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Polícia investiga pastor por suspeita de integrar pirâmide

Até a tarde de ontem, cerca de 150 supostas vítimas procuraram a delegacia de Santa Terezinha para denunciar prejuízos.
A Polícia Civil de Juiz de Fora investiga a participação de um pastor evangélico na suposta pirâmide financeira conhecida como Mister Colibri.
De acordo com a delegada responsável pelo caso, Mariana Veiga, da 7ª Delegacia Distrital, o religioso é sócio majoritário da revendedora de veículos que seria ligada ao grupo Dream Team Brasil, representante da Colibri na cidade, e já investigada pela mesma delegacia. Além dele, a polícia agora apura a participação de uma financeira, que também teria envolvimento com o grupo.
Durante os trabalhos de busca e apreensão realizados na segunda-feira em três endereços, a delegada já havia encontrado material publicitário da financeira no escritório da Dream Team, na Rua Barbosa Lima. Ontem, uma vítima procurou a polícia e, em seu depoimento, reforçou a suspeita.
Conforme Mariana, esta pessoa investe há mais tempo na Mister Colibri e, por isso, chegou a receber alguns pagamentos. "Algumas vezes, a entrega do dinheiro era feita na financeira. Ela conta que viu, no local, pessoas pegando empréstimos no valor de até R$ 12 mil e assinando notas promissórias. Este dinheiro seria aplicado na Mister Colibri", disse a delegada. Segundo o site registro.br, que coordena o cadastro na internet no Brasil, o endereço eletrônico da financeira está registrado no nome e no CPF do principal suspeito de aplicar o suposto golpe na cidade.
O depoimento dele está marcado para hoje na delegacia de Santa Terezinha. Já o pastor investigado foi ouvido na última segunda-feira. Contra ele, pesa também um boletim de ocorrência, registrado dia 5 de setembro, por uma provável vítima do golpe, que o acusa de ameaça.

Mais vítimas
Desde terça-feira e até o fim da tarde de ontem, cerca de 150 pessoas procuraram a delegacia de Polícia Civil afirmando terem sido vítimas da Mister Colibri. Destas, aproximadamente 40 já prestaram depoimento. Uma delas é um funcionário público, 56 anos. Ele conta que investiu R$ 2.650 e teria recuperado apenas R$ 1.000. "Entrei em março e, até maio, recebia cerca de R$ 200 por semana. Cansei de ir até o escritório e cobrar o restante do dinheiro. Diziam que pagariam após agendamento prévio, mas não tinha data disponível até o fim do ano. Este valor investido eu tirei da minha poupança. Na palestra, prometeram que eu seria remunerado apenas assistindo vídeos.
De tanto insistir, bloquearam minha senha no sistema da Mister Colibri."
Além das pessoas que procuram a delegacia, a Tribuna continua recebendo ligações de supostas vítimas em outras partes do país. Ontem, duas delas, que dizem morar em João Monlevade, telefonaram para informar que não estavam recebendo o valor investido.

Reforços
A 7ª Delegacia Distrital, responsável pela investigação, vai receber reforços ainda esta semana. O responsável pela 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, Paulo Sérgio Virtuoso, e o chefe de departamento da 4ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), Rogério de Melo Franco, designaram investigadores de outras distritais para auxiliar nos trabalhos.

PF pede auxílio em Brasília
Enquanto a Polícia Civil concentra os trabalhos de investigação no escritório que representaria a Mister Colibri em Juiz de Fora, a delegacia de Polícia Federal da cidade trabalha com o objetivo de identificar a ação do grupo em todo o país. Conforme o delegado Humberto Brandão, a instituição já pediu informações ao Conselho de controle de atividades financeiras (Coaf), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda e ao Banco Central, com sede em Brasília.
Brandão explica que o Coaf é a inteligência financeira no Brasil. "Eles agem com objetivo de combater a lavagem de dinheiro em setores da economia considerados suspeitos, como financeiras, galerias de artes, revendedoras de veículos e imobiliárias. Fizemos esta solicitação há cerca de duas semanas e teremos respostas nos próximos dias. A partir do levantamento, vamos saber quais foram as transações financeiras exercidas pelas empresas ligadas ao Mister Colibri, não apenas em Juiz de Fora, como também em Fortaleza (CE), onde está a sede ", afirma Brandão.
Hoje o delegado da Polícia Federal e a delegada Mariana Veiga, da 7ª Delegacia Distrital da Polícia Civil, se encontram com o objetivo de avaliar a situação para concentrar os trabalhos de investigação. As duas polícias têm o apoio do Ministério Público Estadual.

