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Religião milenar é vítima do terror dos extremistas do Estado Islâmico

Coptas originários do Egito tiveram 21 homens decapitados por extremistas do Estado Islâmico em uma praia na Líbia nesta semana.
Esta semana, os terroristas do Estado Islâmico divulgaram um vídeo chocante. Em uma praia da Líbia, 21 homens foram decapitados. Eles eram coptas, um grupo de cristãos originário do Egito.  O martírio e as mortes por questões religiosas aparecem na origem da história dos coptas. Eles contam que o apóstolo Marcos, tido como o fundador da igreja deles, foi arrastado por cavalos até morrer.
E ao longo de quase dois milênios, muitos coptas morreram por causa da fé. Mas fazia tempo que eles não eram alvo tão direto, de um massacre tão violento.
Os 21 degolados pelos terroristas do Estado Islâmico em uma praia da Líbia foram mortos apenas porque eram seguidores da Igreja Ortodoxa Copta, a maior igreja cristã do Egito.
No dia seguinte à divulgação do vídeo, o Egito bombardeou as bases do Estado Islâmico na Líbia. Ao longo da semana, os coptas choraram e protestaram.
Em Jerusalém, carregaram caixões pelas mesmas ruas por onde Jesus Cristo carregou a cruz. No mundo inteiro, e também no Brasil, ouviram pedidos de desculpas de muçulmanos chocados, e de certa forma envergonhados, com a barbárie de terroristas que dizem agir em nome da religião islâmica.
“Ele é de Islã, mas ele escreveu a palavra muito linda para mim. Duas palavras pequenininhas: Meu sentimento. Deus dá descanso às almas desses meninos”, afirma Aghason Anba, bispo da Igreja Copta Ortodoxa do Brasil.
Como sempre fazem, os cristãos coptas rezaram pelos mortos e continuam rezando.
Ainda que não seja muito conhecida no Brasil, a Igreja Copta foi uma das primeiras da história do Cristianismo. Nasceu algumas décadas depois da crucificação de Cristo quando, segundo a tradição, o apóstolo Marcos saiu da Terra Santa e foi fundar a Igreja de Alexandria no Egito. As igrejas caminharam juntas até o ano de 451, quando os coptas se separaram dos outros cristãos por conta de uma discussão sobre a natureza de Jesus Cristo.
A discussão teológica deixou de ser motivo para desavenças e hoje os coptas, os ortodoxos e os católicos são extremamente parecidos na fé. Os coptas não acreditam em purgatório, dizem que as almas das pessoas mortas vão direto para o céu, ou para o inferno.
A missa é rezada em árabe e em uma língua copta milenar, que tem origem nos faraós do Egito. São mais de duas horas de cerimônia, e o padre faz um grande ritual em torno do pão, que eles afirmam ser o corpo de Cristo.
A comunhão dos coptas não tem hóstia. O pão é molhado com água para relembrar o batismo de Jesus, e depois repartido entre os fiéis.
Um sinal bastante claro da importância histórica dos coptas é que eles têm na Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém, uma capela em um lugar muito muito especial. É bem atrás do túmulo de Jesus Cristo, um lugar que cristãos do mundo inteiro fazem questão de visitar.
A capela é pequena mas fica no ponto onde, segundo a tradição, Jesus foi enterrado, e ressuscitou. Enquanto eles rezam, a procissão católica se aproxima.
Bem diferente do que já aconteceu no passado, o bispo católico vem beijar o padre copta. E nesse momento difícil para os irmãos do Egito, as velas e as homenagens são para eles ainda abalados, e também orgulhosos, pela atitude dos coptas assassinados pelos terroristas.
“Quando eles estavam de joelhos”, diz o padre copta Bishoi Zeqi, “eles estavam rezando. Pedindo a Deus para recebê-los no céu".
O padre diz que, se fosse preso pelo Estado Islâmico, faria exatamente como os coptas mortos na Líbia. “Eu entregaria minha cabeça, mas jamais negaria Jesus Cristo", afirma. O que, de certa forma, é o sentimento dos coptas de Jerusalém, do Egito e do mundo.

Publicado no Fantástico
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