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Judeus franceses emigram para Israel em cada vez maior número

Mais de 5.000 franceses de origem judia deverão emigrar para Israel só este ano, espera a Agência Judaica de Israel, que procura atrair judeus de todo o mundo a estabelecer-se no país. Desde os anos 90 do séc XX que o número anual rondava os 2.000 por ano, mas a crise económica e o crescimento das ameaças fundamentalistas de extrema direita e muçulmana começam a pesar. O número de franceses a decidir estabelecer-se em Israel está prestes a atingir o pico de 5,292 registado em 1967 após a Guerra dos Seis Dias e, a este ritmo, deverá mesmo ultrapassa-lo em breve.
O Governo francês está consciente do fenómeno mas, oficialmente, não mostra preocupação. "A emigração é uma escolha individual e não nos compete comenta-la" reagiu o porta-voz do Ministério francês dos Negócios Estrangeiros, Romain Nadal.
O aumento da emigração segue a tendência dos últimos dois anos. Em 2012 o número de pedidos foi de 1.900 e em 2013, de 3.300. São, sobretudo, jovens. "É uma tendência em França para os jovens, emigrar e tentar encontrar oportunidades noutros locais", justifica Sharansky.
A emigração dos jovens judeus poderá também ser um alívio para França, a braços com taxas de 25% de desemprego jovem, contra os correspondentes 11% em Israel.

Influência da imigração: jovens em Netanya, Israel, a fazer Parcours, uma modalidade originária de França, de movimento livre que inclui saltos, corridas e escalada (Reuters)

Apoios à imigração
De acordo com Nathan Sharansky, diretor da Agência Judaica, se a fasquia dos 5.000 for ultrapassada isso representará 1% da comunidade judaica francesa, que ronda as 500.000 pessoas (de acordo com estimativas, já que a lei francesa proíbe a inclusão da religião nos documentos de identidade).Economicamente, a mudança para os judeus franceses é atrativa também pelos apoios concedidos pela Agência Judaica, que dispõe de dezenas de milhões de dólares anualmente para atrair judeus a Israel de forma permanente.
Apesar de o Governo israelita começar a admitir a necessidade de inverter a sua estratégia de atrair judeus do mundo inteiro, a Agência Judaica dispõe anualmente de 29 milhões de dólares só para convencer as comunidades da Europa, com outros oito milhões de dólares reservados para os ajudar a instalar-se.
Para Israel apertar os laços com a diáspora, todos os anos convida e recebe ainda cerca de 1000 jovens judeus franceses para uma estadia de um ano. Cerca de 70% deles decide permanecer no país. Agora outros estão a segui-los.
Três crianças e um rabi mortos num ataque em Toulouse em 2012 foram enterrados em Israel, provando os laços fortes que unem as comunidades judaicas (Reuters)

Receio pela Europa
David Kadoch está prestes a abandonar a sua França natal para se juntar aos dois irmãos, já em Israel.
Administrador de redes, casado e com duas filhas de um e de três anos, está mais otimista quanto ao futuro em Israel apesar de mal falar hebreu. Receia pelo futuro da Europa, em particular da França.
Dieudonné M'Bala M'Bala, comediante francês, cujo espetáculo foi proibido em França por insultar a memória das vítimas do Holocausto (Reuters)

"Há um crescimento de anti-semitismo, existe um clima social difícil, a economia está horrível. De um e de outro lado, temos pessoas hostis aos judeus, por razões completamente diferentes. E não vejo como, neste contexto, a história poderá não se repetir", diz Kadoch.
E a insegurança em Israel é completamente diferente, acrescenta. "A segurança em Israel é, pelo menos, liderada por pessoas que têm os mesmo interesses que nós. Não é necessariamente o caso noutros países do mundo."

"A vida é bela, aqui"
Laurie Levy, de 26 anos, estabeleceu-se em Tel Aviv em 2013, abandonando uma carreira jurídica em França e trabalha agora numa empresa israelita de design. Nascida em Toulouse, deixou em França os pais e os irmãos e preocupa-se mais com a segurança deles do que com a sua.
"A vida é bela aqui. Trabalha-se, vai-se à praia, está-se com amigos. Não se tem medo. A ironia é que agora estou mais preocupada com eles do que eles estão comigo."Para Laurie, a partida tornou-se imperativa após um francês muçulmano radicalizado ter atacado a tiro uma escola judaica e vários soldados, fazendo sete mortos.
Ariel Kandel, que dirige a Agência Judaica em Paris, diz que nunca pensou ver a França tornar-se menos atrativa do que Israel, apesar de se manter como um dos países com melhor segurança social e nível de vida.
Jovens manifestam-se em Paris, França, em 2012, após o ataque em Toulouse contra alunos e um rabi numa escola judaica (Reuters)

Os judeus franceses "estão a ver-se entre a extrema direita na Europa e o Islão radical na Europa", diz Kendal.

Ameaça extremista
Nas recentes eleições europeias, em França e noutros países registou-se um aumento de representação dos partidos de extrema-direita.
A Frente Nacional, cuja líder já foi várias vezes acusada de anti-semitismo, ganhou mesmo as eleições em França e em maio, na véspera das eleições, um atirador atacou um museu judaico na Bélgica. O suspeito detido era um francês que, de acordo com as autoridades, regressou recentemente de lutar ao lado de extremistas islâmicos na Síria.
Milhares de judeus ortodoxos do movimento hasídico Bratslav, congregam-se todos os anos na cidade de Uman, 200 Km a sul de Kiev, Ucrânia, junto ao túmulo do seu fundador aqui enterrado em 1810 (Reuters)

França tem a segunda maior comunidade de judeus do mundo, a seguir a Israel e aos Estados Unidos. Mas não é só a comunidade francesa que está a emigrar para Israel. Também os judeus da Ucrânia estão a emigrar em maior número, depois do início dos combates entre separatistas e nacionalistas e devido à distribuição de propaganda anti-semita e à crescente tensão com a Rússia.

Reuters via RTP
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