatos, porque “quem se converte sofre o risco de processos judiciais ou mesmo de morte, caso a conversão se torne pública”.

UMA NOVA IGREJA DAS CATACUMBAS
É uma “Igreja das catacumbas”, continuou o Patriarcado, “não tanto por causa do confronto com o governo, como pode ser o caso na China e em outros países asiáticos, mas para se proteger das vinganças das comunidades de origem dos novos cristãos”.
E o fator que desencadeia o processo de crescimento da Igreja é o mesmo dos princípios do cristianismo: “Na perseguição, ou seja, quando a conversão parece mais improvável e mais perigosa, a mensagem de Cristo vai abrindo o seu caminho. E é justamente nisto que pensam os cristãos: eles são perseguidos, mas, ainda mais do que isto, são encorajados a estender a sua Igreja, que cai, mas se levanta toda vez”.

Publicado em Aleteia, a partir de texto de Mateus Matzuzzi, em Il Foglio, via Il sismografo

A polêmica Arca de Noé de US$ 100 milhões erguida por parque religioso nos EUA

Com 300 côvados de comprimento, 50 de largura e 20 de altura - as unidades de medida arcaicas sugeridas pelo Antigo Testamento -, uma nova Arca de Noé acaba de ser inaugurada na cidade americana de Williamstown, após anos de controvérsia.
A embarcação é o carro-chefe do parque temático religioso Ark Encounter e sua construção, que levou seis anos, custou US$ 100 milhões (R$ 330 milhões). As obras foram financiadas por doações privadas.
A arca demandou quase 8 mil metros cúbicos de madeira e suas medidas (desta vez no sistema métrico) são 155m x 26m x 15m. Dimensões que, segundo a Bíblia, foram as exigidas por Deus quando ordenou a Noé a construção da embarcação usada para preservar as espécies animais durante o Dilúvio.
No interior, há três pisos explicando a história contada no Gênesis. Há 100 modelos de animais, incluindo uma polêmica participação de dinossauros.
Não há qualquer referência no primeiro livro da Bíblia à presença de criaturas pré-históricas na arca, até porque, segundo a ciência, estes animais foram extintos mais de 150 milhões de anos antes do surgimento do primeiro ancestral humano.
Porém, os idealizadores do parque incluíram os dinossauros como parte de sua defesa da teoria de que Deus criou todos os seres vivos.
A Answers in Genesis ("Respostas em Gênesis", em tradução literal), empresa por trás do projeto, disse à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC, que espera receber 16 mil visitantes por dia.
"Em um mundo cada vez mais laico e tendencioso, é hora de nós cristãos fazermos algo", disse Ken Ham, fundador da empresa, durante a abertura do parque na última quinta-feira.
No entanto, a arca atraiu críticas e uma disputa judicial antes mesmo de receber seu primeiro visitante.
"Basicamente, este barco é uma capela criando filhos cientificamente analfabetos", disse à agência de notícias AP Jim Helton, morador vizinho ao parque.

Incentivo fiscal
Uma das críticas à Answers in Genesis é que a empresa inicialmente teve aprovada uma verba de US$ 18,25 milhões (R$ 60 milhões) em incentivos fiscais com base na Lei de Desenvolvimento Turístico do Estado do Kentucky.
O governo chegou a cancelar o repasse depois de que veio a público o fato de a Answers in Genesis exigir que seus empregados declarem por escrito, em contrato, sua fé cristã.
Mas a empresa venceu a causa na Justiça usando como argumento a Primeira Emenda da Constituição Americana - justamente a que fala em liberdade religiosa.
A Answers in Genesis afirma que não recebeu "dólar algum dos contribuintes" para construir a arca, e que o incentivo veio do não-recolhimento de impostos sobre a venda de ingressos, comida e outros produtos.
"A lei permite deduzirmos impostos sobre as vendas até US$ 18,25 milhões por um prazo de 10 anos", disse Mark Looy, porta-voz da empresa.

'Declaração de Fé'
Looy explicou ainda que a "Declaração de Fé" que os empregados precisam assinar tem o propósito de "preservar o funcionamento e a integridade da empresa em sua missão de anunciar a verdade absoluta e a autoridade das Escrituras e para proporcionar um modelo bíblico a nossos empregados".
Os funcionários precisam reconhecer a Bíblia como "a autoridade suprema" e que o Dilúvio é um "fato histórico", bem como a existência de Deus e o Diabo.
"Qualquer forma de imoralidade, como o adultério, sexo por prazer, homossexualidade, lesbianismo, conduta bissexual, bestialismo, incesto, pornografia ou qualquer intenção de mudar de gênero é pecado e ofensivo a Deus", diz a declaração.
Para o juiz Greg van Tatenhove, porém, a empresa tem liberdade para fazer suas contratações.
"Somos uma organização religiosa e a lei nos dá direito a utilizar uma preferência religiosa como base para a nossa contratação", disse Ham em janeiro.

Madeira polêmica
Apesar de o Ark Encounter se apresentar como uma empresa "verde", a quantidade de madeira usada na construção da arca despertou críticas.
Mas Looy assegura que os 980 quilômetros de tábuas - se colocadas em linha reta - são de árvores que estavam condenadas por causa de pragas.
Outra crítica ao projeto é relacionada ao design da arca, considerado moderno demais.
"A Bíblia não diz que deveria ser uma caixa retangular", defende Looy.
Os ingressos para visitar o local custam US$ 40 (R$ 132) para adultos e US$ 28 (R$ 92) para crianças.

Publicado em UOL


11 de jul de 2016

Igreja evangélica em Maceió pode ser excluída por batizar gays

A Convenção Batista Brasileira (CBB), que é responsável por centenas de igrejas Batistas no Brasil e também pela organização de vários seminários teológicos e de adoração, pretende excluir a Igreja Batista do Pinheiro, em Maceió, do rol de filiadas. O motivo é a decisão tomada pela congregação de Maceió, em assembleia extraordinária, no início do ano, de integrar homossexuais à igreja, por meio de batismo.
“Todo o processo de exclusão é doloroso e não desejamos ser excluídos da Convenção. Surpreendentemente, estamos em processo de exclusão por desejarmos ser includentes”, diz um trecho da carta da Igreja Batista do bairro do Pinheiro, enviada à Convenção Batista Brasileira (CBB), nessa terça-feira (05).
No próximo sábado (09) irá ocorrer na cidade de Vitória, no Espírito Santo, uma assembleia extraordinária organizada pela presidência nacional da CBB para decidir sobre a possível exclusão da igreja filiada.
Em contato com a reportagem do TNH1, o presidente da Igreja Batista do Pinheiro, pastor Wellington Santos, explicou que foi convocado para integrar a reunião, mas que não participará.
“Não iremos viajar. Lá haverá um espaço para defesa, mas não há o que defender. Acredito que não há o que esclarecer”, diz.
Ainda de acordo com o pastor Wellington Santos, caso a exclusão seja confirmada, a Igreja Batista do Pinheiro tem autonomia para continuar a receber os fiéis.
“Nós somos totalmente independentes e livres. A Convenção não tem poder para interferir em nada”, ressalta.
Perguntado sobre a expectativa para a decisão de sábado, ele preferiu não externar nenhuma posição.
A carta aberta cita diversos versículos da bíblia, momentos históricos no Brasil e até o Nobel da Paz, do ano de 1964, Martin Luther King - pastor símbolo na luta contra a segregação racial nos Estados Unidos.
Abaixo, leia trechos do documento enviado à Convenção Batista:

