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Igrejas enfrentam queda de doações devido a economia estar em baixa

Padre Marcos Pavan admite ajustes para adequação à realidade
As instituições evangélicas e católicas reveem gastos e reduzem até projetos sociais.
A maior parte das famílias brasileiras sente, desde o final do ano passado, alguns dos impactos do mau momento econômico do País: preços em alta por conta da inflação fora da meta, renda estagnada, juros elevados e maior rigor na concessão de crédito. Diante do cenário, muitas delas estão redimensionando seus orçamentos e cortando gastos. As consequências disso já são constatadas por entidades assistenciais e até por igrejas, que sofrem com o congelamento e redução das receitas do dízimo e outras contribuições esporádicas de fiéis.
Presidente do Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru e Região (Conpev), Robson Aparecido Silva conta que as instituições que sobrevivem exclusivamente de doações voluntárias foram as primeiras a sentir os efeitos da crise. Ele é bispo no Ministério Reconciliar e revela que a arrecadação da igreja caiu 20%.
“De dezembro para cá, a situação tem ficado delicada para todos. As pessoas são bastante comprometidas, mas não têm conseguido contribuir do mesmo jeito de antes”, pontua.
Pastor Robson diz que as contribuições diminuíram em 20%
Jovem de 25 anos e recém-casado, um frequentador assíduo da Assembleia de Deus Ministério Madureira, que preferiu ter a identidade preservada, confirma a tendência observada pelo pastor Robson.
“Além do dízimo, nós, fiéis, ajudamos com uma oferta semanal durante o culto. Eu já não conseguia dar os 10% do meu salário que a Bíblia manda. Agora, reduzi essa contribuição também. Costumava dar R$ 30,00 em todos os cultos. Com o cinto mais apertado, não tenho ofertado mais do que R$ 10,00”, justifica.
Ele explica que o aumento dos gastos com combustível, energia elétrica e alimentos motivou a mudança de postura. “Moro só com a minha esposa e nossa conta de luz saltou de R$ 70,00 para R$ 110,00. Tanto eu quanto ela temos vale-alimentação. Com os dois cartões a gente fazia as compras do mês no supermercado, mas, de dois meses para cá, tivemos que colocar mais dinheiro. Então, não tivemos escolha”.

Católicos
Pároco da Catedral do Divino Espírito Santo e coordenador da Cúria Diocesana de Bauru, o padre Marcos Pavan diz que ainda não há um balanço oficial sobre as receitas das 41 paróquias da região, mas admite que, diante do momento econômico marcado por incertezas, todas elas estão cortando gastos e pensando em formas de reduzir despesas com energia e material de escritório, por exemplo.
“A crise pegou todo mundo e também fizemos ajustes. Na contramão disso, tivemos até um aumento na coleta da solidariedade (ocorrida no Domingo de Ramos). Mas houve um forte trabalho de conscientização para essa campanha específica. De forma geral, no entanto, percebemos que as receitas de dízimo e coletas vêm se mantendo”, afirma.
O cenário, apesar de menos desolador do que o traçado pelo presidente do Conpev, não é bom. Isso porque, segundo o padre Pavan, nos últimos anos os valores arrecadados vinham crescendo. Agora, enquanto não houve variação no dinheiro que entra, os custos não param de subir, com a inflação média ultrapassando a marca dos 8%.
“Vamos intensificar os trabalhos de conscientização. O dízimo é um ato de fé, é partilha. E, por outro lado, a crise vem sempre para ensinar alguma coisa. Nunca é de todo ruim”, pondera Pavan.

Projetos
A queda no dízimo não afeta apenas a manutenção e o custeio das igrejas. Projetos sociais desenvolvidos por essa instituições, inevitavelmente, devem ser alvo de cortes, segundo o presidente do Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru e Região (Conpev), Robson Aparecido da Silva.
Ele cita o exemplo Ministério Reconciliar, que sustenta uma casa de recuperação de dependentes químicos do sexo masculino. “Com a arrecadação caindo 20%, estamos fazendo reuniões para avaliar a redução de pessoas atendidas. Se cuidamos de 20, vamos ter que diminuir para 15, até para garantir o bem-estar desses homens. Infelizmente, a sociedade como um todo deve sentir o impacto sofrido nos projetos sociais desenvolvidos pelas igrejas”.
Rose Lopes conta que dificuldades começaram em setembro
Em atividade há mais de 20 anos, a Casa da Sopa, que atende 140 famílias nas regiões da Vila Dutra, Santa Edwirges e Fortunato Rocha Lima, além de outras seis entidades, também tem sido extremamente impactada pela crise.
“A gente faz um trabalho contínuo com as pessoas assistidas pela entidade. Por isso, precisamos que as doações sejam constantes, já que são nossa única fonte de assistência. O problema é que quem dava R$ 200,00 por mês está dando R$ 100,00. Quem contribuía com 20 quilos de arroz está contribuindo com dez”, diz Rose Lopes, voluntária do projeto.
Segundo ela, as quedas nas doações têm sido constantes desde setembro e, para não reduzir o número de pessoas assistidas, a Casa da Sopa tem buscado ampliar a quantidade de voluntários e redesenhar as estratégias de captação.
“Se as pessoas estão contribuindo com metade, temos que dobrar a o recrutamento de colaboradores. Além dos eventos, nossas equipes estão indo para as ruas, atrás das empresas e ficando até nas portas de supermercados. Por enquanto, estamos dando conta da demanda, mas não sei até quando vamos aguentar”, desabafa Rose.
A entidade necessita de ajuda com alimentos, roupas, calçados e produtos de higiene, como sabonetes.

Alternativa
Há projetos, porém, que ainda não foram afetados diretamente pela crise. Gestora do Formiguinha, na Pousada da Esperança, Fabiane Regina da Silva Souza diz que é grande a necessidade por alimentos, para garantir o fornecimento de refeições a crianças e adolescentes assistidos pela instituição.
“Apesar disso, como os nossos doadores não são fixos, talvez não tenhamos sentido. A gente faz algumas parcerias e campanhas para viabilizar o que é necessário. Também, neste ano, firmamos convênio com a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) e viabilizamos recursos para pagar os profissionais que desenvolvem as atividades pedagógicos, que dialogam com a realidade da nossa comunidade”, explica Fabiane.

Profissionalização
“Entidades precisam se profissionalizar, inclusive, na captação de recursos”, diz Bufelli, presidente da Aeaps
“Entidades precisam se profissionalizar, inclusive, na captação de recursos”, diz Bufelli, presidente da Aeaps Presidente da Associação das Entidades Assistenciais de Promoção Social (Aeaps), José Paulo de Tárcio Bufelli é enfático: a tendência é de que, em médio prazo, as organizações que dependem apenas de doações encerrem as atividades.
“Essas entidades, sem dúvida, sofrem mais em momentos como esse. Elas precisam se profissionalizar, inclusive na captação de recursos, por meio de convênios ou projetos financiados. Caso contrário, não sobrevivem”, garante.
Para ampliar as receitas advindas de contribuições, a Ação Comunitária São Francisco de Assis, por exemplo, aposta, desde o início do ano, em serviço de telemarketing para arrecadar fundos.
Como mostrou a edição de sexta-feira do Jornal da Cidade, a necessidade se tornou ainda maior em função do atraso de repasses de subsídios federais a entidades conveniadas.

Publicado em JC Net
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