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Pastor evangélico se orgulha de pai ex-usuário e traficante de drogas

Pastor Diego, de verde, com o pai Humberto
Pai fugiu de casa por causa das drogas quando tinha 12 anos.
Pai de pastor criou projeto que retira dependentes químicos das ruas.
"Meu pai já foi das drogas. Meu pai foi preso 16 vezes por tráfico. Hoje ele é meu exemplo”, garante o pastor evangélico Diego Gabriel de Assis Machado, de 30 anos, responsável por um projeto, em Porto Velho, que retira dependentes químicos das ruas com o objetivo de recuperar a saúde e reinclusão social. O projeto foi criado em 2009 em São Paulo pelo pai de Diego, Humberto Machado, de 55 anos.
Diego, que é de Salvador (BA), conta que o pai fugiu de casa quando tinha 12 anos e passou a morar na rua. Na época, Humberto começou a cheirar cola, roubar e a traficar. Conheceu a esposa, que era funcionária de um shopping, que influenciada pelo marido também passou a ser usuária de drogas. Somente quando engravidou de Diego a mulher de Humberto resolveu parar de usar drogas. “Minha mãe tem marcas pelo corpo, de tantas vezes que ela tentou se matar. Isso é muito triste”, diz Diego que tem mais dois irmãos mais novos.
Por usar e traficar drogas, Humberto foi preso 16 vezes. O pastor revela que ex-dependentes químicos e ex-presidiários encontram muitas dificuldades para se restabelecer e se reintegrar na sociedade. “Na rua você encontra todo tipo de gente. E não há espaço para essas pessoas na sociedade. Não há espaço nem na igreja", diz o pastor que nasceu no período em que seu pai ainda era usuário e traficante de drogas.
A mudança na família de Diego começou pela mãe que se recuperou primeiro. Um amigo da família procurou Diego para ajudar o pai a mudar de vida. Segundo o pastor, o pai começou a frequentar uma igreja e a fazer tratamento para desintoxicação. “Não foi uma coisa fácil. Hoje meu pai dá testemunho por onde passa, contando seu exemplo de superação que serve para muitos jovens envolvidos com o crack, que é um mal em nosso país".
Com a recuperação, Diego conta que o pai resolveu ajudar outras pessoas, que começou em Salvador. Após alguns anos, mudaram-se para São Paulo onde montaram uma barraca e uma igreja dentro da cracolândia. "Meu pai foi ousado e corajoso. Alimentava os viciados, cortava o cabelo, dava banho e assim muitas pessoas pediam ajuda e ele foi pensando em uma forma de retirar essas pessoas de lá". Foi então, que em 2009, nasceu o projeto Cristolândia, conta Diego. O projeto cresceu e se fortaleceu. Hoje está em nove capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Vitória, Brasília, São Luiz, Belo Horizonte e a mais recente, Porto Velho.
Com o projeto, mais de cinco mil pessoas já foram retiradas das ruas e já foram ou estão sendo reinseridas na sociedade, diz o pastor Diego. Por causa da implantação do projeto em Porto Velho, há cerca de dois meses, Diego passou a morar na capital de Rondônia, o pai continua morando em São Paulo.
"A experiência ruim do meu pai deu suporte para que ele pudesse entender como essas pessoas se sentiam. Elas não querem apenas comida, banho ou roupa limpa. Elas querem ajuda. E a ajuda é dar de volta à essas pessoas uma vida, coisa que eles perderam", afirma Diego.
O projeto é mantido por doações e, normalmente, a igreja toma a frente e coordena. "Meu pai sofreu, foi preso, mudou e agora está mudando a vida de outras pessoas. Ele é pastor. Mas não é apenas mais um pastor. A igreja tem que ter uma utilidade pública. Sou fã do meu pai. Ele é meu herói", finaliza o pastor Diego.
Pastor e voluntários do projeto Cristolândia, em Porto Velho


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