A Igreja Batista do Pinheiro, reunida em Assembleia extraordinária no dia 28 de fevereiro do ano em curso, como é de conhecimento de irmãos e irmãs, aprovou por maioria absoluta de votos que qualquer pessoa que confesse Jesus Cristo como Senhor único e Salvador de sua vida, independente de sua condição social, econômica e sexual será recebida formalmente no rol de membros da igreja.
A decisão apenas reitera o que consta nos estatutos da Igreja. Isso porque, na prática, e na consciência de todos e todas presentes, a deliberação garantia finalmente, a aceitação por batismo, carta de transferência e aclamação, de pessoas homoafetivas, concluindo um demorado processo de dez anos, provocado por um irmão que confessou publicamente a sua condição de homossexual e manifestou o desejo de ser batizado, talvez sem imaginar o rebuliço que causaria.
Desse modo, ficamos perplexos com chistes inconvenientes, acusações infundadas, desrespeitosas, ameaças descontroladas vindas de irmãos e irmãs de fora, inclusive de pastores e líderes eclesiásticos, que atingem a igreja como um todo, mas de modo mais contundente a família pastoral. Mas mais perplexos ainda ficamos com a notícia de que a Convenção Batista Brasileira se preparava para instaurar um processo disciplinar, cujo objetivo era excluir sumariamente a Igreja Batista do Pinheiro de seu rol de igrejas filiadas.

Repercussão
A carta enviada à CBB também foi postada nas redes sociais da Igreja, gerando diversos compartilhamentos e comentários em apoio à congregação do bairro do Pinheiro.
“Eu nunca quis ir à igreja na vida, mas depois dessa carta acho que tá na hora de repensar isso. Obrigada por existir, Batista do Pinheiro”, comentou um internauta.
“Parabéns Igreja Batista do Pinheiro. Se um dia voltar às Igrejas cristãs seria pra uma em q (sic) eu acreditasse. E em vcs (sic), tenho fé. Praticar o bem e acomodar todo e qualquer cristão q (sic) decida entrar por suas portas e fazer parte dessa comunidade. Parabéns”, escreveu outro internauta.
"Recebam meu afeto e apoio. Agradeço a coragem, vcs (sic) me inspiram a ser melhor em Cristo", disse mais um internauta.
Em março deste ano, logo após a decisão, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) também prestou solidariedade através de nota pública à comunidade da Igreja Batista do Pinheiro.

Publicado em TNH1


Perseguição religiosa: mulheres são espancadas na Índia por se converterem ao cristianismo

País tem liberdade religiosa entre leis constitucionais, mas na prática isso não ocorre.
Milhares de cristãos que vivem na Índia têm sofrido um ultimato preocupante: ou escondem sua fé, ou terão que conviver com intimidações, ameaças e até mesmo com a morte.
Ameaças contra igrejas, ataques incendiários sobre propriedades cristãs e o abuso violento contra quem se converte ao cristianismo têm crescido no país asiático, onde apenas 2,3% da população é cristã.
As vítimas mais recentes dessas perseguições são Meena, de 32 anos, e sua irmã Sunita, de 25 (os nomes foram alterados para proteger a identidade das vítimas). As mulheres foram severamente espancadas por um grupo de homens de uma aldeia no Estado de Odisha, após a notícia de que ambas teriam se convertido ao cristianismo ter se espalhado. Segundo o portal de notícias Christian Today, a fé das jovens foi descoberta por causa de seus hábitos, diz Meena.

— Nós sabíamos em teoria sobre as chances de perseguição, até porque a própria Bíblia fala sobre isso.

Convertimento
As irmãs passaram a se identificar com o cristianismo enquanto ouviam um programa em uma rádio cristã, em 2004. Inicialmente, ambas se sentiram compelidas a esconderem esse convertimento por medo de como isso repercutiria entre os hindus extremistas. Dois anos mais tarde, porém, elas foram batizadas em uma igreja cristã e começaram a frequentar os cultos.

— Minha fé cresceu tanto que eu não mais me importei em escondê-la. Pensava que se morresse, ressuscitaria.

No entanto, um ano depois, houve uma reunião organizada por membros da aldeia onde elas moravam. Em uma decisão consentida por todos, o pai de Meena e Sunita foi pressionado para expulsar as filhas de casa. O homem recusou obedecer às ordens dos vizinhos, mas parou de bancar comida e roupas das jovens.

— Tivemos que passar a cuidar de nós mesmas. Toda a aldeia nos rejeitava. Mas fomos abençoadas pelo senhor.
O que as irmãs não sabiam é que o pior ainda estava por vir: elas e outras duas mulheres cristãs foram paradas por um grupo de hindus dentro da aldeia. Elas foram informadas de que já não podiam usar a entrada principal ou retirar frutos das árvores que ficavam no local, e foram levadas à força para uma colina próxima. Por quase oito horas, elas foram ameaçadas de serem queimadas.

— Eles ficavam gritando: “Queimem-nas! Queimem-nas! ”.

As mulheres, por sorte, foram resgatadas por policiais, que organizaram uma “reunião de paz” entre elas e seus assediadores. No entanto, o alívio durou pouco: quando voltaram para casa, os moradores foram até o local onde moravam e arrastaram as irmãs para fora. Elas foram espancadas com varas de bambu.

— Eles quebraram pelo menos cinco ou seis varas nas minhas costas. Minha irmã tentou me proteger, mas era em vão, eles eram muitos, e muito mais fortes que nós — conta Meena.

A mulher relata que um de seus agressores não hesitou em dizer:

— Nós sabemos que Jesus morreu numa cruz. E isso vai acontecer com vocês também.

Meena relembra que só rezava para que fosse feita “a vontade de Deus”. Segundo ela, as pancadas foram dolorosas, mas que por dentro ela estava satisfeita por estar sofrendo por Jesus.
Sunita se lembra de orar até perder a consciência enquanto era espancada. Quando acordou, a jovem viu que um de seus ossos estava exposto. Ela conseguiu se arrastar para longe e se esconder em um galpão, orando incessantemente a Deus.

— Agradeço a Deus pela perseguição. Ele havia dito que iria cuidar da gente, estávamos preparadas.

