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Polícia investiga líder de seita que oferece o próprio sêmen como forma de purificação em Goiânia

Líder de seita em Goiânia é investigado por casos de abuso sexual.
Segundo vítimas, elas seriam obrigadas a manter relações com o suspeito sob efeito de hipnose.
O líder de uma seita baseada em Goiânia está sendo acusado por uma série de casos de abusos sexuais e crimes financeiros. Segundo vítimas, elas seriam obrigadas a manter relações com o suspeito sob efeito de hipnose.
A seita, intitulada Essenium, existe desde 2012 e mantinha uma sede no Setor Sul, em Goiânia, agora fechada. Sua página na Internet diz que trata-se de uma entidade de “conhecimento avançado e aplicado que, pela primeira vez na história do homem, restaurou mais de cinquenta mil (50.000) anos da busca pelo significado da vida”. Para alguns, porém, trata-se apenas de um reduto de estelionato e de violação sexual.
Um site fundado há cerca de seis meses, intitulado apenas como essenium.org, compila diversas denúncias contra o fundador da seita, Diego Morais, usando fotos, áudios e vídeos para embasar as afirmações. O criador da página, Willian Gil, deu detalhes ao Mais Goiás sobre como funcionaria o esquema dentro da instituição.
De acordo com ele, Diego consegue reunir em seus grupos de estudo seguidores de diversas correntes religiosas, como espíritas, católicos, wiccans e evangélicos. “Ele diz falar de coisas universais, que independem de religião. Então ele atrai pessoas de diversos grupos e várias idades”, revela.
Ao longo dos anos, o grupo teria conseguido congregar até 500 pessoas, entre seguidores fixos e esporádicos, muitos das quais interessados em discutir a existência humana, o universo e o pós-morte. Em um esquema semelhante ao da maçonaria, os integrantes sobem de níveis na organização, indo do 1 até o 9. Paralelamente à hierarquia oficial, Diego teria montado na seita um subgrupo, intitulado Kether. É nele que os abusos ocorreriam.


Abusos
De acordo com denunciantes, Diego teria o costume de convidar rapazes, de 18 a 30 anos, para rituais de “evolução espiritual”. “Entre essas pessoas que ele diz querer ajudar espiritualmente não tem idosos, obesos ou gente feia”, ironiza o gestor do site contra a Essenium. É nesses rituais — que ficaram conhecidos informalmente como "Sêmen Divino" –, que se davam as violações.
Conforme relatos, muitas das vítimas que se manifestaram sobre os abusos não têm plena consciência do que aconteceu com elas. Um dos rapazes escolhidos por Diego relata em áudio divulgado na página de denúncias que se lembra apenas de flashes, como se fossem fotografias, dos momentos do abusos. “Eu pensei que era tudo um pesadelo”, relatou. O caso só veio à tona porque o líder da seita teria ficado preocupado que o rapaz contasse algo para alguém e conversou com ele na tentativa de dissuadi-lo. “Aí eu falei: ‘meu Deus, essa p*** não foi um sonho’”, diz ele no áudio.
Apesar de a maioria das vítimas ser do sexo masculino, ao menos uma das vítimas que já prestou queixa contra Diego é uma mulher. Em Boletim de Ocorrência, cujo conteúdo está disponível no site contra a Essenium, a vítima revela que, após surgirem as denúncias contra o líder da seita, ela própria ficou intrigada com os sonhos que teve. Em conversa com um amigo ela percebeu que ambos foram alvos do investigado.
O Willian comenta que, até o momento, cinco vítimas registraram boletins de ocorrência contra Diego em diferentes delegacias. No entanto, há informações sobre diversas outras possíveis vítimas, inclusive ao menos um menor de idade. Porém, muitos não querem se manifestar por medo e por vergonha. Além disso, para uma parcela deles soma-se à questão o fator espiritual.
“Ele diz para essas pessoas que é a encarnação de Moisés, São Francisco, São paulo, Celso Charuri, de um monte de gente. Então alguns acreditam e têm medo de ir contra uma pessoa ‘realmente celestial’”, conta. Diego ainda conta com o apoio de alguns de seus seguidores, e do próprio namorado, que gerenciava a instituição.
Teme-se, ainda, que o fato de muitas das vítimas estarem sob efeito de hipnose possa complicar o caso ainda mais. “Se ele tivesse usado alguma droga, seria mais fácil, porque um exame toxicológico resolveria. Mas não é o caso. As pessoas com quem conversei dizem que não tomaram nem cheiraram nada”, comenta o gestor do site de denúncias, ressaltando que existe o temor de que a alegação de abuso sob efeito de hipnose não seja aceita nos tribunais.


Investigações
O delegado Isaías de Araújo Pinheiro, do 1o DP de Goiânia, investiga o caso desde o dia 14 deste mês. De acordo com ele, até o momento nove pessoas foram identificadas entre testemunhas e vítimas de abusos e de estelionato.
Segundo o delegado, a sede da seita está fechada depois que o dono da casa onde ocorriam os rituais o retomou a residência por falta de pagamento. “Ele alugou o imóvel no nome de algumas senhoras que faziam parte da seita e não pagou nada, nem aluguel, nem IPTU”, conta Isaías. Apesar disso, a polícia tem conhecimento que as atividades do grupo continuam sendo exercidas, agora nas residências de alguns dos seguidores.
Na antiga sede, agora abandonada, a Polícia Técnico-Científica coletou diversos materiais para a perícia. “O laudo conclusivo ainda não está pronto, mas chamou a atenção que lá tinha um líquido parecido com o do Boa Noite Cinderela”, diz Isaías, referindo-se à substância que causa a perda da consciência e é usada para práticas de furtos e abusos sexuais.
Mesmo com diversos relatos e indícios, Diego ainda não prestou depoimento. “Vamos terminar de ouvir todo mundo, aguardar o laudo pericial e então vamos ouvi-lo”, comenta o delegado.

Publicado originalmente em Mais Goiás
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