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Como a Rússia usa a religião para expandir sua influência

Igreja ortodoxa russa ajuda Vladimir Putin a retratar seu país como um aliado natural dos que se opõem ao liberalismo ocidental.
O teto dourado de uma igreja ortodoxa russa que está sendo construída às margens do rio Sena, em Paris, França, se destaca na paisagem.
Dominada por prédios governamentais e embaixadas, a área foi escolhida pelo presidente russo, Vladimir Putin, para a construção de um “centro cultural e espiritual russo”.
Putin conseguiu do governo parisiense a concessão para a construção, mas não sem despertar dúvidas do serviço de segurança francês, que desconfiava que a Rússia estaria criando um centro de espionagem no coração de Paris.
No entanto, a inteligência francesa deixou passar despercebido um pequeno detalhe. Embora tanques e artilharia sejam as armas preferidas de Putin para projetar seu poder, ele vem usando a religião para expandir a influência do país.
Inimiga fervorosa da homossexualidade e de qualquer tentativa de colocar direitos humanos acima dos valores familiares tradicionais, a igreja ortodoxa russa ajuda Putin a retratar seu país como um aliado natural daqueles que pregam por um mundo mais seguro, menos liberal e livre da quebra de tradições da globalização, dos direitos das mulheres e dos homossexuais.
Graças à estreita aliança entre a igreja ortodoxa russa e o Kremlin, a religião teve um papel central para manter antigos países da união soviética sob a influência russa. Em Moldova, por exemplo, padres ortodoxos leais a Moscou têm trabalhado de forma incansável para impedir que seu país se integre ao Ocidente.
“A voz da igreja e a voz de políticos russos, não todos, mas a grande maioria, são a mesma. Para mim, a Rússia é a guardiã dos valores cristãos”, disse Marchel Mihaescu, um bispo ultraconservador de Moldávia.
Aos seus fiéis, Mihaescu disse que o novo passaporte biométrico criado pela União Europeia é “satânico” porque contém 13 dígitos. Ele também tentou sabotar a lei do país que proíbe a discriminação de gays no ambiente de trabalho afirmando que ela iria despertar a ira de Deus e romper as relações do país com a “mãe Rússia”.
“A igreja se tornou um instrumento do estado russo. Ela é usada para estender e legitimar os interesses do Kremlin”, disse Sergei Chapnin, e ex-editor do jornal Moscow Patriarchate, controlado pela igreja ortodoxa russa e suas afiliadas fora do país.
O papel da igreja ortodoxa russa em Paris somente ficará claro, de fato, quando ela for inaugurada. Porém, os que estudam os métodos de Putin preveem que ela servirá de “megafone” para a busca de Putin por influência global.
Ela será um contraponto aos ideais laicos e de liberdade da França e aqueles que se identificam com seu viés ultraconservador e antimoderno verão na Rússia um bastião de seus valores.

Publicado em Opinião e Notícia


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