Tribuna de Minas

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"Ganhe dinheiro assistindo a vídeos na internet". A frase é a isca do site Mister Colibri para atrair associados. A promessa é que cada um receba US$ 20 por semana apenas por assistir a um minuto e meio de propaganda. Para isso, basta pagar uma taxa anual de US$ 299 (cerca de R$ 600) para começar a receber os rendimentos. O próprio site faz a conta: A remuneração é de US$ 960 (R$ 1.920) - rendimento de 220% ao ano, ou mais de 18% ao mês.

O porém é que esse lucro vem numa moeda própria, chamada LP, e não em dinheiro. Cada LP vale US$ 1, e é assim que os participantes conseguem pôr a mão em dinheiro de verdade: vendem seus LPs uns para os outros.
O esquema dá certo. Pelo menos até que a pirâmide caia, ou seja, que os pequenos pagamentos parem de ser feitos e os investidores fiquem a ver navios. Embora milhares de pessoas estejam se declarando felizes e "ricas" com o sistema, a suspeita é que o Mister Colibri faça parte de um esquema internacional de fraudadores e estelionatários investigado na Índia por golpes financeiros, e que também estaria atuando em outros países da América Latina.
A empresa está no Brasil há pouco mais de um ano, e há controvérsias sobre o número de associados. Segundo uma participante, nas palestras que divulgam o modelo de negócios, os organizadores falam em 30 mil. Mas o diretor comercial do Mister Colibri no Brasil, Gian Piero di Cillo, afirma em sua página no Facebook que são quase 120 mil associados.
De acordo com o material de divulgação da Mister Colibri, a empresa veio para "resolver o problema das grandes corporações". Multinacionais estariam dispostas a pagar enormes quantias de dinheiro em troca de um "público fiel" para suas propagandas. Esse dinheiro da publicidade seria o responsável pela "alta remuneração" dos associados.
Segundo uma das associadas ao site, as propagandas que eles têm de assistir são de empresas como Coca-Cola, Samsung, LG e BMW. Coca-Cola e BMW, que, porém, já negaram parceria com o site, segundo o jornal "El País", da Colômbia, em reportagem sobre o assunto.
A representação da Mister Colibri no Brasil é da Omnia Serviços Publicitários e Representações Ltda. Segundo a Receita Federal, a empresa funciona na avenida Dom Luís, 20, em Fortaleza, no Ceará. Já no site da Omnia, a empresa é descrita como fornecedora de equipamentos para tratamento de lixo urbano. O endereço de instalação é outro: avenida Historiador Raimundo Girão, 630, também em Fortaleza. Dos quatro telefones de contato divulgados, nenhum atende, e o e-mail informado é devolvido como inexistente.
Gian Piero di Cillo é citado no site como diretor de marketing da Omnia, mas a página que traria seu perfil não tem conteúdo, assim como o link que mostraria os serviços da empresa.
Di Cillo também aparece no material de divulgação da Mister Colibri como diretor comercial e braço direito do italiano Elia de Prisco, que seria responsável pelo site na América Latina. Prisco é apontado pelo jornal indiano "The Times of India" como um dos diretores da Seven Rings International, que está sendo investigada por crimes financeiros. A polícia indiana está levantando possíveis ligações entre a Seven Rings e os sites SpeakAsia e AdMatrix, que foram fechados por praticarem "pirâmide financeira", o que é crime. A reportagem de O TEMPO tentou falar com a Mister Colibri diversas vezes na última semana, por telefone, e-mail e pelo Facebook, mas não obteve resposta.

Moeda virtual não tem lastro
A dona de casa Ivonete Mendes, de Itatiba, interior de São Paulo, é associada do Mister Colibri há quatro meses. Além dela, a irmã, a mãe e dois sobrinhos também aderiram ao site. Ivonete investiu R$ 5.000 e recebe cerca de R$ 1.300 por mês. Sua irmã já investiu R$ 15 mil e ganha mais de R$ 2.000 por mês. "É uma empresa maravilhosa, só preciso assistir a um minuto e meio de propaganda", comemora.
Para conseguir esse lucro, ela precisa vender seu dinheiro virtual, os LPs, a outros associados, geralmente os que são mais novos no esquema. "Quando preciso de dinheiro rápido, vendo cada LP por R$ 1,70, mas já cheguei a vender por R$ 2".
O problema é que quando houver mais vendedores que compradores, o LP vai se desvalorizar, até que os associados percebam que ele não tem valor nenhum. "É uma temeridade pessoas darem dinheiro para algo que não tem nenhuma regulamentação e nem garantia legal", diz o professor de gestão empresarial da faculdade IBS/FGV, Pedro Leão Bispo.
"Captar dinheiro sem oferecer nenhum produto ou serviço é crime contra a economia popular", esclarece o advogado especialista em direito criminal Fernando Khaddour. "Não conheço a Mister Colibri e não posso falar sobre a empresa, mas cabem investigações do Ministério Público ou da Polícia Federal para que sejam esclarecidas as formas de operação da empresa".

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