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"Defender os ciganos é a quinta-essência do Cristianismo"

O que há de verdade nos estereótipos associados à comunidade cigana? E o que há de inesperado e com o qual se pode aprender?
Francisco Monteiro mudou de vida há 16 anos - reformou-se. Perante o tempo livre, decidiu colocar-se à disposição de um amigo, padre Filipe Figueiredo.
Solicitado pelo sacerdote, Francisco começou por ajudar a erguer uma exposição internacional sobre a cultura cigana, em 1997. Foi somente o princípio.
"Desde então, estou a trabalhar como voluntário com os ciganos." Décadas depois, desenvolveu trabalho em todo o país, mas sobretudo na região de Lisboa, através da Pastoral dos Ciganos, pela qual a Igreja Católica procura a inclusão da comunidade cigana. Obstáculos?
"A discriminação dos ciganos prolonga-se há 500 anos e tem o efeito contrário de criar nesta comunidade um sentimento de auto-proteção e de rejeição da sociedade maioritária onde se insere." E como se contorna o que se prolonga há séculos?
"A comunicação social tem feito um caminho notável contra a estereotipagem dos casos com ciganos. Antigamente, quando acontecia algo, dizia-se logo que a pessoa era de etnia cigana; hoje em dia ainda vão dizendo, mas neste momento divulgam-se notícias sobre bairros onde sabemos que vivem muitos ciganos e eu tenho de ligar para lá para saber o que sucedeu, porque a comunicação social não associou as coisas."
Francisco Monteiro contesta os estereótipos: garante que a comunidade cigana não é machista e subsídio-dependente. Assegura que "a esmagadora maioria", sendo pobre, vive do que vende. Quanto à cultura, afirma que tem pendor matriarcal. Mas há circunstâncias negativas, "como deixarem que as crianças faltem à escola porque lhes apetece". "É evidente que isso tem de ser combatido, mas podemos aprender com o respeito que os ciganos demonstram pelas crianças e a estima que evidenciam por elas." É no equilíbrio das diferenças que o trabalho é mais sensível - e mais eficaz. "Eles não querem ser integrados, mas pretendem ser incluídos."
Há alguns anos, muitos ciganos tornaram-se evangélicos quando uma igreja dirigida especificamente à comunidade chegou a Portugal. "Chama-se 'Igreja de Filadelfia Cigana de Portugal', em que os pastores são ciganos, os cânticos são ciganos e as regras são ciganas", explica Francisco Monteiro. "É preciso que se diga que a Igreja Evangélica teve uma influência enorme e positiva entre os ciganos para os afastar do álcool, da droga, de outros procedimentos errados. Foi muito importante."
A maioria da comunidade não é católica, mas Francisco Monteiro observa na Pastoral dos Ciganos uma relevância evidente. "Quando defendemos os direitos dos ciganos, quando há um problema e nós o denunciamos, estamos a dar um testemunho nosso, cristão, perante uma população que é muito carente, que está entre aquela população que o Papa Francisco menciona como os mais marginais. Estamos com eles, a ajudá-los a serem eles próprios a reagirem contra a marginalidade. Isto é o Cristianismo na sua quinta-essência."
Apesar de a maioria dos ciganos se assumir evangélica, há muitos que professam a fé católica. Francisco Monteiro sente que há uma adaptação por cumprir. "A liturgia católica em África é muito africanizada. As liturgias católicas de rito oriental também são próprias. Não é difícil fazer liturgias adaptadas a ciganos."

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