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Padre faz campanha contra outdoors com anúncios eróticos: 'Afronta'

Outdoor promove festa com imagem de mulheres sensuais
Ele diz que painéis são desrespeitosos e já aconselhou depredação, em GO.
Pároco tem apoio de deputado federal e desabafa: 'Não é puritanismo'.
Um padre vem realizando uma campanha para tentar abolir a presença de outdoors de casas de shows que contenham mensagens eróticas ou pornográficas em Goiás. Responsável pela Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana, Luiz Augusto Ferreira da Silva, de 54 anos, afirma que os painéis são um desrespeito à família e são responsáveis pelo crescimento dos casos de adultério.
"Um absurdo, uma afronta total à família e pessoas que sabem se valorizar. Como é que de repente uma casa de prostituição tem uma festa assim anunciada? Depois começou com mais força com propagandas de outras casas e desde então estes anúncios têm ficado mais agressivos. Cada dia é uma mulher seminua diante dos nossos olhos", disse ao G1.
O pároco revela que sua luta começou no início do ano passado, após ver cartazes promovendo a festa de 50 anos de uma casa de shows. A partir daí, o padre começou a repassar sua ideia nas celebrações que fazia.
Padre pede que outdoors com anúncios eróticossejam removidos
Ele confessa que chegou ao ponto de aconselhar os fiéis a jogar tinta e até colocar fogo em alguns outdoors com os anúncios em questão. "Alguma coisa tinha que ser feita, mesmo que fosse preso um dia, para chamar atenção de quem tem autoridade para isso", afirma.
A atuação nesse caso, segundo Luiz Augusto, é vista por algumas pessoas como hipócrita, uma vez que a pornografia está acessível com muito mais facilidade após as inovações tecnológicas. Porém, ele defende o direito de poder escolher ou não essa opção.
"Não é puritanismo. Pelo contrário. É uma valorização da pessoa. Dizem que na internet tem coisa pior, mas lá a pessoa acessa quando quer. Agora [os outdoors são] uma coisa que nos é imposta e eu não sou obrigado a ver esse tipo de coisa porque eu sou cidadão e estou pagando meus impostos para isso. Isso é pornografia, não tem nada de conteúdo erótico não. Essa publicidade não tem que ser legalizada nunca. Temos que promover a paz e a solidariedade", diz. Legislação
Ele também procurou o Ministério Público e a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) - responsável por esse tipo de fiscalização - e sindicatos da área. O esforço resultou na publicação da Lei Municipal 9.506, de dezembro de 2014, que proíbe a veiculação de material publicitário com fins eróticos em outdoors em Goiânia.
O texto estabelece ainda multa de R$ 1 mil por peça veiculada. Na última quarta-feira (18), a Amma retirou vários painéis irregulares espalhados pela cidade.Uma empresa, responsável por 95% dos anúncios segundo a agência, foi multada no valor de R$ 50 mil. Esta é a quinta vez que o estabelecimento sofre esse tipo de punição.
Apesar do trabalho já realizado, o pároco, que também é formado em direito, diz que não está satisfeito. "Deu resultado, mas precisa melhorar. Ainda existem alguns outdoors em Goiânia que não foram retirados. Outros estão sendo levados para outras cidades, como Aparecida de Goiânia e Trindade, que não têm essa legislação", diz.
Na tentativa de abranger a fiscalização, o padre ganhou um aliado dentro da Câmara Federal. Eleito nas últimas eleições como o deputado mais votado da história de Goiás, o delegado Waldir Soares abraçou a causa do padre. Frequentador da paróquia, ele se dispôs a ajudar.
"Já acompanhava a luta praticamente sozinha dele e disse que iria ajudá-lo. Minha intenção é conversar com os prefeitos da Região Metropolitana em relação à fiscalização e com a Polícia Civil para averiguar a conduta criminosa por exposição de pornografia. Também estudo ampliar essa lei de Goiânia para o âmbito federal", conta.

Anúncio de casa de show pede doação de alimentos em troca de ingresso: 'Afronta
Preocupação
Para o padre, a questão dos anúncios não é só religiosa. Ele afirma que não defende uma bandeira católica, mas sim de apoio e preservação da família. Em um caso que afirma ter atendido, o pároco diz ter ficado assustado com a forma que a publicidade está atingido as pessoas, principalmente, crianças.
Trabalho com crianças na catequese e uma mãe me procurou com um filho dela de 12 anos sem saber o que fazer porque ele disse que, quando adulto, queria trabalhar com uma rede de motéis porque tinha visto os outdoors. É lamentável essa situação. Essas casas são legais? Isso é problema da Justiça. Mas colocar isso publicamente como se fosse o comércio de uma feira é bem diferente", opina.
Outro ponto que causou espanto ao religioso foi o fato de alguns estabelecimentos relacionarem o acesso a festas nesses locais com ações de solidariedade. Na conta do Facebook da paróquia, há um anúncio de uma casa de show que diz: "Entrada 5 kg de alimento não perecível. Toda segunda de fevereiro. Ajude as pessoas carentes festando. Deus vai te abençoar muito". "Isso é uma afronta a nossa fé a todos os cristãos", diz o padre.

Polêmicas
Não é a primeira vez que o Padre Luiz se envolve em um assunto polêmico. Depois de ficar por 15 anos à frente da Paróquia Sagrada Família, na Vila Canaã, em Goiânia, ele foi afastado em maio de 2011. A saída gerou clamor dos antigos fiéis por sua volta. Por esse episódio, ele ficou conhecido como o "padre das multidões".
O padre no dia em que voltou a celebrar uma missa após quase um ano
Em fevereiro de 2012, ele assumiu o comando da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus. Na primeira missa, levou 3 mil fiéis a um espaço onde cabiam apenas 300. Na época, por todo envolvimento que tinha com a comunidade, ele admite ter ficado magoado. Porém, hoje, revela que conseguiu entender a mudança.
"Hoje consigo perceber que a mão de Deus me levou claramente para o lugar onde as pessoas precisavam muito. Todos os dias em que tenho que ajudar alguém vejo como uma grande graça. Naquele momento, Deus me fechou os olhos para as coisas que eu não estava pronto a acolher e para abrir as portas em outro lugar sempre caminhando com fé", afirma ele, que já tem 19 anos de sacerdócio.

Publicado em G1
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