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domingo, 17 de junho de 2012

Ex-padre vai se casar na igreja

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Onze anos depois, chegou a hora do sim no altar. Após deixar a batina, em 2001, para se casar no cartório com a assistente social Paula Rocha, o ex-padre Wilde Ricardo Rocha só recebeu a autorização do Papa Bento XVI para poder contrair matrimônio na igreja católica em março desse ano. Com isso, o casal marcou a cerimônia para o dia 20 de setembro na Capela de São Vicente de Paula, em Icaraí, Niterói. Apesar de ter se afastado da função de padre, Ricardo acompanhado de Paula nunca deixou de frequentar e participar das ações da igreja católica. Para o casal, a autorização para o casamento foi mais uma prova do amor verdadeiro entre eles.
“Passamos por muitas dificuldades depois que assumimos o nosso relacionamento. Apesar de ter certeza da minha vocação, decidi me afastar, pois sabia que estava gostando da Paula e não tinha como conciliar essas duas vidas. Pedi o meu desligamento, pois queria continuar na igreja. Mas, na época, o Papa João Paulo II disse que não ia receber pedidos desse tipo, de padre com menos de 40 anos. Como, em 2001, eu tinha 34, tive que esperar para que o processo andasse”, contou Ricardo que celebrou a sua primeira missa na capela aonde vai casar. “Em 1992, celebrei a minha primeira missa na Capela de São Vicente. Fiquei por um tempo celebrando missas na parte da noite. Depois, passei por Cabo Frio e Silva Jardim, antes de chegar a Igreja de São Judas Tadeu, em Icaraí, onde fiquei por quase 10 anos”, contou o ex-padre, de 46 anos, que é vereador em Niterói.
Paula Rocha não esconde a ansiedade de poder se casar na Igreja Católica, que frequenta desde criança. Mãe de dois filhos – Julia, de 15 anos (fruto de um outro relacionamento) e Lorenzo, 5 – a jovem disse que a decisão do Papa veio para reafirmar o amor entre o casal. “Apesar de todas as dificuldades, conseguimos constituir uma família muito bonita e forte. O tempo mostrou que Deus abençoou essa união. A última prova disso foi a liberação do casamento na igreja católica”, contou Paula, que, sem qualquer dúvida, respondeu à pergunta de Ricardo se ela gostaria de se casar com ele novamente. “Sim, claro. Vou responder sim mais de mil vezes”, afirmou Paula, de 31 anos.

Experiência inspira novela
Se a história de Wilde Ricardo e Paula Rocha ainda não virou filme, a experiência do casal já foi vivida em novela. Em 2003, o ex-padre foi contratado para prestar consultoria ao ator Nicola Siri, que interpretou o Padre Pedro na novela Mulheres Apaixonas, da TV Globo.
Assim como o padre niteroiense, o personagem também se apaixonou por uma mulher que frequentava a igreja, onde ele celebrava missas. Estela foi interpretada pela atriz Lavínia Vlasak.
“Foi uma experiência muito boa. Na época, por estar muito recente ainda, todo mundo me chamava para participar de programas para contar a nossa história. Porém, não gostava de polêmicas e sempre negava. Não era o momento certo. Porém, na novela foi diferente. Conversávamos muito e, em alguns casos, acontecia realmente o que combinávamos. Em uma das cenas, o ator me disse que o Pedro ia dar uma bíblia de presente para Estela, que estava no hospital. Disse que presentear uma mulher com um terço era muito mais bonito. E realmente foi isso que aconteceu”, lembrou Ricardo.

História com dificuldades
A história de filme e novela, em que o padre que conhece a mulher da sua vida e resolve abandonar a batina para viver ao lado da amada aconteceu na Igreja São Judas Tadeu, em Icaraí. Wilde Ricardo e Paula Rocha se aproximaram quando a jovem, moradora do bairro, pediu para ele abençoar uma sala do orfanato, onde era voluntária.
A amizade ficou intensa até o dia que Paula se declarou. Ricardo, focado em ser padre, aconselhou a jovem a mudar de paróquia para que ela esquecesse a paixão. Ela seguiu o pedido. Porém, o tempo passou e, no reencontro, os dois perceberam que a situação não tinha mudado.
“Quando conversamos pela primeira vez, sabia que o meu foco era seguir na paróquia. A Paula disse que estava apaixonada e pedi para que ela se afastasse e, assim, encontrar uma pessoa que a fizesse feliz. Um ano e meio depois, ela voltou e disse que continuava sentindo a mesma coisa. Eu também percebi que estava sentindo alguma coisa. Por isso, decidi me afastar, pois não queria quebrar as normas da igreja”, contou Ricardo.
Porém, ao assumir o relacionamento, o casal enfrentou várias adversidades. “Os amigos se afastaram e até alguns familiares. Foi um período muito difícil, pois até ofensas nas ruas sofremos”, disse Paula.
As dificuldades seguiram, mesmo depois do casamento no cartório. De acordo com o casal, a questão financeira foi muito abalada.
“Não conseguia emprego. Sofria preconceito quando sabiam da história. Não tínhamos onde morar e pagar as contas era difícil. Uma vez, um homem, na igreja, me pediu um dinheiro emprestado para pagar a conta de luz. Disse que não tinha. Dias depois, ganhei R$ 200 na quadra da mega-sena. Dei R$ 100 para ele e fiquei com a outra metade, pois também estava devendo a da minha casa”, contou Ricardo que, em 2004, se candidatou, pela primeira vez, à Câmara de Niterói. Quatro anos depois, conseguiu ser suplente e assumiu no início desse ano.

Celibato e sacerdócio separados
A discussão em relação a vida pessoal de um padre é antiga e parece estar longe de acabar. De acordo com o ex-padre, Wilde Ricardo, as normas da igreja católica têm que ser respeitadas. Porém, para ele, um padre conseguiria manter uma família e a responsabilidade de comandar uma paróquia.
“É uma grande discussão e não gosto de polemizar. Mas, acredito que, se a pessoa tem vocação, o celibato (estado de uma pessoa que se mantém solteira) e sacerdócio podem andar separados. Há casos desse tipo na Igreja Católica Ortodoxa e não existe nenhum problema”, disse Wilde, que entrou no seminário em 1986.
“Sou carioca, mas na época estava morando em São Gonçalo. Eu e um amigo percebemos que tínhamos vocação para entrar no seminário. Entrei e fui ordenado padre em 1992”.

Notícias Cristãs com informações do O São Gonçalo
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