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Queda de volume faz rio em que Jesus foi batizado parecer um riacho

O sagrado Rio Jordão, que os antigos chamavam de jardim de Deus, já teve um volume de águas 50 vezes maior.
Na beira da estrada que corta o deserto, o sultão mandou construir uma fortaleza para proteger os peregrinos. Eram muçulmanos a caminho da cidade sagrada de Meca.
Quinhentos anos atrás esse deserto ficava no Império Otomano. E Al Qatraneh funcionava como local de descanso. Tinha até quartos e refeitórios. Mas a fortaleza foi construída porque sem água os peregrinos jamais conseguiriam atravessar o deserto.
A água vinha de um rio temporário. Parava em piscinas pequenas, o barro descia e aí sim a água boa passava para um piscinão para abastecer as famílias.
Era preciso guardar o máximo possível de água porque, como acontece até hoje, o rio passa a maior parte do tempo seco.
A difícil missão de encontrar água no deserto tem milhares de anos. Mas pra Jordânia, esse é um dos piores momentos.
Imagine um lugar onde não existem lagos nem lagoas. Onde os poucos rios que serviam como fonte de água para beber, ou secaram por causa da ação do homem ou foram poluídos. A Jordânia é um dos países mais secos do mundo e encontrar água lá é quase tão difícil quanto mover montanhas.
Por onde quer que a gente viaje é tudo seco. Mas embaixo tem uma reserva gigantesca. Água de sobra.
O Aquífero Disi é tão grande que vai da Jordânia à Arábia Saudita. E os poços são pra perfurar essas pedras e tirar água a 300 metros de profundidade.
As famílias jordanianas recebem água no máximo duas vezes por semana.
O ministro Hazem al Naser explica que a crise de água se agravou muito por causa das guerras em países próximos, que mandaram cinco gerações de refugiados pra lá.
"Nosso último problema é a guerra civil na Síria, que fez a Jordânia receber mais de um milhão de pessoas em apenas dois anos. Essas pessoas vieram pra cá sem sequer uma garrafa d’água. E essa situação exigiu ainda mais das nossas fontes, que por natureza já não são suficientes”, afirma o ministro.
Como o Mar Morto, sacrificado pela sede das populações vizinhas, o rio que dá nome à Jordânia também está à beira da morte. O sagrado Rio Jordão, que os antigos chamavam de jardim de Deus, já teve um volume de águas 50 vezes maior. E muitas partes que eram rio, agora são pura erosão.
Em um lugar importantíssimo para o cristianismo, onde se acredita que Jesus Cristo foi batizado por João Batista, a terra seca é o que um dia foi o leito do rio Jordão. Hoje a água só chega lá quando acontecem tempestades nesta região. Tempestade lá é uma coisa muito rara.
O rio seca também porque as águas de dois tributários foram desviadas. E o guia explica um dos motivos aos turistas: a água é retirada para irrigar as fazendas. "O Rio Jordão está morrendo. Infelizmente", ele diz.
Em outro ponto do Rio Jordão, pessoas do mundo inteiro vão repetir a cena histórica, o momento histórico, de se batizar com as águas do mesmo rio onde Jesus Cristo foi batizado.
Teria sido depois de sair dessas águas que Jesus começou a pregação pela Galiléia.
Padres e pastores do mundo inteiro levam fiéis pra repetir o ritual.
E saem todos de alma lavada. Rebatizados nas águas do mesmo Rio Jordão que recebeu Jesus. E que, do jeito que as coisas vão, pode acabar virando só uma página seca, de uma belíssima história.

Globo Repórter
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