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No século XIII as bíblias passaram a caber numa mão

Novo livro apresenta investigação sobre as bíblias portáteis do século XIII.
Chama-se “Sacra Página” e é uma obra que dá a conhecer melhor as bíblias portáteis do século XIII, manuscritos que são testemunhos da história religiosa e social da Idade Média.
Esta obra, lançada pela Editora Paulus, resultou, em parte, da tese de pós-doutoramento do historiador Luís Correia de Sousa. O livro permite conhecer melhor o contexto histórico-cultural em que surgiram estes 35 manuscritos que existem em colecções portuguesas.
A isto “somou-se um outro objectivo, quando surgiu a hipótese de publicar uma edição comercial através da Paulus”, explica o autor. Nesse sentido, foi acrescentada “uma primeira parte, quase do tamanho da segunda, porque dirigida para outro público”.
Luís Correia de Sousa justifica esta sua decisão, alegando que “o estudo dos manuscritos interessa mais a investigadores, tem tabelas, tem códigos, uma linguagem mais codificada”. Por isso, decidiu incluir “um programa iconográfico completo de uma destas bíblias”.
"Sacra Página” está, assim, dividido em duas partes: uma dedicada às 35 bíblias do século XIII, quando passaram de grandes volumes pesados e inacessíveis para modelos portáteis, de tamanhos idênticos aos de hoje em dia. A outra parte é uma viagem iconográfica pelo mundo da Bíblia.

Uma Bíblia a partir das iluminuras das 35 bíblias existentes
Esta é uma oportunidade única de ver uma Bíblia completa com uma iluminura para cada um dos textos bíblicos. “O início de cada um dos livros bíblicos é assinalado com uma iluminura, uma imagem pintada com uma cena, que pode ser uma cena bíblica, pode ser simplesmente uma personagem desse texto”, adianta o autor. Portanto, é “uma iluminura para cada texto bíblico, pela ordem pela qual elas se apresentam no século XIII, porque não é rigorosamente igual às nossas bíblias do século XXI”.
Este é, assim, “um modo de divulgar este património artístico, porque cada um destes manuscritos é uma obra artística que encerra em si, alguns deles, mais de uma centena de pinturas”, sublinha Luís Correia de Sousa.
O autor garantiu que este projecto “é absolutamente novo, porque nunca foi nem publicado no estrangeiro, nem cá um programa completo”.

Quando as bíblias passaram a portáteis
Foi no século XIII que estes manuscritos passaram de grandes volumes pesados e inacessíveis a modelos portáteis. Antes disto, “o normal era as bíblias serem em vários volumes, de dimensões muito grandes”. Havia volumes só para os Evangelhos, outros só para os Profetas. “Eram precisos vários volumes para se ter a Bíblia completa”.
Este novo formato das bíblias contribuiu para o alargamento do leque dos seus leitores.
Os cursos de Direito e Teologia, sobretudo nas universidades de Oxford, Paris e Bolonha, “tiveram um grande desenvolvimento e o manual escolar era a Bíblia”. Por isso, era “preciso produzir manuscritos para os estudantes e professores”.
Outro factor importante foi o surgimento e desenvolvimento das Ordens Mendicantes, dominicanos e franciscanos, que “passam também a precisar deste manual para a sua actividade”.
Os próprios leigos ”querem também ter o seu manuscrito”, assim como “a classe mais abastada, a nobreza e a aristocracia”.
Isto fez com que “a produção dos manuscritos saísse da esfera monástica, porque os mosteiros não conseguiam produzir tantos manuscritos e passou a haver ateliês fora das instituições da Igreja que produziam estes manuscritos em larga escala”.
“Aparecem os livreiros, começa também o negócio com estes livros e há muita coisa que muda, desde os artistas que pintam as iluminuras, aos copistas que fazem os trabalhos à tarefa”.
Todo este estudo permite conhecer melhor este tipo de manuscritos e abre caminho para novas investigações. O próprio autor confessa que “há muitas coisas para investigar: o percurso dos manuscritos, como é que chegaram via instituições monásticas, via nobreza. Mais novidades que temos que aprofundar: nunca foi dito que em Portugal se tivessem produzido bíblias destas. Mas nós temos duas que terão sido feitas em Alcobaça. Portanto, os manuscritos estão estudados, sabemos o que é que lá está, mas ainda falta saber mais coisas”.
Para Luís Correia de Sousa, “há ainda um universo de estudo para fazer acerca destes manuscritos, porque associado a todos eles há um universo cultural e social que é importante para conhecermos o que é que se passou a partir do século XIII e até ao momento em que chegaram às nossas instituições onde estão agora”.

Publicado em Renascença


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