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Papa estimula luteranos a prosseguirem no diálogo com católicos

É importante que católicos e luteranos empreendam esforços sobre a realidade histórica da Reforma, sobre suas consequências e as respostas que a ela se deram, disse o papa Francisco ao receber no Vaticano, na segunda-feira, 21, delegação da Federação Luterana Mundial (FLM) e membros da Comissão Católica-Luterana para a Unidade.
"Católicos e luteranos podem pedir perdão pelo mal causado uns aos outros e pelas culpas cometidas perante Deus e alegrar-se juntos pela saudade de unidade que o Senhor despertou em nossos corações e que nos faz olhar para a frente com um olhar de esperança", afirmou o papa.
Francisco lembrou ao presidente da FLM, bispo Munib Younan, e ao secretário geral do organismo ecumênico, pastor Martin Junge, no marco das comemorações do quinto centenário da Reforma, o texto elaborado pela Comissão sob o significativo título "Do conflito à comunhão. A interpretação luterano-católica da Reforma em 2017".
O bispo de Roma vê com sentido de profundo agradecimento ao Senhor Jesus Cristo "os numerosos passos que as relações entre luteranos e católicos deram nas últimas décadas, e não apenas através do diálogo teológico, além da colaboração fraterna em múltiplos âmbitos pastorais e, sobretudo, no compromisso para continuar no ecumenismo espiritual".
O ecumenismo espiritual, definiu, constitui em certo sentido a alma do caminho para a plena comunhão, "que nos permite saborear desde agora alguns frutos, embora imperfeitos". Na medida em que católicos e luteranos se aproximarem com humildade de espírito de Jesus Cristo, "estamos certos de que Ele nos tomará pela mão e será o nosso guia", frisou.
Evidentemente, admoestou o papa, não faltarão dificuldades no caminho de diálogo que católicos e luteranos terão pela frente, enfrentando também as divergências que surgem no campo da antropologia e da ética. "Necessitamos ainda de paciência, diálogo e compreensão recíproca. Mas não tenhamos medo!" - admoestou.
Junge alcançou ao papa Francisco um presente simbólico, uma chaleira de uma refugiada da Somália, de nome Fátima, que fugiu do campo de refugiados Dadaab, no Quênia. Junge reportou-se à tragédia de Lampedusa, ocorrida no dia 3 de outubro, quando morreram 339 imigrantes ilegais dos 500 que embarcaram em barco que partiu da Líbia e naufragou na costa italiana. "Atualmente, aquele é o maior campo de refugiados do mundo, com 400 mil pessoas", destacou o secretário geral.

ALC

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