Header Ads

ATUALIZADAS
recent

Cerca de mil evangélicos abraçam trecho da lagoa da Pampulha

A ideia era a abraçar os 18 km da orla, mas o tempo chuvoso levou pouco mais de 1.000 pessoas, que cercaram pouco mais de 2 km, próximo à igrejinha.
O feito nunca havia sido tentado antes. Precisariam de pelo menos 12 mil adultos com os braços esticados (1,5 m cada) para conseguir abraçar os 18 km da orla da lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte. A comunidade evangélica da capital propôs o desafio para este feriado de 15 de novembro e cumpriu em partes. Talvez por conta do tempo chuvoso, só conseguiram reunir cerca de mil pessoas contornando no máximo 2 km do trecho próximo a igrejinha. Eram esperadas 18 mil pessoas de várias igrejas cristãs da capital, mas muitos devem ter ficado em casa, sem confiar na providência divina que abriria um solão no meio da tarde, depois de cair muita água.
”Deus é tremendo e o pessoal não acreditou. Ele abriu o mar porque não ia abrir o sol pra nós?”, confiou o militar da reserva, Jackson Luiz da Silva, 48, sozinho ali, com a camisa do Exército e as mãos para trás, olhando seus irmãos de igreja se enfileirarem em torno da orla, de mãos dadas. Quando viu que estava difícil organizar aquele povo todo, mesmo com um homem falando no som do palco montado na praça Geralda da Mata Pimentel (no final da avenida Fleming), Silva foi logo prestar seus serviços. “Deixa eu ir lá ajudar”.
Após mais de meia hora de tentativa, e o esforço da voz pregando ao microfone - “vai orando, vai abraçando, vai profetizando, em nome de Jesus, ô glória” - , a turma conseguiu contornar da praça até a igrejinha, proeza comemorada com fogos e salva de palmas. “O mais lindo ato profético em favor da nossa linda Belo Horizonte . Aleluia”, celebrava o moço no palco.
“A gente pensou em fazer (o abraço da orla inteira) na época em que o Conjunto da Pampulha ganhou o título (de patrimônio cultural da humanidade), mas teria que ter muita gente”, contou Gustavo Mendicino, diretor de Promoção Turística da Belotur, que assistia ao gesto dos evangélicos com entusiasmo. “Foi maravilhoso, o importante é vir e tentar, melhor do que ficar atrás do computador pensando”, comentou ele ao agradecer um homem suado que acabara de formar o simbólico abraço. “Foi o que deu para fazer”, disse o pastor.
Adenildo Santos, membro da Federação das Associações de Ministros Evangélicos Interdenominacionais (Feamei), explicou que era apenas um dos que tentara organizar o ato. “Queríamos demonstrar de modo prático o nosso amor pela cidade, aproveitando o apoio da prefeitura. Ninguém nunca tentou (esse abraço), mas hoje teve o fator clima tempo”, justificou o público aquém do esperado.
O importante era que eles estavam ali, como disse Silva, o rapaz do Exército, para “Deus operar na Pampulha, quebrar as maldições desse conjunto que foi tombado, para que todos sejam abençoados, inclusive os estrangeiros que vêm aqui visitar”.
Mais cedo, antes do evento começar, com uma hora de atraso, Leônidas José de Oliveira, presidente da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, aguardava a chegada dos evangélicos na igrejinha, com outros envolvidos no evento, que estavam na dúvida se, por ser uma igreja católica, eles iriam para lá. Cada comunidade cristã, vindas de diferentes regiões da cidade, tinha combinado de ir em um ponto da lagoa para formar o abraço. Ao verem que não conseguiriam preencher toda a orla, eles preferiram se reunir em frente a praça da Fleming, onde estava o palco que teriam shows de bandas gospel depois.

“Esse ato é também pela cultura da paz, para combatermos a intolerância religiosa. Já tivemos aqui na lagoa eventos com candomblé, umbanda, católicos. Ou a gente une as religiões ou vai ficar impossível sobreviver e a cultura é esse elo”, ponderou Oliveira.
Para o pastor Adenildo, se existe uma cultura de “não paz” entre as religiões, isso não vem dos evangélicos. “Não temos dificuldade de unir com a igreja católica para ser pró-vida, com o macumbeiro, o espírita, para ser contra a pedofilia. Já levei chute de padre, hoje a gente consegue transitar nesses meios todos, somos pela paz e pela ordem”. A Igreja Assembleia de Deus conduziu cerca de 300 pessoas para o ato. O marceneiro Antônio de Paula, 29, foi lá para ministrar com sua banda no palco. “Viemos para abençoar a cidade, nada mais”, considerou animado, com seu copo de água na mão.
Já a irmã doméstica Silmara Patricia Vaz, 31, da igreja Batista Getsêmani, levou as duas filhas e o marido para apoiar o evento. “Quem sabe assim manifestações cristãs como essas possam se espalhar pela cidade. Acho que o evento foi pouco divulgado dentro das igrejas. Nossa religião tem sido tratada com pouco caso, muitos esquecem que os cristãos precisam de respeito também, precisamos ser ouvidos”, apontou, ressaltando que estava ali contando com a tolerância religiosa.




Publicado em O Tempo


Tecnologia do Blogger.