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Grupo católico francês processa site americano que promove sexo extraconjugal

Para porta-voz do site, proibição seria 'um passo de volta para o passado'
Página "Gleeden" já reúne quase 2,4 milhões de integrantes, sendo que cerca de um milhão são da França.
Uma organização católica iniciou uma ação legal contra um site que promove o sexo extra-conjugal como uma forma barata de “antidepressivo”.
No país onde o adultério não é ilegal desde 1975, o protesto pareceria ser condenado ao fracasso. Mas um grupo de associações de famílias católicas acredita que o site de namoro Gleeden, fundado por dois franceses que moram em Nova York, infringe o Código Civil do país, cujo artigo 212 afirma: “Os casais devem uns aos outros o respeito, a fidelidade, ajuda e assistência”.
Centenas de cartazes do site foram tirados do ar após protestos dos residentes nos subúrbios ocidentais conservadores de Paris e uma petição angariou 23 mil assinaturas. O cartaz controverso mostra uma maçã com um pedaço mordido e destaca as letras EDEN em Gleeden. A legenda diz: “Ao contrário dos remédios antidepressivos, um amante não custa nada para o serviço de saúde do estado.”
Adultério não é ilegal na França desde 1975
As Associações das Famílias Católicas apresentaram um desafio legal para o site. A página, que existe há cinco anos e é bem sucedida, já reúne quase 2,4 milhões de 100% membros reais com “total discrição”, formando uma “comunidade global”.
O presidente da organização que quer fechar a rede social, Jean-Marie Andres, disse: “Queremos um julgamento legal da campanha de publicidade e de um website que promove publicamente duplicidade, mentiras e violação da lei.. (...) As consequências sociais drásticas de infidelidade não podem ser ignoradas por nossa consciência comum.”
Segundo a empresa norte-americana, um milhão de seus usuários é da França. Solène Paillet, uma porta-voz, disse que a proibição seria um “passo de volta para o passado”. “Nós não incentivamos ninguém a trair seu parceiro. Nós apenas fornecemos uma plataforma”, disse ela. “Há pessoas que encontram realização pessoal por ter alguém mais em sua vida.”

Publicado em O Globo

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