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Minoria cristã sofre com violência egípcia

Na pequena comunidade de cristãos coptas no Cairo, o assunto é um só: os ataques das últimas semanas contra esta minoria religiosa no país, que destruíram igrejas e deixaram mortos, no que é visto como uma onda de violência sectária sem precedentes no Egito.
- A Irmandade Muçulmana tentou atacar a minha igreja. É repugnante, é terrorismo - disse o estudante Rober Magdi, de 24 anos, cristão copta no Cairo.
A vida já não era fácil para os coptas, que representam 10% da população egípcia de 85 milhões e, há décadas, são vítimas de discriminação e ataques esporádicos. A hostilidade cresceu com a eleição do islamista Mohamed Mursi, em 2012, e explodiu após forças de segurança dispersarem à força, há dez dias, acampamentos com milhares de partidários do presidente deposto, desencadeando uma série de confrontos que deixou cerca de 900 mortos.
Coptas dizem ser alvo de simpatizantes da Irmandade Muçulmana, que veem os cristãos como cúmplice da ação dos militares que depôs Mursi - muitos coptas se juntaram aos protestos que reuniram milhões nas ruas contra o presidente em junho, e o Papa Tawadros II, líder da Igreja Copta, esteve ao lado do general Abdel Fattah Al-Sisi, chefe das Forças Armadas, no anúncio da queda de Mursi.
Ao menos 38 igrejas foram destruídas ou incendiadas na onda de violência, centenas de lojas e propriedades sofreram ataques e ao menos seis cristãos foram mortos e sete sequestrados, segundo o grupo ativista copta Maspero Youth Union.

Casas marcadas
A hostilidade se espalhou pelo país, e foram registrados ataques em oito províncias egípcias, especialmente na região sul, onde a comunidade cristã é maior e a violência sectária também. Há diversos relatos de que líderes islâmicos incitaram atos contra cristãos, transmitindo mensagens contra coptas pelos alto-falantes de mesquitas e durante os protestos pela restituição de Mursi que tomaram o país.
- Todos nós sabemos quem fez isto. Temos certeza de quem fez isto. Isto foi organizado, especialmente, por um grupo: a Irmandade - diz o empresário copta Pete Karam.
Moradores da cidade de Minya, ao sul da capital e onde diversas igrejas foram destruídas, dizem que na semana após a queda de Mursi, em 3 de julho, propriedades de coptas foram pichadas com um "X" para separá-las daquelas cujos donos eram muçulmanos. As marcadas foram atacadas semanas depois.
- As pessoas em Minya não saem de casa, estão aterrorizadas. Até homens choram, não só mulheres. E a polícia não faz nada. Eles deixaram a Irmandade nos matar e destruir igrejas - disse Magdi, que mantém contato com amigos na cidade.
Ativistas citados pela Anistia Internacional disseram que, em um dos ataques da semana passada, criminosos desrespeitaram sepulturas consideradas sagradas pelos coptas e realizaram orações muçulmanas nas igrejas.
Em diversas partes do Egito, cristãos passaram a se refugiar em suas casas. No Cairo, na quarta-feira, somente algumas pessoas caminhavam pelas ruas do bairro copta, uma das atrações turísticas da capital. Perguntado sobre o que achava da violência contra cristãos, um vendedor disse: - A única coisa boa disso tudo é que Mursi saiu.
Organizações de direitos humanos acusam líderes da Irmandade Muçulmana de fomentarem entre simpatizantes o sentimento contrário aos coptas e de não condenarem de forma veemente os ataques à minoria, que foram considerados como "sem precedentes" pela Anistia.
Diversos grupos afirmam também que o governo interino não agiu para evitar a violência. Na maioria dos casos, não havia presença militar ou policial antes ou durante os ataques, apesar de diversos pedidos de ajuda, segundo o grupo Human Rights Watch (HRW). A inação é vista por muitos como parte de uma estratégia do governo de capitalizar sobre os ataques, fortalecendo seu discurso de que luta contra "terroristas".

Governo inerte
"Durante semanas, todos poderiam ver que esses ataques aconteceriam, com membros da Irmandade Muçulmana acusando os cristãos coptas de envolvimento na queda de Mursi, mas as autoridades fizeram pouco ou nada para evitá-los", disse em nota o diretor do HRW para o Oriente Médio, Joe Stork. "Agora, dezenas de igrejas estão em ruínas, e os cristãos que vivem em todo o país estão se escondendo em suas casas, temendo por suas vidas." A Irmandade nega ser responsável pelos ataques, que diminuíram nos últimos dias. Mas cristãos permanecem com medo.
- Novos ataques vão acontecer, eu tenho certeza - disse o empresário Karam.

Globo via Yahoo
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