A ascensão do nacionalismo hindu
Embora a liberdade religiosa seja garantida pela Constituição da Índia, a realidade para os crentes na terra está longe de ser o que promete a lei.
Em um relatório anual divulgado em maio, a USCIRF (Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional) destacou uma "trajetória negativa" no que diz respeito à liberdade religiosa na Índia.

— As comunidades das minorias, especialmente os cristãos, muçulmanos e sikhs, sofrem inúmeras experiências de intimidação, assédio e violência, em grande parte por grupos nacionalistas hindus.

Publicado em R7


Crise leva judeus a migrar para Israel

Em três anos, dobrou o número de judeus brasileiros que pediram vistos no consulado em busca de trabalho e de educação para os filhos.
O número de judeus brasileiros que se mudam para Israel aumentou 100% nos últimos três anos por causa do agravamento da crise econômica do Brasil. Foram 500 em 2015, o dobro do contingente de 2013, segundo a Agência Judaica, que atua como facilitadora do processo de emigração em São Paulo. Os pedidos de visto, indispensáveis para aqueles que vão para ficar, são emitidos pelo consulado, depois de verificadas as condições que dão direito à viagem definitiva.
“Todo judeu tem, pela Lei de Retorno, o direito incontestável de viver no Estado de Israel”, informa Revital Poleg, representante geral da Agência Judaica no Brasil. Os candidatos a emigrar para Israel só precisam comprovar que são judeus. Apresentam certidões civis emitidas por cartórios ou entidades religiosas judaicas. “Há casos em que, na falta de outros documentos, são apresentados registros de cemitérios israelitas onde foram sepultados os pais ou os avós”, diz Revital.

Foram 500 os judeus brasileiros que se mudaram para Israel no ano passado
A representante da Agência Judaica lembra que sempre houve emigração para Israel, por projetos de caráter cultural, religioso, emotivo e profissional, mas admite que o número de pedidos de passaportes e vistos aumentou por razões econômicas. Frequentemente, somam-se vários motivos a um antigo sonho de viver no Estado de Israel, o Estado do povo judeu. Pesa muito nos casais o desejo de dar aos filhos boa educação, do curso primário ao universitário.
“Em Israel o ensino é excelente e gratuito, dos 3 aos 18 anos, e as universidades, classificadas entre as melhores do mundo, são públicas ou particulares, estas muito baratas em comparação com as de outros países”, diz Revital. As crianças sempre estudam perto de casa e, a partir dos 7 ou 8 anos de idade, podem caminhar sozinhas pela rua, com bastante segurança. Normalmente, dois adultos controlam o trânsito nas faixas de pedestres.
A Agência Judaica dá informações e orientação aos emigrantes sobre a realidade que vão encontrar. “Por exemplo, é preciso se lembrar de que o estilo de vida é 100% judaico em Israel, do calendário religioso aos artigos de supermercados”, observa Revital. O sábado é dia de feriado religioso e as prateleiras dos supermercados só vendem produtos kosher. Quem quiser outros tipos de alimento, incluindo carne de porco, vai encontrá-los em outras lojas.
Os judeus brasileiros viajam por sua conta e risco. Em geral, voam para Tel-Aviv com escala em algum país da Europa. A empresa aérea israelense El-Al, que por dois anos voou para São Paulo, não faz mais essa rota. Quem embarca costuma ajeitar com antecedência a vida que vai levar, a começar pelo aluguel da casa ou apartamento em que vai morar. Se possível, também contatos para emprego, trabalho e seguro-saúde. Alimento e moradia são os itens mais caros para o orçamento familiar.
O governo paga cinco meses de escola para os adultos aprenderem hebraico, a primeira das línguas faladas em Israel, ao lado do árabe e do inglês. As placas das rodovias e dos centros urbanos trazem informações nesses três idiomas. Como Israel é um país de imigrantes, fala-se muito também em outras línguas, como francês e russo, e outras do Leste Europeu. “Inglês se aprende na escola, mas a vida é em hebraico”, informa Revital. As crianças aprendem hebraico com os colegas.

Publicado em Estadão


Microsoft consegue armazenar vídeos e livros em DNA humano

No futuro, talvez você não precise de um pendrive para salvar seus arquivos, mas apenas do seu DNA. A Microsoft conseguiu escrever cerca de 200 MB de dados na estrutura de um DNA. Entre as informações estavam 100 clássicos da literatura e um vídeo da banda americana OK Go.
Está é a maior quantidade de dados já gravados em um DNA. O recorde anterior, estabelecido em junho deste ano, era de 22 MB. “É mil vezes mais do havia sido feito no ano passado. Apenas demonstrar que podemos ampliar nossos métodos, já é algo muito importante”, disse Luis Ceze, professor da Universidade de Washington (instituição parceira da Microsoft) ao site Mashable.
Uma das vantagens do DNA é que, em teoria, ele pode guardar enormes quantidades de informação. Karin Strauss, pesquisadora-chefe da Microsoft, disse em entrevista para o MIT Technology Review que estima que uma caixa de sapatos cheia de DNA poderia deter o equivalente a 100 centros de dados gigantes.
Além disso, se mantido em um local fresco e seco, a estrutura pode manter os dados por até milhares de anos. Para vias de comparação, a fita magnética utilizada para guardar arquivos por longos períodos de tempo duram algumas décadas.
O motivo para realizar o projeto, segundo Strauss, está relacionado ao fato de que tecnologia de armazenamento não está evoluindo na mesma velocidade que a quantidade de dados cresce.
Mas o que está nessa fita de DNA? Além dos livros e do vídeo, também foram armazenadas cópias da Declaração Universal de Direitos Humanos em várias línguas e o banco de dados da Crop Trust, um órgão que protege a diversidade de cultivos.
Aliás, os pesquisadores colocaram o clipe musical, pois “eles [a banda] são inovadores e estão trazendo diferentes coisas de áreas distintas para a sua área, e nós sentimos que estamos fazendo algo similar”. Veja o vídeo da música abaixo:

Como o armazenamento foi feito
Você lembra quando o professor de biologia explicou que cada cadeia de DNA é constituída por um padrão repetido de quatro bases químicas: adenina (A), citosina (C), guanina (G) e timina (T)? Para tornar os dados compatíveis com o DNA, os pesquisadores precisaram converter os 1s e 0s de arquivos digitais binários para essas letras: ACGT.
A segunda parte do armazenamento foi feita com a ajuda da empresa Twist Bioscience. Os cientistas converteram os dados recém-mapeados em DNA sintético. Ceze explica que o DNA natural já é um dispositivo de armazenamento, afinal ele é usado para guardar as informações sobre os genes. “Nós estamos apenas mapeando um tipo diferente de dado na estrutura.”
Para tornar possível a leitura dos dados, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada de “reação em cadeia de polimerase”. Ela serve para amplificar as fitas do DNA. Desse modo, os cientistas conseguiram retirar um pedaço da estrutura e converte-la em bits para que as informações pudessem ser lidas em uma memória RAM codificada.
Apesar de a iniciativa ser incrível, ela custa caro. Strauss acredita que o valor para escrever e ler o DNA irá cair com o decorrer dos anos. Ceze também especula que em futuro próximo esse processo será rápido e barato. “Eu acho que é justo dizer que nós iremos ver algo concreto nesta década e isso vai afetar a vida das pessoas e o uso de computadores.”

