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`Não sou pai de santo, sou evangélico´, diz acusado de estupros

A polícia apresentou, nesta segunda-feira (9), o acusado do estupro ocorrido no último dia 28 de julho, contra uma mulher de 51 anos, em uma mata, na saída para Cuiabá. O pedreiro diarista, Giunaldo Pereira Ferreira, de 46 anos, se apresentava como José de Abaderiá e dizia ser um "pai de santo", abusando assim das vítimas que procuravam seus trabalhos espirituais, para que tivessem "abertura de caminhos". Apesar do modus operandi, o acusado negou, durante a apresentação, ser religioso de qualquer segmento de matriz africana, como Candomblé e Umbanda. “Não sou pai de santo. Sou evangélico. Tá amarrado em nome de Jesus esse negócio de Pai de Santo.”
Giunaldo é acusado de dois crimes e, segundo a delegada Roseli Molina, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), uma terceira vítima está em vias de fazer o reconhecimento. No caso da vítima de 51 anos, Ferreira ainda teria a ameaçado com uma faca e um revólver, mas a polícia não encontrou nenhuma arma de fogo em sua residência, no Jardim Noroeste. A outra mulher, de 23 anos, foi ludibriada pelo homem em agosto do ano passado, o que configura o crime de violação sexual mediante fraude, já que Giunaldo se valia da falsa carapuça de sacerdote para cometer crimes. Ele ainda dizia estar encorporado com o "Exú sete flechas", sendo este quem praticava os atos.
O homem foi preso no jardim Noroeste na noite de sexta-feira (6), em virtude do trabalho conjunto entre as três delegadas da Delegacia da Mulher, Roseli Molina, Fernanda Félix e Marília de Brito Martins. Na residência a polícia encontrou imagens de gesso, que compunham uma especie de altar, mas nenhum ritual era realizado, as vítimas eram levadas para ambientes distantes da residência.
O acusado negou que cometeu qualquer crime. Ele disse que nunca praticou nenhum ato sexual sem consentimento.

Charlatanismo
Depois que o caso veio à tona, a Federação Sul-Matogrossense de Cultos de Matriz Africana Axé Ilê se pronunciou em repúdio à prática de Giunaldo. De acordo com os religiosos, nenhum ritual de Umbanda ou Candomblé envolve qualquer ato com conotação sexual. A Federação ainda nega que Giunaldo componha o quadro de sacerdotes das religiões de matriz africana do Estado.
Após a apresentação de Giunaldo, a reportagem do Capital News entrou em contato com o verdadeiro Abaderiá, um sacerdote reconhecido pela comunidade religiosa do Estado e que tomou conhecimento do caso pela imprensa. Ele declarou se sentir lesado pelo charlatão, tendo em vista que seu nome foi utilizado para dar mais veracidade a pseudo-identidade que Giunaldo inventou.
Abaderiá tem 63 anos de idade e é zelador espiritual há 40 anos. Ele admite que deu publicidade aos seus auxílios espirituais por meio de folhetos e acredita que Giunaldo tenha se apoderado de seu nome para compor o disfarce.
O zelador estará hoje às 14h na Deam, a fim de colaborar com as investigações e esclarecer o atentado contra sua identidade religiosa. Abaderiá irá procurar na justiça meios para que o falso pai de santo seja indiciado também por falsidade ideológica, danos morais e difamação.
A Federação Axé Ilê disse que está consultando seu departamento jurídico para também pedir representação contra Giunaldo por exercício ilegal da atividade religiosa, danos morais, difamação e falsidade ideológica.

Pena
A pena prevista para estupro é de seis a 10 anos de prisão. No caso da violação sexual mediante fraude, a pena é de um a cinco anos, mas outras qualificadoras podem ampliar a pena de Giunaldo.

CapitalNews
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