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‘A Bíblia’ resumida como você nunca viu é sucesso na TV

Um dos maiores sucessos de audiência da TV americana é “The Bible”, no ar no History Channel. Seu poder de atração reverbera aqui e motiva um movimento no Facebook intitulado “Queremos ‘The Bible’ no Brasil”. São dez horas de programa cobrindo do Gênesis à Ressurreição de Jesus, ou seja, muito em pouco tempo. O primeiro episódio começa já com Noé sacolejando com a bicharada em alto mar. Num breve resumo de como o líder da arca chegou até ali, mostraram Eva mordendo a fruta, mas omitiram as demais passagens entre a criação e o repovoamento da Terra liderado por Noé. Nada de circunlóquios, divagações ou delongas. Se faltam à série qualidades artísticas, sobra aceleração. O primeiro capítulo vai até os israelitas alcançando a Terra Prometida.
Depois de Noé, chegamos a Abraão (convenhamos que pular Abrãao seria demais). Ele ouve o primeiro chamado de Deus e reúne seu povo, convencido da promessa divina de que terá “tantos descendentes quanto o céu tem estrelas”. Torna-se pai de Ismail, gerado por Agar, a criada. Só depois, quando Sara já tem 90 anos e Abrãao, 99, nasce Isaac. Em duas ou três cenas, o patriarca atende ao chamado de sacrificar o filho amado e passa na prova de fé. Tudo isso, mais a destruição de Sodoma e a mulher de Lot virando sal, é contado em fast forward.
“The Bible” ignora passagens imperdíveis, como a que envolve José e seus irmãos traíras, para citar só uma.
No final do capítulo, já estamos em Moisés. Ele descobriu que não é egípcio e sim judeu, e luta pela liberdade de seu povo. Irascível, o faraó, um ator canastrão daqueles que só fazem bem a uma história épica como essa, não libera a saída dos israelitas. Diferentemente do que conta a “Bíblia”, o Moisés da série não gagueja (na certa foi para não atrasar o episódio tropeçando em palavras). As dez pragas também são exibidas em velocidade recorde — com exceção da morte dos primogênitos, que merece alguns minutinhos.
Num momento crítico do embate, o programa faz uma inacreditável homenagem aos filmes de kung fu e os capangas do malvado faraó agitam as espadas feito samurais. Quando finalmente os judeus seguem pelo deserto e Moisés faz o mar se abrir, vem uma apoteose de efeitos especiais. Cinco minutos depois, Moisés aparece rapidamente descendo do Monte Sinai com as tábuas da lei. Pularam também a parte do bezerro de ouro. Ao fim do capítulo, Josué já está na boca da Terra Prometida, só falta dominar Jericó (mas isso se faz, claro, em cinco minutos).
"A Bíblia” é puro entretenimento, o que não chega a ser um demérito porque a produção não caminha — pelo menos no primeiro capítulo — para longe daquilo que está escrito. A série é prejudicada, isso sim, por um elenco careteiro e por seu ritmo alucinante, que peca por não valorizar aquilo que merece ser saboreado. Ainda assim, poucas histórias são tão deliciosas quanto aquelas. Mesmo quando servidas em rápidas e rasas colheradas.

O Globo (Patrícia Kogut)
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