Publicado em Exame


Débora: a mulher que pode ter dado origem à Bíblia

Ela foi a primeira e única líder mulher dos israelitas. E protagoniza aquela que provavelmente é a história mais antiga do Livro Sagrado.
Entre 1200 a.C. e 1000 a.C., as tribos israelitas seguiam em campanha pela conquista definitiva de Canaã - tanto segundo a Bíblia como segundo a arqueologia, que não leva o Livro Sagrado em consideração, mas atesta que as tribos dos crentes em Javé seguiam em expansão nesse período.
As antigas nações canaanitas, porém, não só ofereciam resistência à expansão do povo da Bíblia como mantinham as aldeias iraelistas sob constante opressão. Algumas obtinham apoio bélico de reinos mais distantes, que não viam com bons olhos o fortalecimento dos israelitas. Foi nesse contexto que, segundo a Bíblia, os cananeus de Hazor, velhos adversários, lançaram um ataque. No comando de um exército com 900 carros de guerra, estava um general de nome Sísera.
Naquela época, uma israelita chamada Débora atuava como juíza - o termo "juiz" designava líderes carismáticos que acumulavam funções religiosas, políticas e militares. Segundo a Bíblia, foi ela quem organizou a resistência e planejou o contra-ataque. Ao lado do guerreiro Barac, a quem confiou cerca de 10 mil soldados, Débora atraiu os inimigos para uma região pantanosa, onde o poder das carruagens canaanitas poderia ser neutralizado. Ao mesmo tempo, ordenou um ataque pela retaguarda adversária. Sísera fugiu. E seu exército foi trucidado.
Chama a atenção o destaque dado à participação feminina nessa passagem do livro bíblico Juízes. "As mulheres na sociedade tribal tinham muito mais força e projeção do que no mundo patriarcal da monarquia", diz o teólogo José Ademar Kaefer, do Instituto São Paulo de Estudos Superiores. Pesquisas indicam que os dois capítulos dedicados à atuação de Débora - um deles em prosa e o outro sob a forma de um cântico que narra, com detalhes e emoção, a batalha contra os cananeus. Para os especialistas, é possível que esses trechos sobre Débora sejam os mais antigos da Bíblia. A redação final deles provavelmente ficou a cargo de sacerdotes israelitas entre 600 e 500 a.C. Mas o hebraico usado nesses textos é bem mais antigo. E é fácil pescar isso: o português de Camões, por exemplo, é facilmente discernível do moderno. Com o hebraico é a mesma coisa. A suspeita, então, é que os primeiros textos sobre Débora tenham sido escritos por volta de 1.000 a.C. Para você ter uma ideia, boa parte do Gênesis, o livro que inicia a Bíblia, é de 500 a.C - cinco séculos mais novo. Alguns especialistas vão mais longe e apostam que o cântico de Débora (Juízes 5) seja simplesmente a parte mais antiga da Bíblia toda. Ou seja: o ponta-pé inicial para a própria composição do livro sagrado teria sido uma história centrada numa personagem feminina.
Centrada mesmo. Embora Barac seja apresentado como um comandante dos mais eficientes, a verdade é que ele não passa de um personagem secundário, já que a ação militar ficou praticamente toda nas mãos da juíza Débora. "Ela é a única mulher de que temos notícia nessa função. A tradição posterior - por certo patriarcal e androcêntrica - pretendeu reduzi-la ao papel de cantora", afirma o teólogo Carlos Arthur Dreher, professor das Faculdades EST em São Leopoldo (RS). Mas o Velho Testamento não nega seu papel de heroína, e talvez até mais do que isso, como atesta uma passagem de Juízes (5:7): "Nas aldeias não havia ninguém; até que você, Débora, veio para ser a mãe de Israel".

Publicado em Super


10 de jul de 2016

Censo 2010 - Os municípios onde a taxa de evangélicos caiu, e onde é menor do que 1%

O MAI (Ministério de Apoio com Informação) dedica-se à pesquisas e confecção de recursos para auxiliar a igreja brasileira em sua tarefa missionária.
Numa das pesquisas disponibilizadas, são listados, com base no Censo de 2010 do IBGE (por nome, dados e em mapa), todos aqueles municípios brasileiros onde houve decréscimo do número de evangélicos em relação ao Censo de 2000. Isso ocorreu principalmente por o número de evangélicos não a companhar a taxa de crescimento populacional dos municípios. Somado a isto, há ainda a listagem daqueles municípios brasileiros onde a taxa de evangélicos é de até 1% (para que você tenha uma ideia, em muitos países muçulmanos, onde a evangelização é proibida, há taxas maiores do que esta).

Para baixar o arquivo em pdf contendo os dados, acesse: http://www.mai.org.br/index.php/material/down/file/43-lista2010

Confira ainda, no site, os muitos outros recursos que o MAI disponibiliza.

Publicado em Veredas Missionárias


Réplica da Arca de Noé em tamanho real foi inaugurada nos EUA

Um projeto intitulado Ark Encounter inaugurou uma réplica da Arca de Noé em Williamstown, Kentucky (EUA), a arca foi construída em tamanho real de acordo com as especificações contidas na Bíblia. É o maior modelo já construído, tem 150 metros de comprimento, 25 metros de largura e 15 metros de altura. O projeto é ligado ao Museu da Criação, também localizado no Kentucky, portanto busca mostrar ao público que as histórias da bíblia são verdadeiras.





Publicado em Zupi


Arqueólogos fazem 'descoberta inédita' de cemitério filisteu em Israel

Pesquisadores dizem esperar que achado ajude a desvendar mistério sobre origem de povo mencionado na Bíblia.
Pesquisadores em Israel afirmam ter descoberto um cemitério filisteu - seria, segundo eles, o primeiro a ser encontrado na história.
O achado, ocorrido em 2013 e tornado público neste domingo (10), pode trazer respostas sobre o antigo mistério em torno da origem do povo.
A descoberta marcou o fim da escavação realizada pela Expedição Leon Levy na região do Parque Nacional de Ashkelon, no sul de Israel. Os trabalhos duraram 30 anos.
Os líderes da pesquisa dizem ter encontrado 145 conjuntos de restos mortais em várias câmaras fúnebres, algumas cercadas por perfume, comida, joias e armas.
As ossadas são originárias do período compreendido entre os séculos 11 a.C. e 8 a.C.

