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Destaque no Santos, Ricardo Oliveira também é pastor em sua igreja

Artilheiro do ano no Brasil em 2015, centroavante dá cultos em igreja evangélica e até batiza companheiros de clube.
Ricardo Oliveira, atacante do Santos e com passagens pela Seleção Brasileira, é conhecido por sua habilidade em marcar gols. Entretanto, o jogador, que é pastor evangélico, também mostra talento em trocar as chuteiras pelo microfone, o uniforme pela roupa social e revela a mesma intimidade do futebol, mas com as palavras.
Em entrevista no Centro de Treinamento Rei Pelé, o camisa 9 destacou como faz para conciliar a vida de atleta profissional com a de membro religioso, além de acentuar a importância da religião durante a sua trajetória no esporte e de relatar acontecimentos de sua juventude.
Fé, futebol e Oliveira, desde a infância, sempre estiveram juntos. Aos 11 anos, apaixonado pelo Mundo da Bola, já tinha o hábito de frequentar a igreja em uma comunidade de São Paulo. Nesse período, jogava pelo LEVAE – Levando o Evangelho através do Esporte –, clube de futsal da cidade, o qual teve influência importantíssima na vida dele. Mais experiente e amadurecido, quando foi integrado ao elenco profissional da Portuguesa, em 2000, período em que se converteu ao cristianismo protestante, foi evangelizado por alguns companheiros de clube, como Sandro Fonseca, o ex-volante Elson Roberto e o polivalente Mancini, ex-Atlético/MG e com passagens pela Itália.
A partir disso, Ricardo passou a compreender os propósitos divinos. “Por meio dessa experiência na juventude, tomei a decisão de mudar a minha vida. O LEVAE foi uma grande chamada. Por meio dele, entendi que Deus já havia me escolhido bem antes de eu escolhê-lo. A finalidade do Senhor em minha caminhada foi essa: poder levar o evangelho através do esporte. Isso é algo que eu não rejeitei e tenho procurado dar continuidade. É uma atividade que tenho feito há 16 anos. Não comecei agora e levei isso em todos os países que eu joguei.”, destacou.
RO9, carinhosamente apelidado pela torcida santista, depois de sete anos dedicados à religião, foi separado a pastor em 9 de julho de 2007.
Enquanto atuou no futebol europeu, entre 2003 e 2009, porém, o atacante já participava dos cultos e fazia pregações nos lares – tanto na residência dele como na de outros brasileiros –, além de cuidar de jovens. A grande confirmação do chamado ministerial do atacante, por sinal, aconteceu nos Emirados Árabes, onde teve a oportunidade de pregar o Evangelho em inglês para os muçulmanos. “A igreja naquele país é um marco. Tive a honra de fundar a primeira igreja brasileira em Abu Dhabi, a qual ainda continua ativa. Ela é comandada pelos meus discípulos e por pessoas que foram delegadas por mim.”, ressaltou.
Outro ponto interessante é como Ricardo Oliveira faz para conciliar a vida de atleta profissional em atividade com a rotina de um membro religioso. Apesar do tempo escasso, o jogador, sempre que possível, dedica-se ao ministério pastoral. “Eu não consigo destinar o meu tempo integralmente à obra de Deus. O futebol exige muito de mim. No Santos, por exemplo, temos dois cultos por semana, durante as concentrações. Quando temos apenas uma partida, facilita, pois passo a ter uma agenda para pregar, disponibilidade para ir na minha igreja e para ser ministrado pelo meu pastor. Assim, posso atender os convites que recebo de amigos para dar testemunhos em outros locais.”

