Header Ads

ATUALIZADAS
recent

Igrejas investem no ‘candidato oficial’ por espaço nos parlamentos

Líderes religiosos estimulam despertar da consciência eleitoral entre fiéis para eleger representantes
O alto escalão das igrejas instituiu a figura do ‘candidato oficial’, traçando metas de votos - o principal fator para negociar apoio ou cargos públicos.
O trabalho de igrejas evangélicas no Amazonas tem ido além da elevação do espírito, incluindo entre as orações, a política partidária e a escolha de nomes de candidatos para a disputa eleitoral. O alto escalão das igrejas instituiu a figura do ‘candidato oficial’, traçando metas de votos - o principal fator para negociar apoio ou cargos públicos.
Nas últimas eleições municipais, quatro partidos declaradamente religiosos (PRB, PSC, PTC e PSDC) somaram, no Amazonas, 139.301 votos, elegendo 61 nomes. Líderes religiosos afirmam que, depois de um período inicial distante dos partidos, as igrejas evangélicas passaram a estimular o despertar da ‘consciência eleitoral’ entre os fiéis em grupos de casais, de famílias e de jovens. Ainda assim, os líderes falam que o livre arbítrio é preservado.
O Ministério Internacional da Restauração (MIR), liderado pelo pastor Renê Terra Nova, quer aumentar o seu volume de votos na eleição deste ano, como informou o único parlamentar da igreja na Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereador Marcel Alexandre (PMDB), eleito com 11.061 votos. Em 2012, a MIR terá novamente o peemedebista como o “candidato oficial”. Segundo o vereador, a igreja optou por ter só um político por entender que “o importante não é a quantidade de parlamentares, mas sim o volume de votos”.
A pastora Nídia Limeira de Sá, integrante da equipe de Terra Nova, diz que a escolha do candidato oficial é baseada em um perfil bíblico. “Em primeiro lugar, procuramos o perfil da pessoa justa que a Bíblia fala”, disse. Ela nega a realização de campanha eleitoral durante os cultos, mas reconhece a influência dos pastores. “No fundo, todo mundo quer saber em quem o pastor Renê vai votar. Aí a gente fala mesmo. Se alguém me perguntar, eu digo: eu vou votar no Marcel. O apóstolo Renê também fala”. O trabalho de conscientização política, segundo ela, é feito nos grupos da igreja. Ela afirma que existe uma corrente junto aos jovens para que eles busquem integrar diretórios acadêmicos e sindicatos.
A Assembleia de Deus é a igreja evangélica com a maior força política no Estado, tendo uma bancada com seis vereadores em Manaus, 75 eleitos no interior, deputados estaduais e federais, além de 320 mil fiéis (quase 10% da população amazonense). A igreja já traçou metas de votação para as próximas duas eleições, realiza seminários sobre legislação eleitoral, e tem, inclusive, um departamento voltado exclusivamente para a política. De acordo com o líder do Departamento de Conscientização Política da Igreja, pastor Raimundo Chagas, a Assembleia já discute política há 20 anos. O pastor, ao contrário dos demais, negou a presença do “candidato oficial”, dizendo que os fiéis são livres para votar.
“Não tem isso de ‘candidato oficial’, mas é claro que existem, como posso dizer, nomes que são recomendados”, afirmou o vereador Luis Mitoso (PSD), conselheiro jurídico da Assembleia de Deus. Para a CMM, a igreja reforça o nome de quatro vereadores: Mitoso, o diácono Mario Bastos (PRP), Amauri Colares (PSC) e Roberto Sabino (PRTB).
A Quadrangular também terá candidatos. O pastor Manuel Martins diz que a igreja, com 37 anos no Estado, não elegeu nenhum membro. “Na eleição passada (para deputado estadual), ficamos a apenas 51 votos”. Ao ser questionado se a igreja adotaria outra postura para vencer a eleição, o pastor disse que continuaria o mesmo trabalho de conscientização dos fiéis. “Cremos que devemos participar do processo político, mas não com o ativismo escrachado, que pode até constranger as pessoas”, disse. “Eu não sei se isso é bom ou se é ruim, depende da perspectiva”, concluiu.
A Igreja Aliança Evangélica é outra que também terá candidatos às eleições municipais. No Estado, são cerca de 5 mil membros, conforme dados do pastor Teté.

Textos bíblicos reforçam argumentos
Os evangélicos ouvidos pelo DIÁRIO foram unânimes ao defender que a igreja pode entrar na política, já que a Bíblia é um “livro político”. “Quando o justo governa, o povo se alegra”, disse a pastora Nídia Limeira, da Restauração, ao citar Provérbios. “A pessoa justa não pode negociar princípios, tem que agir dentro das leis. Ela tem que ter uma vida que realmente demonstre aquele evangelho, que ela diz que segue”, disse.
O vereador Marcel Alexandre (PMDB) destacou a vida do rei Salomão, que aparece na Bíblia como o homem mais sábio do mundo, tendo governado Israel por cerca de 40 anos. O parlamentar ainda falou do livro de Samuel. “Aquele que domina com justiça sobre os homens, que domina no temor de Deus, é como a luz da manhã, quando sai o sol, como manhã sem nuvens, cujo esplendor, depois da chuva, faz brotar da terra a erva”, diz a passagem do referido livro. O pastor Chagas, da Assembleia de Deus, não soube citar um trecho da Bíblia que fale sobre política, mas destacou que o livro é “político de ponta a ponta”.
Na prática, a religião tem avançado sobre a política. Os pastores relataram que, no início, as igrejas evangélicas não participavam da política por “achar um lugar sujo”. “Nós agora temos uma perspectiva totalmente diferente: ninguém se suja quando não quer”, falou Nídia. Nas eleições de 2010, PRB, PSC, PTC e PSDC, legendas cristãs, conquistaram, no Amazonas, 235.037 votos para os cargos de deputado federal e estadual - aumento de 68,7% em relação à eleição de 2008.
As igrejas também são usadas pelos políticos com objetivos pessoais. O deputado Silas Câmara (PSD), com o apoio do irmão, presidente da Assembleia de Deus, Jonatas Câmara, sempre que acusado judicialmente por algum crime, usa a estrutura da igreja, mantida com dinheiro dos fiéis, para se defender. Ele e a mulher, deputada Antônia Lúcia (PSC-AC), foram condenados por crime eleitoral.

Notícias Cristãs com informações do D24AM
Tecnologia do Blogger.