Povo migrante
Os filisteus são mencionados na Bíblia como arqui-inimigos dos antigos israelitas.
Acredita-se que eles tenham migrado para as terras de Israel por volta do século 12 a.C, vindos de áreas do oeste.
O filisteu mais famoso nos dias atuais é Golias, guerreiro gigante que, segundo o livro sagrado, foi vencido pelo jovem Davi antes de ele se tornar rei.
"Após décadas estudando o que os filisteus deixaram para trás, nós finalmente ficamos cara a cara com essas pessoas", afirmou Daniel M. Master, um dos líderes da escavação.
"Com essa descoberta, nós estamos próximos de desvendar o segredo em torno de suas origens."

Segredo de três anos
O achado foi mantido em segredo por três anos até que os trabalhos fossem finalizados. O objetivo era evitar atrair a atenção de ativistas judeus ultraortodoxos, que já haviam feito atos contra escavações.
Os manifestantes acusavam os arqueólogos de perturbar locais de sepultamento.
"Nós tivemos que segurar as nossas línguas por um longo tempo", disse Master.
Especialistas que estudaram o período divergem sobre a origem geográfica dos filisteus - Grécia, sua ilha Creta, Chipre e Anatólia, na Turquia, são apontados.
A equipe da expedição está agora fazendo exames de DNA, de datação por radiocarbono e outros testes nos restos mortais em uma tentativa de apontar com precisão sua ascendência.
A maioria dos corpos não foi enterrada com itens pessoais, afirmam os pesquisadores, mas perto de alguns havia utensílios onde eram guardados perfumes, jarras e pequenas tigelas.
Poucos indivíduos foram sepultados com pulseiras e brincos. Outros, com armas.
"É assim que filisteus tratavam seus mortos, e esse é o 'livro de códigos' para decifrar tudo", disse o arqueólogo Adam Aja, um dos participantes da escavação.

Publicado em G1


7 de jul de 2016

Mãe influencia na leitura e a Bíblia é o livro mais lido, diz pesquisa

O X da questão sobre o leitor brasileiro e como se comporta diante das ferramentas digitais foram discussões da 16ª Flip (Festa Literária Internacional de Paraty (RJ)), que acontece de 29 de junho a 3 de julho. O debate foi com base na pesquisa do Instituto Pró-Livro – que revelou que 56% dos brasileiros têm hábito de ler e que o livro mais lido é a Bíblia, que chega a 42% dos pesquisados. Uma constatação do estudo é que a mãe e o professor são os que mais influenciam para se ter um futuro leitor.
O escritor Marcílio França Filho, mestre em teoria da literatura pela UFMG, lembrou de Macedônio Fernandez para questionar a pesquisa, destacando que existem vários tipos de leitores. Entre eles, o leitor de vitrine, o recolhido, o resoluto, indeciso, continuo e o que ler saltando. Marcílio questiona a pesquisa querendo saber onde se encaixa o leitor que ler fragmentado, principalmente na era da internet. Na metodologia da pesquisa, para ser leitor é necessário ter lido ao menos um livro nos últimos três meses. Foram ouvidos 5 mil pessoas entrevistadas no período de 23 de novembro a 14 de dezembro de 2015.
Já a escritora e ganhadora do prêmio Jabuti, Neca Setúbal, destacou que é preciso pensar na juventude. Segundo ela, a leitura, a escola e a literatura fazem uma conexão com o mundo.
“A internet abre mundos dispersos, a literatura também, mas com um olhar da imaginação, dos sonhos, da arte. A literatura é a fonte de riqueza da alma, além de formar vocabulário”.

Importância da mãe e do professor na leitura
Neca Setúbal alerta que é preciso que a família trabalhe situação desde bebê para que ele seja ligado à leitura.
“Quem mais influencia e que dá dica sobre livro é a mãe e o professor, segundo a pesquisa e eu falo da importância de você ter um País com maior acesso a educação. Dados mostram que 66% das mulheres têm ensino médio completo, quando há 10 anos tinha um número de 25%. Isso é um salto muito grande e vai ter um impacto nas crianças, porque a mãe tem muita importância na educação e na indicação de livros”.

Bíblia
No levantamento, o livro mais lido pelo brasileiro é a Bíblia. Marcílio França diz que a pesquisa chama atenção ao afirmar que a leitura está conectada a ordem religiosa, ao trabalho e a televisão.
“É preciso desmontar isso para que a leitura seja mais diversificada. Não tenho nada contra a Bíblia, é preciso ler até bula de remédio, a minha questão é a ordem de leitura”.
No debate, Neca Setúbal ressaltou o fenômeno do Harry Pottter e disse que o sucesso da saga pode está indicando que o livro não pode ficar sozinho.
“Não é só o livro, tem filmes, jogos, quadrinhos, bonecos. O Harry Potter é um exemplo emblemático. Isso mostra que o livro não perde seu valor se vier com outras manifestações culturais”.

Publicado em Cidade Verde


Apostolado formado por gays defende abstinência sexual para viver a fé católica

Maurício Marcos sente atração por homens, mas não levanta a bandeira gay. Também não defende a cura para a homossexualidade. O advogado de 46 anos é coordenador nacional do Apostolado Courage, um grupo que oferece apoio a pessoas dispostas a conciliar a atração que sentem pelo mesmo sexo com os ensinamentos da Igreja Católica. Criado em 1980, no Village, bairro gay de Nova York, o Courage recebeu aval do Vaticano em 1994. No Brasil desde 2009, o grupo apoia cerca de 150 homens e mulheres, promovendo reuniões no Rio, em São Paulo e em Curitiba, além de rodas de debates online. Em entrevista por telefone, o paulista, que vive na ponte aérea para conduzir os encontros também no Rio, afirma que “natural” é ser hétero e defende a abstinência sexual como terceira via para gays católicos.

O que é o Apostolado Courage?
“Um grupo de apoio espiritual para pessoas que sentem atração por pessoas do mesmo sexo e desejam viver a castidade, como ensina a Igreja Católica”.

Como funciona, na prática?
“É como se fosse uma terceira via para essas pessoas. Uma via seria se assumir, sair do armário e ter um companheiro(a). Outra seria se esconder, não falar do assunto com ninguém e talvez até assumir um casamento com uma pessoa do outro sexo, forçando o outro lado. Mas existe uma terceira via, que não é nem uma nem outra: você sente a atração, mas aprende a conviver com isso e leva uma vida católica adequada”.

Há conflito entre ser católico e ter atração pelo mesmo sexo?
“A Igreja entende essa atração como uma inclinação desordenada. O natural seria a atração pelo sexo oposto. Mas a inclinação, o desejo, não é um pecado. O ato errado seria entregar-se à inclinação. A Igreja tem o magistério definido em relação a isso: a relação sexual tem que acontecer dentro de um casamento e ser aberta à vida. A pessoa pode aprender a controlar e não se entregar a essa inclinação. Muitos não sabem lidar com isso. Mas o chamado de Cristo à santidade é para todos”.

