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A véspera de Natal em que os astronautas leram a Bíblia enquanto orbitavam a Lua

Será que a transmissão televisiva dos astronautas da Apollo 8 lendo o Gênesis seria permitida hoje?
A Apollo 8 foi a primeira nave espacial tripulada a deixar a órbita da Terra e a primeira a orbitar a Lua. Quando a nave chegou à Lua, na véspera do Natal, cerca de 2 bilhões de pessoas, a maior audiência televisiva da história até aquele momento, estava sintonizada para testemunhar o acontecimento revolucionário, enquanto os astronautas transmitiam imagens da superfície lunar a partir da nave espacial.

Eu me lembro que a minha família interrompeu as celebrações natalinas naquela noite para assistir às imagens em preto e branco da bela e austera superfície lunar. Os astronautas se revezaram lendo os dez primeiros versículos do livro do Gênesis enquanto víamos aquelas imagens arrepiantes. Eu era apenas um menino, mas me lembro muito bem do efeito fascinante de ouvi-los dizer que "no princípio, Deus criou os céus e a terra", enquanto víamos passar pelas janelas da Apollo 8 as crateras da Lua. Fomos dormir naquela noite com a sensação firme de fazer parte de uma ordem criada muito maior do que nós mesmos.
Mas nem todo mundo ficou tão comovido. A famosa ateia Madelyn Murray O'Hair ajuizou uma ação contra a NASA (National Aeronautics and Space Administration) e exigiu uma liminar que a proibisse de "permitir atividades ou cerimônias religiosas, especialmente a leitura da Bíblia da sectária religião cristã, bem como a recitação de orações no espaço, em todas as futuras atividades de voo espacial". O'Hair se opôs à leitura do Gênesis por parte dos astronautas durante o programa de televisão e acusou a NASA de agendar o voo da Apollo 8 para a época do Natal "por motivos religiosos".
Três juízes rejeitaram os argumentos extremos de O'Hair. Eles entenderam, corretamente, que, quando o governo aceita a expressão religiosa privada, ele está protegendo a liberdade de expressão e a liberdade de religião, sem violar lei alguma: "As manifestações religiosas dos astronautas, transmitidas pela televisão, foram feitas pelos astronautas como indivíduos e não como representantes do governo dos Estados Unidos (...) Proibi-los de realizar tais manifestações teria constituído uma violação dos seus direitos religiosos". A Suprema Corte norte-americana rejeitou o recurso da O'Hair.
Ao ler esta opinião, eu me entristeci por ver que o ateísmo de O'Hair a cegou diante da glória que aconteceu naquela noite. Junto com milhares de milhões de pessoas, eu assisti naquela véspera de Natal a algo histórico e extraordinário: seres humanos que tinham partido da Terra estavam circundando a Lua pela primeira vez. Quando leram as palavras do Gênesis, eles colocaram a sua descomunal realização num contexto mais amplo. Suas palavras nos lembraram de verdades gigantescas sobre Deus e sobre a ordem criada, que nos uniram e fizeram com que nos sentíssemos parte de algo muito maior do que nós mesmos.
Madalyn Murray O'Hair pode ter perdido tudo isso naquele momento inédito, mas nós, nesta presente época de Natal, em meio à correria e às agitações, também corremos o perigo de perder a glória do verdadeiro significado do Natal. Dediquemos um pouco mais de tempo a refletir sobre a maravilha de que o mesmo Deus que colocou a Lua no céu também tenha enviado o seu próprio Filho para nascer numa simples manjedoura e para ser o "Deus conosco".

Publicato em Aletheia
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