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Religiosos procuram consolar familiares dos 231 universitários mortos em incêndio

Consternação e dor marcaram o sepultamento, hoje, dos 231 universitários mortos em incêndio, no domingo de madrugada, da boate Kiss, de Santa Maria (a 286 Km de Porto Alegre). Missas, cultos, celebrações ecumênicas estão sendo oficiados em todo o país em memória das vítimas e de seus familiares.
Só em Santa Maria, cidade universitária com uma população de 262 mil moradores, foram enterrados, hoje, 90 jovens. Outros enterros ocorreram em Itaqui, Ijui, Passo Fundo, Erechim, Chapada, cidades do Noroeste do Rio Grande do Sul e em quatro cidades do oeste de Santa Catarinal, locais de procedência dos 120 rapazes e 111 meninas, a maioria entre 17 e 25 anos de idade, que estudavam na Universidade Federal de Santa Maria. Outros 75 jovens estão internados em estado crítico em hospitais da cidade e da capital.
"Lamentamos e choramos com vocês a perda de seus queridos jovens que, no vigor de sua juventude, foram surpreendidos pela fatalidade do acidente", disse o presidente do Colégio Episcopal da Igreja Metodista do Brasil, bispo Adonias Pereira do Lago. "Nossa solidariedade em Jesus nos permite sentir a dor que está em vocês. Contem com nossas orações e apoio", agregou o bispo, também em nome do Colégio Centenário, de Santa Maria.
O pastor presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Nestor Paulo Friedrich, lembrou, em mensagem de solidariedade aos familiares das vítimas, o canto e oração do Kyrie Eleison nos cultos, expressão bíblica que eleva a Deus o clamor de indivíduos e grupos de pessoas que passam por situação de dor insuportável.
"Enquanto comunidade cristã, clamamos e perguntamos: Senhor, tem compaixão! Senhor, por quê? Ainda assim, em meio à dor e às lágrimas, manifestamos nossa palavra de solidariedade às famílias enlutadas e as encorajamos a confiar na presença consoladora e fortalecedora do Deus Criador", expressou Friedrich.
O bispo auxiliar de Porto Alegre, dom Jaime Spengler, destinou mensagem aos familiares dos jovens falecidos: “Somos atingidos por sentimentos de dor e tristeza. Dor pela vida de tantos jovens; tristeza pelas famílias e amigos desses jovens. Por quê? Resta-nos neste instante o silêncio respeitoso; e, sobretudo, a prece solidária”.
O que importa nesse instante de luto, manifestou o editor do site Púlpito Cristão, Antognoni Misael, "é apenas se permitir a se sentir o mais humano possível. Fica a dor e a tarefa de chorar com essas famílias. Orar por cada parente. E rogar a Deus pelos que estão hospitalizados. Que Deus refrigere cada coração despedaçado", pediu.
Em nota ao seu colega de Santa Maria, arcebispo dom Hélio Adelar Rupert, o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, informou que jovens cariocas realizaram vigília na catedral, ontem, quando rezaram pelos falecidos, familiares e amigos das vítimas.
O incêndio, segundo informações da polícia, começou por volta das 2h30 da madrugada de domingo, 27, durante apresentação da banda Gurizada Fandagueira, que utilizou sinalizadores no show pirotécnico que programara. Faíscas teriam atingido o teto da boate Kiss, forrado de espuma do isolamento acústico, iniciando o fogo, que se espalhou pelo prédio em minutos.
Universitários dos cursos de Pedagogia, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia e de dois cursos técnicos reuniram-se na boate para a festa "Agromerados".
O cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, pediu ao clero de sua Arquidiocese que celebrem missas em intenção das vítimas do incêndio. O prelado solidarizou-se com os familiares dos jovens vitimados. Disse que “a tristeza aumenta com a constatação de que a tragédia foi consequência de uma série de erros e omissões, certamente evitáveis, se tivessem sido observadas as normas de segurança prescritas”.
A bispa metodista Marisa de Freitas Ferreira arrolou, entre os motivos de oração, o clamor para que o poder público fiscalize locais de eventos e que os líderes políticos sejam sensíveis e utilizem de forma responsável e justo os recursos dos impostos pagos pela população.
A presidente da República, Dilma Rousseff, antecipou a volta do Chile, onde participava da Cúpula das Américas, e se dirigiu a Santa Maria, onde visitou hospital e o ginásio esportivo onde as famílias aguardavam os corpos de seus filhos e filhas queridos.
A tragédia de Santa Maria foi o segundo incêndio ocorrido no Brasil com o maior número de mortes. O maior incêndio em terras brasileiras ocorreu em 17 de dezembro de 1961, quando um trapezista disparou chamas contra a lona do Gran Circo Americano, onde trabalhava. Morreram 503 pessoas em Niterói, Rio de Janeiro.

ALC
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