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Mitos, crendices e heresias sobre Jesus Cristo - Artigo


José Maria Vasconcelos,
cronista, josemaria001@hotmail.com

Dora, minha diarista, volta à cena, desta vez, em plena quaresma, a desobedecer-me: “Não mato frango na coresma. Só sou nega, seu Zé, mas sou cristã; não moio as mão com sangue de bicho na coresma!

Em se tratando de cultura primitiva, não há de que discutir com a Dora. Ela também é filha do dono do mundo, que a acolhe e lhe abençoa a fé por sentimento. O que me estranha é topar com gente letrada de acreditar em certas crendices, mitos, inclusive heresias sobre Jesus Cristo, extraídas de livros, revistas e exibições cinematográficas de pura fantasia, mercadoria milionária para seus autores.

Pessoas não familiarizadas com a leitura dos quatro evangelhos tornam-se alvos fáceis da literatura e cinema de ficção mercadológica. Acreditam mais no romance e filme de David Bowie, ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO, ou em O CÓDIGO DA VINCI, de Dan Brown, do que na multiplicação dos pães e peixes, narrada pelo evangelista Marcos.

A ficção sempre acompanha a criação artística, desde remotas eras a certas passagens bíblicas, às redes sociais modernas. Estas com declarações e episódios para entortar fatos, denegrir dignidades.
No início do cristianismo, textos bíblicos ainda careciam de organização em códices (códigos, livros). Manuscritos circulavam, livremente, nas comunidades cristãs, sem a ordem de coleção como lemos hoje. Nem apóstolo Paulo sabia que, oportunamente, suas cartas fariam parte do Novo Testamento.

Havia um consenso entre os cristãos de só aceitar os manuscritos produzidos por quem convivera com Cristo ou com algum dos apóstolos. João e Mateus eram apóstolos de Cristo. O médico Lucas não era apóstolo, porém, baseou-se no contato com Maria, mãe de Jesus, e no testemunho dos discípulos. Marcos escreveu o evangelho, como secretário e redator do apóstolo Pedro. Muitos outros escritos espalhavam-se por comunidades cristãs de todo o império romano. No final do século IV, o sacerdote e teólogo Jerônimo recolheu-se em grutas de Israel e começou a traduzir os livros bíblicos, dos originais para o latim, a chamada VULGATA, durante trinta anos.

A seleção dos livros bíblicos segue linhas rígidas e princípios considerados inspirados (canônicos). Historiadores usam um critério meio óbvio, mas importante: quanto mais antigo e menos fantasioso e sentimental o texto, mais confiável. Daí a falta de credibilidade em certos manuscritos apócrifos, ditos evangelhos, atribuídos a Pedro, Madalena, Judas, Filipe, Tomé e outros, descobertos, posteriormente, em câmaras funerárias e grutas. Textos que revelam passagens infantis e grosseiras de Jesus: relação amorosa com Madalena ou homossexual com Marcos, milagres mirabolantes, negação da divindade de Jesus, tantas outras asneiras.

O Jesus fantasiado, inclusive o da sexta-feira santa, continua a inebriar o imaginário popular, por canais do exacerbado sentimento religioso, má-fé ou negócio. A ressurreição de Cristo, porém, vitorioso e divino, merece mais atenção, festa e estudo. Será que Dora e os ditos sábios entendam uma fé mais inteligente e menos sentimentaloide?

Publicado originalmente em MeioNorte/Blog José Fortes
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