Header Ads

ATUALIZADAS
recent

Uma Bíblia para cada target

Segmentando um produto que tinha tudo para ser igual para todos.
Negócios ligados à religião podem parecer, à primeira vista, impermeáveis ao profissionalismo e à influência do marketing, pois costumamos pensar que, acima de qualquer finalidade lucrativa, está a abnegação de quem os comanda e o papel social que desempenham. Duas notícias recentes do Valor Econômico desmentem essa impressão.
Primeiro, uma matéria de 1º de agosto aponta que o Grupo Marista, que controla universidades, colégios, editora e emissoras de rádio pelo país, acaba de implementar seu processo de profissionalização – que incluiu a formação de irmãos no Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e a contratação de executivos sem vínculo religioso para cargos de direção. O motivo? A consciência de que “não iríamos sobreviver sem a profissionalização", segundo palavras do presidente do Grupo, o irmão Délcio Balestrin.
Segundo, uma reportagem de 30 de julho mostra que as editoras evangélicas e católicas de bíblias já descobriram, há muito, um conceito clássico do marketing: a segmentação. Quem pensa que só existe um ‘modelo’ de bíblia no mercado está enganado. As principais editoras evangélicas, por exemplo, já lançaram edição com capa jeans, para os adolescentes, com a foto de um surfista, destinada aos “surfistas de Cristo”, uma versão à prova d’água (para ler à beira da piscina...), outra com capa cor-de-rosa, para o target feminino e, finalmente, uma edição com passagens em quadrinhos - inicialmente pensada para os jovens, mas que fez muito sucesso entre os adultos.
A variedade nas editoras católicas não é tão grande, mas também existe, por lá. Há versões voltadas para grupos de estudo e para quem prepara missas, por exemplo, assim como outras recheadas de mapas, que ‘localizam’ o leitor no palco dos acontecimentos descritos no texto.
Simples manobra para fazer crescer as vendas de um produto maduro e de difícil diferenciação? Não só. As religiões não deixam de ser como as empresas: precisam de clientes literalmente “fiéis”. Tudo o que puder ser feito no sentido de arregimentá-los e conservá-los ao longo do tempo é benvindo – desde que, claro, os princípios que as norteiam não sejam feridos.
Se, para isso, for necessário valer-se de um recurso mundano como a segmentação, pouco importa. Atingir objetivos, afinal de contas, é sagrado.

Amanhã
Tecnologia do Blogger.