Quais são os desafios?
“Lógico que uma hora ou outra surge aquela dúvida. Um heterossexual se vê na possibilidade de constituir uma família, ter filhos, não viver na solidão. Mas aí você observa o mundo moderno e percebe que a união não é mais garantia de não viver de forma solitária. As pessoas estão muito egoístas, e os casais não têm mais tantos filhos, que poderiam garantir uma velhice sem solidão. Esse é um medo que existe e é legítimo. Mas o que é solidão? É você se isolar dos outros. Por isso, o apostolado propõe cinco metas, entre elas, desenvolver boas amizades e cultivar um espírito de fraternidade. Isso é importante para que tanto hoje quanto no futuro a pessoa não fique sozinha. Muitos se isolam por causa do preconceito. Então, a gente mostra que eles são capazes de ter amizades normais com homens e mulheres, que não são ETs”.

O grupo enfrenta resistências?
“Às vezes acham que somos um grupo de terapia. Não somos. Muitos vêm atrás de uma cura. Não oferecemos cura nenhuma. Não somos ex-gays. A pessoa pode, sim, ter uma vida plena, católica, de castidade, mesmo que continue sentindo atração por pessoas do mesmo sexo. Por outro lado, tem gente que acha que nós divergimos da doutrina católica. Acham que somos um grupo afirmativo, gay friendly ou inclusivo. Mas a gente não defende a possibilidade de casamento entre pessoas do mesmo sexo. Tem ainda os que não sabem lidar com a questão da homossexualidade, estão mal informados. Acham que é sem-vergonhice ou questão de escolha. São conceitos errôneos, com os quais temos que trabalhar”.

Quando você descobriu que tinha atração pelo mesmo sexo?
“Na adolescência. Eu já participava da Igreja, mas em conflito. Sempre me vi como homem, mas com atração por outros homens, e não entendia. Sofri muito bullying na vida porque nunca tinha tido namorada, nunca fui bom nos esportes e gostava muito de estudar, era um nerd. Sempre me xingavam de veadinho, bichinha, e eu não entendia o que estava acontecendo. Ninguém me explicava, e eu tinha medo. Aos 16 anos, me converti e descobri a vida católica, com toda a sua riqueza, mas meu conflito interno continuava. Até então, não tinha tido nenhum tipo de contato sexual”.

Como encontrou o Courage?
“Até os 20 anos tive uma vida normal e depois me tornei religioso, vivi num mosteiro dos 20 aos 24 anos. Depois, saí de lá e, um ano depois, minha mãe faleceu. Perdi o chão. Isso me afetou psicologicamente e comecei a sentir uma grande carência. Sempre falo que a atração é mais uma questão afetiva e emocional, que depois se sexualiza. Essa carência foi crescendo. Deixei a Igreja aos poucos e comecei a levar um estilo de vida gay a partir dos 27 anos. Tive contato sexual, relacionamentos. Mesmo tendo conhecido e me relacionado com pessoas boas, não me sentia feliz, isso nunca me completou. Eu continuava numa busca, e não sabia que busca era aquela. Até que chegou num momento em que terminei o último relacionamento e voltei para a Igreja. Mas continuava a pergunta: “Por que Deus me fez assim?”. Fui pesquisar no Google e acabei achando o Courage internacional, em 2008. Mas só em 2011 comecei a frequentar o grupo, em São Paulo”.

O que acha da abordagem que o Papa Francisco faz do tema?
“A palavra do Papa Francisco é muito boa para as pessoas entenderem que é preciso acolher, ir atrás das ovelhas perdidas. Mas, como o Papa está muito pop, às vezes as pessoas interpretam as palavras dele de maneira errônea. O Papa é católico, e suas palavras têm que ser entendidas de maneira católica. Acolher todos, sim. Mas tudo, não. Só se pode acolher algo dentro do ensinamento da Igreja, da verdade que Cristo ensinou para a gente. A diferenciação sexual é algo querido por Deus como complementaridade dos dois sexos, aberto à vida”.

O que achou da repercussão do atentado à boate gay nos EUA?
“O Courage publicou uma declaração condenando a violência atroz. A gente se sensibiliza, mas sem levantar bandeiras. Já se acostumaram tanto a rotular que não percebem que os que estavam ali não eram apenas gays, eram pessoas. Muitos se aproveitaram para levantar bandeiras e esqueceram das vítimas, de fato”.

Como são as reuniões e o que fazer para participar delas?
“No Rio, a célula se reúne uma vez por mês, num local fixo. Os endereços não são divulgados. É uma questão tabu e muita gente prefere não se revelar. Tecnicamente, é semelhante às reuniões do Alcoólicos Anônimos. Fazemos questão de preservar a identidade das pessoas. A pessoa entra em contato por meio dos emails de contato que estão no site (www.couragebrasil.com) e nós fazemos uma espécie de entrevista para que ela comece a participar das reuniões”.

Publicado em Extra


Vereadores transformam Câmara de São Paulo em ‘templo’ 1 vez por semana

“Amém”, “Aleluia, irmãos”, “glória a Deus”. Sempre acompanhadas de exclamações efusivas, essas palavras têm sido ouvidas cada vez mais em um local onde todos os temas deveriam ser discutidos e tratados, mas nenhuma oração, de crença nenhuma, deveria ser proferida: a Câmara Municipal de São Paulo. Ela é o endereço de pelo menos um encontro religioso por semana neste ano.
Levantamento feito pela reportagem na agenda de eventos do Cerimonial da Câmara mostra que a Casa foi sede de 24 atos de cunho religioso entre janeiro e junho (praticamente um por semana), com custos pagos pelo Legislativo. Os vereadores e entidades envolvidas dizem que exercem a liberdade de expressão nesses encontros e afirmam não cometer ilegalidade. Especialistas em Direito Constitucional ouvidos pela reportagem discordam.
Muitos disfarçam a natureza do evento, transformando as sessões de louvor em “homenagens” a personalidades da cultura gospel ou ao aniversário de inauguração de algum prédio religioso. Alguns, por outro lado, nem se esforçam para isso.
Com reuniões mensais desde 2014, o Grupo de Oração Ministério Ágape Reconciliação, ligado à Igreja Bola de Neve, chega a reunir 200 participantes no Auditório Prestes Maia, no 1º andar do Palácio Anchieta.
Os encontros duram três horas. Têm pregação, momentos fervorosos de oração – em que os fiéis dão as mãos, fecham os olhos e pedem a intervenção do Espírito Santo – e muita doutrina. O grupo pode ocupar o espaço a pedido do vereador Eduardo Tuma (PSDB) – autor do projeto de lei, vetado anteontem pelo prefeito Fernando Haddad (PT), que queria instituir o “Dia de Combate à Cristofobia”.

