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Teólogos defendem nova postura da Igreja Católica sobre sexo

Ao responderem questionário elaborado pelo Vaticano com tópicos sobre a família, teólogos alemães propuseram que a Igreja Católica adote um paradigma inteiramente novo sobre o sexo, com base não em avaliações morais, mas sim na fragilidade do casamento e na vulnerabilidade que as pessoas vivenciam em sua sexualidade.
O questionário é parte da preparação do Sínodo convocado pelo papa Francisco para outubro sobre os "desafios pastorais para a família no contexto da evangelização", informa o repórter Joshua J. McElwee, da National Catholic Reporter.
Para os 17 representantes da Associação dos Teólogos Morais Alemães e da Conferência dos Teólogos Pastorais de Língua Alemã que já responderam o questionário, os ensinamentos da Igreja sobre o sexo vêm de uma "realidade idealizada".
“Torna-se dolorosamente óbvio que o ensino moral cristão, que limita a sexualidade ao contexto do casamento, não possa olhar de perto o suficiente as muitas formas de sexualidade fora do casamento”, dizem os signatários da resposta ao questionário.
Eles argumentam que as pessoas "não se satisfazem quando a igreja propõe apenas o celibato e o matrimônio como formas legítimas de viver". Os ensinos da igreja quanto ao valor da família não levam em conta a experiência. “À luz do Evangelho, a questão que se deve examinar é se as outras formas de viver poderão ser destituídas do veredito do pecado”, afirmam.
Os teólogos assinalam, também, que para a maior parte dos católicos que se divorcia a declaração de anulação do casamento é "irrelevante" porque não percebe a nulidade do casamento, mas sim o seu fracasso "e porque anseiam uma vida apesar desse fracasso".
Ao responder a perguntas sobre a proibição da igreja de métodos contraceptivos artificiais, os teólogos afirmam que “mesmo os católicos mais comprometidos não percebem o uso que fazem desses métodos como conflitantes com seu envolvimento na Igreja, o que poderia levar a mudanças em suas práticas sacramentais”.
Eles propõem um paradigma com três dimensões: do cuidado, para "proteger o que é frágil", da emancipação, que "abra perspectivas novas quando a vulnerabilidade se tornou violação", e da reflexão, que “aceite a vulnerabilidade e contrarie a banalização e rotinização da sexualidade”. Eles dizem que o casamento poderia, então, ser "compreendido como uma instituição que projete esta fragilidade, não como uma instituição de obrigação”.
Entre os teólogos que assinam o manifesto estão Antonio Autiero, professor emérito na Universidade de Munster; Karl-Wilhelm Merks, professor emérito na Universidade de Tilburgo; e Eberhard Schockenhoff, professor na Universidade de Friburgo, na Alemanha.

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