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Professor da UFMT lança livro sobre Trânsitos Religiosos em Campo Grande

Apoiada em metodologias recentes desenvolvidas pela Sociologia, História e Antropologia, o autor entrevistou mais de uma centena de fiéis, ex-fiéis e líderes de diversas religiões.
Com o título Trânsitos Religiosos, Mídia e Cultura: a expansão neopentecostal, o Professor da UFMT, Adilson Jose Francisco, lança seu segundo livro no próximo dia 07 de agosto, em Campo Grande. A obra é parte da pesquisa desenvolvida pelo autor em sua tese de doutoramento defendida na PUC de São Paulo e de pesquisas recentes sobre a diversificação religiosa e a meteórica expansão das igrejas neopentecostais em Mato Grosso. Apoiada em metodologias recentes desenvolvidas pela Sociologia, História e Antropologia, o autor entrevistou mais de uma centena de fiéis, ex-fiéis e líderes de diversas religiões.
Além do ineditismo do tema para a região a pesquisa, apresentada agora em forma de livro, desvela as motivações para as novas adesões religiosas que, de acordo com o autor, se estão ligadas as estratégias midiáticas e politicas utilizadas pelas diversas igrejas, não podem ser reduzidas apenas a estas. Os depoimentos colhidos e as frequências aos templos revelam uma ampla etnografia das adesões. Para o autor, “as carências humanas materiais, psíquicas e afetivas encontram guarida na pregação e nos rituais neopentecostais. A proximidade dos templos, a simplicidade na comunicação aliada a uma fina sintonia com as necessidades dos fiéis, tornam a pregação neopentecostal mais atraente, se comparadas com as religiões cristãs mais tradicionais”.
Os dados dos últimos censos do IBGE revelam o vertiginoso crescimento dos evangélicos. Mas não foram os evangélicos indistintamente que cresceram, adverte o autor, mas os pentecostais e os neopentecostais. Eles eram 6% em 1991, hoje somam18,3%, o equivalente a mais 25 milhões de brasileiros. A evasão dos católicos é um dos fatores deste crescimento, mas o censo de 2010, revela ínfimo crescimento das evangélicas tradicionais e das pessoas que se declararam sem religião e por outro lado um acentuado crescimento de evangélicos não determinados. Para o pesquisador, isto indica para um aumento da concorrência religiosa interna e para uma característica da pos-modernidade religiosa: “cada vez mais é possível crer, sem pertencer, ou experimentar. A diversidade da oferta torna os vínculos mais fluidos”.
A obra trata desta diversidade religiosa na região sul de Mato Grosso. Analisa a criação das diversas igrejas neopentecostais que se instalaram na região a partir da década de 90. Apoiada em farta documentação e entrevistas o autor descortina os modos de uso da mídia televisiva, a ocupação da cena política e as disputas religiosas que este processo tem provocado. Para o autor “a sintonia deste novo pentecostalismo com alguns aspectos das tradições religiosas populares e a lógica de mercado contemporânea, faz com que ele não só se diferencie do protestantismo clássico, mas pense o céu e as graças da salvação para o aqui e o agora”. Estes princípios da pregação neopentecostal aliadas a rituais de cura e libertação tem extrapolado as liturgias neopentecostais. “Há uma gradual pentecostalização de grupos protestantes e católicos e crescido a intolerância religiosa frente as religiões de matriz afro-brasileiras”, adverte o autor.
Ganhador de edital da Fapemat o livro foi co-editado pelas Editoras Paulus de São Paulo e Edufmt da Universidade Federal de Mato Grosso.
Prof. Adilson Jose Francisco é doutor em História pela PUC-SP, possui mestrado em Educação e graduado em Filosofia e Teologia. E autor do livro Educação e Modernidade; os salesianos em Mato Grosso e uma diversidade de artigos sobre religiosidades e culturas contemporâneas. É editor da Revista Coletâneas do Nosso tempo e coordenador do grupo de Pesquisa Hisocult/Cnpq

Publicado em A Crítica
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