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Novo programa da disciplina de Religião revolta cientistas e alguns pais na Espanha

Novo programa da disciplina pede aos alunos que reconheçam a "incapacidade da pessoa para alcançar por si mesma a felicidade", sem Deus.
O novo programa da disciplina de Religião, aprovado recentemente pelo governo espanhol, está a causar polémica em Espanha. Da comunidade científica a grupos de pais que recomendam que os alunos não escolham esta disciplina, o novo programa, que elimina referências a outras religiões e pede aos alunos que reconheçam "a origem divina do cosmos", está a levantar críticas.
Aprovado na semana passada, o programa, que se aplica a alunos desde o jardim de infância ao ensino secundário, inclui objetivos como reconhecer "a incapacidade da pessoa para alcançar por si mesma a felicidade", e "a origem divina do cosmos", "que não tem origem no caos nem no acaso".
"Os dogmas não deveriam ter lugar nas aulas de um país secular", disse ao El País o presidente da confederação de pais de alunos da escola pública, Jesus Salido. A confederação recomenda aos pais que não matriculem os seus filhos na disciplina. Mesmo um dos sindicatos de professores de Religião desaprova do novo programa. "Acentua a confessionalidade de uma forma exacerbada, usa-se como catequese para evangelizar o aluno de uma forma ilegítima", criticou Alfredo Sepúlveda, responsável do sindicato USIT, que acredita que se perdeu uma oportunidade de abrir o currículo às "mensagens novas que lança o Papa Francisco".
O programa foi elaborado pela Conferência Episcopal Espanhola, e difere do anterior, que tinha sido aprovado em 2007, pois deixa de fazer referência a religiões além da cristã e a temas polémicos como o aborto ou a eutanásia, que antes pertenciam ao currículo da disciplina. Cientistas e filósofos consultados pelo El País consideraram o novo programa "injustificável".
Quanto ao ponto do programa que requer que o aluno reconheça "com assombro e procure compreender a origem divina do cosmos", o físico teórico Alberto Casas declarou-se perplexo. "Parece-me um erro, bastante incrível neste ponto, continuar a recorrer a mistérios inexplicados", disse Casas, da Universidade Autónoma de Madrid.

Publicado no DN
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