Pregações
“Se alguém vier falar para vocês que o islamismo é uma religião de paz, é mentira. Eles fazem todo cristão renunciar a Jesus Cristo. Todos são convocados para a matança de cristãos”, afirmou um homem ao microfone em um dos encontros do Ágape, em fevereiro.
E a pregação também não deixa de tratar de temas políticos. “Quero pedir perdão. A gente sabe que existe algo chamado Foro de São Paulo, e sabemos que nosso governo atual (na época, de Dilma Rousseff) está envolvido nisso. Nós Te pedimos perdão por alianças com países que estão tentando implantar o comunismo, que já estão em processo de doutrinação desde a época em que houve ditaduras em toda a América Latina. Pedimos que tende piedade de nós, porque essa é uma doutrina feita por um satanista chamado Karl Marx”, afirma outro homem, no encontro.
Os discursos também trazem a visão religiosa para assuntos ligados aos direitos civis: “Pedimos perdão por todo tipo de casamento gay, de doutrinação”, afirmou outro fiel no evento.
No dia 18 de abril, o momento evangélico ocorreu no Salão Nobre, no 8º andar do prédio que fica no Viaduto Jacareí, centro da capital. Iniciativa de Noemi Nonato (PR), missionária da Assembleia de Deus, autora do projeto de lei que incluiu o Dia do Círculo de Oração no calendário de festas paulistano. Em certo momento, um grupo de seis mulheres com vestidos semelhantes a fardas militares roubou a cena, cantando e dançando uma animada coreografia. “O sonho não pode acabar, Deus está sempre ao teu lado”, entoavam. “É hora de se levantar, não desista de lutar, o escolhido de Deus não para não, mesmo que esteja em uma prisão.”

Louvorzão
Em encontro chamado “Louvorzão Fé São Paulo”, no dia 10 de junho, no Plenário Primeiro de Maio – local onde os projetos de lei são discutidos e votados pelos vereadores, a ideia foi homenagear “os representantes da música gospel”. Foi um evento proposto pelo vereador Jean Madeira (PRB), pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. “Se diziam que não tinha como acontecer isso na Câmara, pronto. Já está acontecendo. Uma salva de palmas para Jesus.”
Madeira pregou, cantou, orou e reclamou que fez o pedido para que houvesse música gospel na Virada Cultural – mas não foi atendido. “Queremos fazer e avançar cada vez mais na cidade de São Paulo.”
Procurada, a Presidência da Câmara informou que os vereadores têm direito de requisitar os auditórios para eventos particulares – o Estado contou quase 80 somente neste ano. E destacou que os assuntos tratados nas cerimônias são de responsabilidade do parlamentar que convocou o encontro.

Publicado em O Estado de S. Paulo via IstoÉ


Adolescentes contam como a religião que escolheram influencia no dia a dia

Ser adepto de uma religião pode exigir uma série de mudanças na rotina para seguir os preceitos pregados. Os jovens nem sempre são bons em cumprir regras e ter de abdicar de passeios com os amigos, dentre outras atividades. No entanto, há muitos adolescentes guiados pela fé que não se incomodam em mudar a vida por causa da crença que seguem. Veja relatos:

Esther Karina Duran, 15, de São Paulo (SP)
"Sou evangélica. Eu me converti há um ano e meio. Uma amiga me levou à igreja e gostei, acabei ficando. Desde então, mudei meu modo de viver. Não uso roupa extravagante, curta demais ou com decote. Não é que a igreja proíba, mas, para mim, é uma questão de bom senso. Também não fico mais, mesmo que seja com um garoto do qual goste. É uma decisão minha, porque quero me guardar. Com o mesmo objetivo de me preservar, escolhi não escutar músicas do mundo, só as da igreja. É claro que por causa das minhas escolhas sofro preconceito da maioria dos meus amigos da escola, do prédio e mesmo de parentes que não são cristãos. No começo, eles estranharam muito, ganhei apelido de crente e de pastora. Agora todos estão mais acostumados. De qualquer jeito, acabo passando mais tempo com os amigos da igreja, que acreditam nas mesmas coisas que eu. Temos muitos jovens lá e nos divertimos bastante juntos."

Jonatas Alves, 22, Santo André (SP)
"Sou cristão da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Guardo do pôr do sol da sexta-feira ao mesmo período do sábado. Isso significa que, nesse intervalo de tempo, não posso me dedicar às mesmas atividades dos outros dias da semana. Tenho de servir a Deus ou ao próximo. Vou à igreja, faço alguma obra de caridade e por aí vai. Minha maior dificuldade é arrumar emprego, pois não posso trabalhar depois de um certo horário da sexta-feira. Até agora, abri mão de três vagas. E só consegui permanecer na faculdade, pois deu para conciliar o horário. Além disso, tenho de recusar convites dos amigos para sair de sexta à noite e para participar dos campeonatos de futebol aos sábados. Isso foi difícil para mim, agora me habituei e meus amigos também já entendem a minha escolha, embora nem todos concordem com ela. O importante é que nunca me arrependi das decisões que tomei e ainda tomo, porque acho que estou fazendo a coisa certa."

Alessandra Cardoso, 15, Sapucaia do Sul (RS)
"Eu me converti com 14 anos e sou a única muçulmana da minha família. Não tenho muitos amigos, ninguém que siga a mesma religião que eu. Então, faço contato pela internet com pessoas que têm afinidade comigo e com o que penso. De modo geral, o que sofro mais é com o preconceito por causa da ignorância das outras pessoas sobre a minha religião. Já fui chamada de terrorista várias vezes, na rua mesmo. Por isso, até evito sair. Por conta da minha crença, tenho uma vida mais introspectiva do que a maioria dos jovens da minha idade. Tenho de seguir certas regras: rezo cinco vezes por dia, por exemplo, e sexta-feira é o dia de ouvir o sheiks, na mesquita. Outra diferença é que nunca vou ficar ou namorar um garoto. Quando tiver alguém, será para noivar e, em seguida, casar."

Juliana Cerbino, 23, Rio de Janeiro (RJ)
"Sou católica e tenho vários interesses, gosto de ver vídeos, séries, de ler livros, como todo jovem. A diferença básica que percebo entre mim e as minhas amigas é que coloco a igreja acima de tudo. Recentemente, aconteceu um show de um cantor que é o meu predileto e caiu no mesmo dia da festa do padroeiro da minha cidade, São Sebastião. Não pensei duas vezes em ficar na igreja. Normalmente, vou à missa duas vezes por semana, temos um grupo de jovens lá. Balada não vou, pois não gosto. Não uso drogas pelo mesmo motivo. Tenho namorado, mas, quando estamos em casa, rezamos juntos, não tem essa de conversinha tola e leviana nem obscenidades."

