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Moda evangélica: é possível unir tendências e doutrina religiosa

A moda está cada vez mais acessível. Ela se transforma a todo momento e fica adaptável para atender ao estilo pessoal de mulheres de diferentes estaturas, pesos, culturas e até mesmo religiões. As doutrinas de inúmeras igrejas evangélicas, por exemplo, sugerem discrição na escolha das roupas, mas isso não impede as fieis de se vestirem bem e de serem aliadas da moda. Há tempos o velho estereótipo de evangélicas usando apenas saias longas e blusas de mangas compridas, foi deixado para trás. Hoje, elas conciliam tendência, gostos pessoais e, acima de tudo, o respeito à doutrina da igreja que frequentam; seja ela mais conservadora ou liberal.
A assistente administrativo Agatha Rocha Miranda, 19, é evangélica desde os quatro anos de idade e atualmente congrega na Igreja Monte Gileade, de Sumaré. Ela diz que a doutrina da igreja não é tão rigorosa e por isso, não existe um padrão ideal de qual peça se pode usar ou não. “Eu procuro me vestir da maneira mais decente possível, então procuro peças que valorizem meu corpo, mas sem expor demais. Isso não quer dizer que eu não possa usar o que está na moda; eu posso, mas sempre levo em consideração meus princípios e o que a Bíblia diz sobre isso”, comenta.
“Me considero uma amante da calça jeans. Então, na maioria das vezes uso calça jeans para ir à igreja e combino com camisas sociais. Mas isso não é uma regra. Uso camisas porque gosto. Nenhuma igreja me impede de ir aos cultos de tênis, por exemplo. Para sair normalmente uso jeans também, tênis… Algo mais descontraído”, comenta sobre seu estilo de se vestir.
Sobre o preconceito existente a respeito da moda evangélica, Agatha diz que embora ainda exista, não é tanto quanto antes. “Normalmente as pessoas que não estão envolvidas com a igreja acreditam que quem é cristão não pode usar isso ou aquilo, ou ainda que não pode andar na moda. Porém, quem está envolvido sabe que na realidade não é bem assim. Claro que existem igrejas que são bem rigorosas, mas a maioria não é. Acredito que esse preconceito vem sendo bastante reduzido em relação ao que era no passado”, aponta. “Como cristã eu procuro respeitar o que a Bíblia diz. O que é ensinado para as pessoas na igreja é que o interior é mais importante que o exterior, e que, manter a decência é algo imprescindível. Eu posso me vestir da maneira que eu quiser e achar adequado. Andar na moda, no meu ponto de vista, não é errado e nem algo condenado por Deus. Afinal, as mulheres, principalmente, amam se vestir bem e estar bonitas, independente se são cristãs ou não”, completou.
Jennifer do Nascimento, 22, recepcionista, que é evangélica há 14 anos, também congrega na Igreja Monte Gileade. “Não temos uma doutrina quanto a vestimenta, apenas buscamos obedecer a palavra de Deus em todas as áreas de nossas vidas. Ou seja, podemos usar saias, vestidos, calças, shorts, blusinhas sem mangas. Porém, com ordem e decência. Nada muito curto ou decotado; roupas bonitas, mas sem sensualidade. Normalmente uso bastante calça para ir à igreja, ou às vezes, vestidos”, conta.
“Na igreja onde congrego aprendemos que Deus diz que todas as coisas nós podemos, mas nem tudo nos convém. Cabe a nós separarmos aquilo que nos convém e o que agrada o coração de Deus. E particularmente, eu acho que a melhor coisa é me vestir, me maquiar, me sentir bem, sem precisar expor meu corpo para isso”, diz.
A Igreja Adventista da qual a estudante Sarah Lombardi, 19, faz parte desde quando nasceu, é mais rígida.
“A igreja que faço parte é contra o uso de joias, por exemplo, mas não possui regras explícitas sobre o que devemos ou não vestir. O que existe são recomendações de como se vestir com simplicidade e decência, pois o que deve ser ressaltado é o nosso caráter, a beleza natural com a qual nascemos e principalmente o nosso relacionamento com Deus”, explica.
