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Catadora de latinhas acha R$ 3,2 mil em meia e devolve a feirantes no DF

Ela achou o dinheiro junto a bíblia e carteira dentro de caixa de papelão.
Donos vendem verduras e retribuíram a devolução com parte da quantia.
A aposentada Tereza Silva, de 61 anos, procurava por verduras descartadas em uma feira em Samambaia, no Distrito Federal, que pudessem ser reaproveitadas quando encontrou uma caixa de papelão com uma bíblia, uma agenda, uma carteira e uma meia com dinheiro. A catadora de latinhas conta que, assim que chegou em casa, se sentou à mesa de jantar e contou as cédulas: R$ 3,2 mil.
Os meus filhos me conhecem, fui brava com eles desde que eram crianças. Foi do jeito que criei, sabem que sou desse jeito. Não quero nada de ninguém. Posso ser fraca em condição finaneira e não em caráter. Incentivei eles a estudarem para serem alguém maior do que eu."
“Estava reciclando as verduras, procurando algo que servisse para eu comer, fazer adubo para as minhas plantas [...] quando eu encontrei os pertences dos outros”, diz. “Encontrei a bíblia, encontrei a agenda, encontrei a carteira cheia de documentos, e por último, uma meia, que peguei e estava com um pacote duro. O que é isso? Abri e vi que era dinheiro”, diz.“Contei e recontei. Eram R$ 3.280. Meu Deus.”
Tereza diz que, embora enfrente dificuldades financeiras, em momento algum cogitou guardar o dinheiro para si. A aposentada sobrevive com um salário mínimo pago pelo governo para manter a filha de 34 anos, que é portadora de necessidades especiais. Com a quantia, ela paga as contas de casa e alimenta dois netos e duas filhas. Para complementar a renda, ela recolhe latinhas e materiais recicláveis.
“Quando abri a meia e vi que era dinheiro, pensei: ‘tenho que achar o dono”, afirma. “Não quero. O que é dos outros é dos outros. Meu é o que eu adquiro com o meu suor. O que é dos outros não me serve.”
Donos da caixa de papelão, a feirante Valdeliz Basílio, de 44 anos, e o marido, Joaquim Basílio, de 54, se deram conta que haviam perdido o dinheiro pouco antes de encerrar o dia na feira. “Na hora que terminou as coisas ela [mulher] foi pegar a sacola não achou. O dinheiro estava em uma sacola, dentro de uma caixa com os restos de verduras ‘machucadas’, para não irem para o lixo”, diz.
“Ela [mulher] ficou triste, começou a chorar, desesperada, sem graça porque não achava mais. Olhou todas as caixas e não viu. Era todo o dinheiro dela. Mas como estava com a palavra de Deus, ela se tranquilizou. Ela tinha esperança.”
Joaquim conta que, uma semana antes de perder o dinheiro, encontrou um celular avaliado em R$ 1 mil e procurou o dono para devolver. Por isso, também acreditava que a pessoa que achou o dinheiro dele o procuraria.
O agricultor, que costumava plantar verduras na chácara em que vive, no Gama, para revendê-las na feira, diz que deixou de trabalhar após um câncer no intestino. Por conta disso, ele a a mulher passaram a comprar os produtos para revendê-los aos domingos na feira. “Por causa da situação da cirurgia, plantamos pouco. Às vezes tem muita fruta, banana, aí a gente vende. Mas por causa do câncer, paralisei”, diz.

Busca e entrega
Tereza diz que primeira coisa que fez foi procurar nos documentos da carteira algum contato que levasse até os donos do dinheiro. Por meio de uma conta de uma operadora de celular, localizou um endereço. O casal não morava no local, mas o ocupante do imóvel tinha o contato dos feirantes.
Precavida, Tereza disse que, quando foi atendida pelo homem, informou apenas que havia encontrado a bíblia e a carteira. “Ele me perguntou se não tinha também uma meia com dinheiro, R$ 4 mil. E eu falei: ‘Não era R$ 4 mil. Contei seu dinheiro, e era R$ 3.280. Quero que vocês venham pegar agora. Sou humilde, mas não quero nada dos outros.”
Na mesma noite, os feirantes foram encontrar Tereza, em Samambaia. Joaquim disse que se sensibilizou ao chegar na casa da aposentada. O imóvel não tem portas e é feito de alvenaria recoberto por cimento. Emocionado, deu parte do dinheiro recuperado à idosa.
“Na feira tem muitas pessoas que pegam restos de verdura, aquelas verduras com pequenos defeitos, para se alimentar, e a dona Teresa é uma delas”, diz. “Se fosse outra pessoa, teríamos perdido tudo. E também o coração [falou]. Se está pegando resto de verdura para comer, Deus tocou no meu coração. [Dei o dinheiro] para ela comprar carne para ela comer [...]. Foi uma boa opção, ela tem uma filha especial, e realmente é muito decadente, muito simples, necessitada.”
Não foi o primeiro encontro de Valdeliz e Tereza. No ano passado, a aposentada se lembra de ter sido consolada pela comerciante na feira. "Eu estava desmontando de chorar porque tinha perdido meu filho", diz a aposentada. "Estava conversando com uma outra mulher e comecei a falar [e chorar]. Ela veio, ficou perto de mim, conversando comigo. Mas a gente nem se conhecia de nome."
No dia seguinte à devolução, o casal levou Tereza e a família à igreja que frequentam. “Chamei para ir à igreja porque pessoas assim, hoje, é raridade”, diz Joaquim. “Talvez esse dinheiro não seja nada para ela, mas a moral dela, a sinceridade dela, é muito mais do que o valor desse dinheiro.”
Questionada sobre o que faria com R$ 3 mil, Tereza diz que ajudaria a filha desempregada a pagar as mensalidades da faculdade, instalaria portas em casa, faria compras de comida, especialmente carne, e compraria roupas para a filha e para ela mesma. Ela também expressou o desejo de ajudar a pagar pela fantasia que a filha vai usar na apresentação de dança da escola.
“Os meus filhos me conhecem, fui brava com eles desde que eram crianças. Foi do jeito que criei, sabem que sou desse jeito. Não quero nada de ninguém. Posso ser fraca em condição financeira, não em caráter. Incentivei eles a estudarem para serem alguém maior do que eu", diz. "O que vem fácil vai fácil."

Publicado em G1
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