Lethicia Cavallaro, 16, São Bernardo do Campo (SP)
"Eu me converti à umbanda há mais ou menos dois anos, depois que fui com a minha mãe ao centro. Atualmente, não só frequento como estou desenvolvendo a minha mediunidade. Eu me encontrei totalmente na religião e vou toda semana. Ela exige preparação para o trabalho: 24 horas antes de ir para o centro, não posso consumir bebida alcoólica nem comer carne vermelha. As relações sexuais também estão proibidas no período. Nos outros dias, posso ter vida normal como qualquer adolescente. Para mim, a maior questão é o preconceito, já que muita gente desconhece a umbanda. Tenho amigas evangélicas, católicas, budistas, mas procuro nem discutir religião com elas. Até fiz alguns amigos na umbanda, mas não gostaria de ter de abrir mão das amizades mais antigas, principalmente da escola."

Jessica Barros, 16, Osasco (SP)
"Sou evangélica e, pela minha religião, posso fazer o que quiser, mas sei que nem tudo me convém. Em geral, abro mão de ir a festas, não uso drogas, esse tipo de coisa. Tenho alguns amigos que seguem esse caminho, que se deixam levar por uma felicidade momentânea. Porém, sempre que posso, aconselho-os. É claro que muitas vezes sou criticada pelas escolhas que faço, mas não me abalo. Muitas pessoas que antes me atiravam pedras, hoje, entendem a minha decisão. Na realidade, não sou diferente das outras meninas da minha idade, apenas adotei uma rotina mais disciplinada: vou à igreja duas vezes por semana e faço orações em casa, diariamente. Mas ser cristão não é deixar de ser jovem: a gente encontra o pessoal da igreja no parque, vai a acampamentos. Com o tempo, essa turma da igreja passa a ser uma família."

Emília Carim, 18, Porciúncula (RJ)
"Meu pai é muçulmano e minha mãe não segue nenhuma religião, apenas crê em Deus. Virei católica por causa da minha irmã, que se encontrava com um grupo de jovens na igreja para orar. Fui ver como era e gostei, tanto do ambiente quanto das pessoas. Hoje em dia, só faço meus programas de domingo depois de ir à missa e não abro mão de rezar às terças e sábados nos grupos de oração. Para isso, às vezes, deixo de sair com outros amigos que não são cristãos. Não encaro como um sacrifício. Minha religião é bastante aberta, posso fazer tudo o que quiser. Algumas coisas não faço pelo simples medo de ser discriminada. É o caso da tatuagem, por exemplo. No mais, a religião não afeta minha rotina. Procuro tolerar as crenças dos outros e por isso acho que os amigos respeitam a minha. A partir do momento em que acontece a intolerância religiosa, já se perde o sentido da religião, pois todas ensinam o amor. E amar inclui respeitar o próximo."

Gabriele Moura, 15, Santa Cruz do Rio Pardo (SP)
"Por ser evangélica, tenho algumas restrições. Não bebo e não posso ter relações sexuais a menos que estiver casada. Quando namoro, preciso da benção do pastor. No mais, posso me divertir como qualquer jovem, desde que respeitando alguns limites com bom senso. Nas festas da igreja, por exemplo, nós nos divertimos muito. Oramos, mas depois cantamos e dançamos. Os amigos da igreja são os que me apoiam, os de fora nem sempre compreendem. Alguns acham estranho agir diferente, porém respeitam a minha escolha."

Eric de Moura, 21, Mauá (SP)
"Sou cristão da Igreja Adventista da Promessa. Cumprimos a lei moral expressa nos dez mandamentos, que inclui a guarda literal do sábado como dia de descanso e a celebração a Deus. Por isso, minha maior dificuldade sempre foi deixar de sair com os amigos aos sábados para me dedicar à igreja. Com o tempo, fui me acostumando, marcava os passeios nos outros dias. Além disso, temos diferenças em relação ao estilo de vida. Não vou para balada, não bebo e guardo a castidade até o casamento. Mas nunca ofendi ou fui ofendido por conta disso, sempre houve respeito por parte das pessoas que escolhi para serem meus amigos. Hoje em dia, o sábado é um dia ainda mais especial, pois virei missionário e tenho todas as horas ocupadas com cultos, ensaios e reuniões. Depois que o sol se põe, posso até sair com os amigos de outras religiões, sem problemas."

Thainá Cristina de Souza da Cruz, 20, Natal (RN)
"Por ser evangélica, tenho uma vida um pouco diferente da maioria dos meus amigos. A primeira coisa é que não saio como eles, vou de casa para o colégio e vice-versa. Por causa disso, já fui chamada de antissocial, muitos dizem que sou desconectada do mundo, que sou calada, que só falo com as meninas da igreja. Tudo o que faço é em nome da minha fé. Já tive vontade de fazer coisas que não posso, como ouvir música do mundo, ver TV, usar blusa regata ou maquiagem, mas tenho um propósito mais forte para seguir as minhas convicções. Há sete anos, conheci um garoto da minha igreja, filho de pastor. Nós nos apaixonamos. Como nos guardamos, acabamos casando cedo, aos 18 anos, e hoje já temos uma filha. Sei que a maioria das garotas da minha idade ainda não tem uma família, mas sou feliz assim."

Cauan Silva, 12, Recife (PE)
"Meus pais são cristãos e conheci o Islã estudando história. Decidi por conta própria virar muçulmano há quatro meses. Isso mudou muito a minha vida. Conheci pela internet os jovens muçulmanos com quem converso, Meus amigos não religiosos e os que têm outra crença praticamente pararam de falar comigo. Não me chamam para nada, nem mesmo para praticar esportes. E isso eu posso fazer, desde que não sejam modalidades violentas. Essa mudança me chateou. No começo, sofri muito, agora acostumei. Meu interesse principal é seguir todas as leis que conheço e as que estou aprendendo na religião. Eu me concentro muito no momento das minhas orações, faço minhas preces em casa e, quando há uma comemoração na mesquita, meus pais me levam, sempre que possível."

Ana Federige, 16, Ribeirão Pires (SP)
"Sou evangélica e na minha religião não me proíbem de nada. Por outro lado, sei que preciso ter respeito, comigo mesma e com os outros. Então, não faço coisas que muitos jovens fazem, como beber e ficar com garotos. Também não uso roupa curta nem decote, mas ninguém me obrigou. Na verdade, além de frequentar a igreja, trabalho lá, então, minha responsabilidade é maior, preciso dar o exemplo. Na comunidade fora da igreja, não participo de festas que são focadas na adoração de santos, como festas juninas, justamente por não crer em santos. Ainda assim, posso dizer que tenho uma boa convivência com quem não é da minha religião, apenas não saímos juntos, pois pensamos diferente."

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