Sarah também acredita que é possível conciliar seu estilo próprio, as tendências da moda e o respeito à doutrina adventista, pois “a moda oferece muitas possibilidades”. “Nos cultos da igreja onde frequento, as mulheres não usam calças ou shorts, por uma questão mais tradicional. Enquanto os homens usam camisas e ternos, as mulheres optam por saias e vestidos. Para sair, uso calça, saia ou vestido. Sendo peças decentes, não tem restrição”, diz. “A doutrina da igreja sobre a roupa que usamos é importante porque, como cristãos, não devemos deixar as questões materiais nos dominar”, acrescenta.
A consultora de moda Paula Caroselli de Biasi, conta o segredo para conciliar a moda com a doutrina evangélica, independente de qual denomincação evangélica a mulher seja. “Atualmente, os tecidos e as modelagens das roupas facilitam para o desenvolvimento de uma peça mais moderna para as evangélicas, mas com alguns detalhes ainda mantidos, como por exemplo o comprimento mais longo de saia, vestidos menos decotados e caimento natural sem marcar muito a silhueta. Podendo ainda dar uma ousada no tecido com uma estampa mais diferenciada”, aponta.
“As peças que mais estão em alta e que as mulheres evangélicas podem usar e abusar sem medo de errar são as saias com estampa, camisas de diversas cores ou até mesmo as básicas conciliando com acessórios como bolsas, colar, brincos e pulseiras. As calças com tecido mais fluido também são adequadas e tem um ótimo caimento para todas as silhuetas”, cita.
A saia, peça mais ‘queridinha’ das mulheres independente da religião, é aliada da moda para as evangélicas, pois além de ressaltar a feminilidade, é indicada para diversos tipos físicos. “A saia longa é indicada para mulheres de diversos tipos físicos. Para as de estatura baixa, recomenda-se colocar um colar para dar uma alongada na silhueta. Outra opção é a saia jeans, que também é ‘hit’ do momento. Já para as mulheres mais baixinhas, é indicado que abuse do monocromático [peças de uma única cor]. Não tenha medo ou receio de ousar nas cores”, orienta a profissional. “O monocromático é ideal até mesmo para as mais conservadoras. Um look assim fica super elegante e mantém o visual discreto. Para finalizar, é legal usar acessório delicado como por exemplo os de pérola”, aconselha.
E não são apenas as saias longas e vestidos até o pé que são permitidos, não. Segundo Paula, as saias mídis, que têm o comprimento um pouco abaixo do joelho, também estão super em alta, ganhando cada vez mais força entre as fashionistas. Além disso, essa tendência é adaptável à doutrina de qualquer igreja evangélica; basta respeitar as proporções do corpo de cada uma, uma vez que a peça mídi pode achatar a silhueta. O segredo, neste caso, é apostar, mais uma vez, no monocromático. “Os sapatos que possuem a mesma cor que o as saias ou vestidos mídis, criam a ilusão de que a silhueta é maior. Abuse do modelo mídi com tecidos mais fluidos e leves. Eles estão com tudo e acrescentam um visual romântico ao look”, diz.
Mesmo usando peças comportadas, a stylist afirma que é possível destacar o look, basta apostar em alguns toques especiais. “Para destacar o look, mesmo usando peças completamente discretas, aconselho ousar nas peças com renda. Além, é claro, de completar com acessórios. Os cintos, por exemplo, são itens importantíssimos para compor o look e acrescentam um charme especial. Outra dica valiosa e que acrescenta elegância ao look é abusar dos terninhos e blazers, estampados ou em um único tom; seja o look composto por saias e vestidos longos, comprimento mídi, calças, blusas básicas ou chamativas”.
Quanto à modelagem, a especialista aponta que as saias lápis não são recomendadas, uma vez que são justas e marcam o corpo. “Tem que ser uma união de modelagem e tecido. Os modelos ‘envelope’ são uma boa opção, pois mantém o desenho do corpo sem deixar o visual vulgar”, diz.
“Como personal stylist sempre indico para minhas clientes serem elas mesmas e se sentirem bem. Independente da roupa que você usa ou da sua cultura, não tem porque se importar com a opinião externa. O importante é você saber o seu propósito de vida e tentar transmitir isso com o seu look e a sua personalidade. Muitas vezes queremos passar uma imagem e não passamos. A moda existe como uma aliada para facilitar a comunicação. Por isso, use da moda para se comunicar e se expressar”, finaliza.

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