Sem problemas
A liderança exercida por Ricardo Oliveira no Peixe – tanto dentro quanto fora de campo – não afeta a relação dos evangélicos com os atletas que seguem outras religiões. De acordo com Renato, um dos integrantes católicos da equipe, o respeito é o que prevalece. “A diversidade religiosa não prejudica em nada. Temos a consciência de que cada um tem a sua crença e o seu Deus. É preciso respeitar. O fato de ele ser um líder faz com que nos aproximemos ainda mais, já que somos todos cristãos e jogamos pela mesma causa.”, ressaltou o volante.
Questionado se os católicos têm o hábito de se reunirem nas contratações, o bicampeão brasileiro pelo Alvinegro destacou a união do grupo.
“Aqueles que têm o interesse se reúnem, independente da religião. Nesse momento, o Ricardo fala do momento de Deus e da sua Palavra. É algo que fazemos com o maior prazer. Esses encontros acontecem com frequência e falamos do Senhor. Isso o mais importante.”, concluiu.
Principal responsável por tentar manter a harmonia dentro do elenco, o técnico Dorival Júnior destacou que as supostas panelinhas formadas pelos Atletas de Cristo não ocorrem no Santos. “Temos uma parte do grupo que é evangélica, mas não há interferência nenhuma em relação a posicionamentos contrários ou favoráveis a um algum jogador. Aqui dentro isso não existe. Pode ser que em algum clube deva acontecer. Porém, onde eu passei, nunca percebi nada. O fato do Ricardo ser um pastor não nos prejudica. Apenas nos acrescenta. Nosso ambiente, por sinal, é excelente, só coisas positivas.”, relatou o comandante.
As reuniões do elenco alvinegro ocorrem no auditório do CT Rei Pelé, quando a equipe joga em casa. Na condição de visitante, os jogadores se reúnem em algum quatro do hotel, como destacou Zeca. “Sempre que possível compareço às orações do Ricardo. Sou católico, mas Deus é um só. Aqui no clube nada é obrigatório, mas nos reunimos em toda concentração. Independente de onde atuamos, os encontros acontecem.”, completou o lateral.

Batizados
O batismo evangélico é um tema de grande importância para a igreja, em especial para os novos convertidos, pois se trata de um ato de obediência e submissão ao Senhorio de Cristo e um testemunho público da fé cristã. Nesse contexto, Ricardo, enquanto pastor, já batizou quatro profissionais da bola - Daniel Guedes, Thiago Maia, Geuvânio e Nilson -, além dos respectivos familiares. Os dois últimos, inclusive, já não fazem mais parte do atual elenco santista.
Maia, uma das principais revelações da categoria de base santista, já era cristão, mesmo antes de ter contato com o atacante, graças à insistência do tio dele. “Aceitei Jesus com nove anos de idade”, destacou. A cerimônia, que aconteceu em 24 de julho de 2015, foi realizada na piscina da casa de Oliveira, em Alphaville, região de condomínios na região metropolitana de São Paulo.
A razão pela escolha de ser batizado por ele vai muito além da convivência dentro de campo. “Optei pelo Pastor Ricardo porque já conhecia o ministério dele e sei o quanto ele se dedica para isso. É uma pessoa que me ensina muito. Aliás, não só eu, mas até mesmo a minha mãe teve o interesse de ser batizada por ele. Ele é um presente de Deus na nossa vida”, finalizou o volante.

No Brasil
Depois de quatro temporadas no futebol árabe, o atacante voltou ao Brasil cercado de desconfiança. O retorno ao Peixe, no início de 2015, foi explicado pelo pedido de seu primogênito, Anthony, 13, nascido na Espanha e santista de coração.
Mesmo aos 36 anos e com uma lesão séria no joelho que o tirou dos gramados por quase três meses, o experiente artilheiro está mostrando que ainda pode ser decisivo. Em dois anos, o camisa 9 foi bicampeão estadual, além de conquistar prêmios individuais, como a artilharia do Campeonato Paulista e do Brasileirão do ano passado, pelo Peixe.
Com o microfone nas mãos e a roupa social, Ricardo é pastor da Assembleia de Deus, Ministério Madureira, no Brás, na capital paulista. Seus cultos têm, em média, cerca de cinco mil fiéis.

Futuro
Ricardo Oliveira, após pendurar as chuteiras, já tem planos bem definidos. Apesar de quase duas décadas dedicadas ao esporte, o camisa 9 vai se dedicar integralmente ao ministério pastoral. “Esse é o meu chamado e é o que eu amo fazer. Aprendi que o maior investimento que o Homem pode fazer é em pessoas. Sou apaixonado por isso. Essa é a minha responsabilidade.”, concluiu.

Publicado em Jornal de Jales


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