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Ciência explica como se espalham as ideologias religiosas


Um estudo internacional, sobre a história do Cristianismo, concluiu que a forma mais rápida de expandir uma religião é através de líderes poderosos. O segredo para disseminar uma crença passa por atrair as figuras-chave da comunidade.
A descoberta revela que o alcance de uma religião não está tão associado ao facto de todos os fiéis passarem a palavra. Está, na verdade muito mais ligado a líderes poderosos que exercem controlo sob pequenos grupos.
O estudo, publicado na semana passada na Nature Human Behaviour, reuniu uma equipa interdisciplinar de investigadores de todo o mundo, que discutiu se o Cristianismo cresceu como resultado de forças culturais de cima para baixo ou de baixo para cima.
Conduzido por Joseph Watts, do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, a pesquisa analisou vários séculos de registos históricos bem detalhados de um banco de dados de culturas austronésias.
Estas comunidades do sudeste asiático eram compostas por diversos aglomerados de pessoas distantes, descendentes de uma população de Taiwan, espalhando-se até ao oeste de Madagáscar e ao leste de Rapa Nui.
Durante o século XVI e XIX, o Cristianismo foi adotado como fé central por estas culturas diferentes que se encontravam sob a influência de missionários europeus itinerantes. A maioria das populações acabou por se converter em apenas três décadas.
A diversidade de culturas austronésias conjugada com o facto de serem recentes e bem documentas, forneceram uma oportunidade perfeita para estudar as várias hipóteses associadas à disseminação de um conjunto de crenças.
O Cristianismo – que surgiu há mais de 2 mil anos como uma ramificação do judaísmo – tornou-se a religião mais popular do mundo, com mais de 2 mil milhões de fiéis.
O que este novo estudo procurou compreender foi como se deu o crescimento do Cristianismo e que fatores potenciaram a sua disseminação por todo o mundo. Os cientistas recorreram à estatística para comparar a taxa de adoção do Cristianismo com as várias características socioculturais.

Segredo está nas “figuras-chave” da comunidade
O Cristianismo parece ter-se espalhado mais rapidamente sob a influência de líderes fortes, que dominavam pequenos grupos compostos por súbditos leais.
“Notámos que as duas culturas que demoraram mais tempo a converter-se, eram as mesmas que viviam sem qualquer forma de organização política“, aponta o estudo.
Segundo os investigadores, os missionários aprenderam a atrair figuras-chave das comunidades, oferecendo-lhe bens materiais e oportunidades de comércio. Esta também era uma estratégia sólida de sobrevivência: os missionários eram novos na região e, por isso, queriam dar-se com as pessoas mais influentes.
No entanto, foram estas estruturas políticas sólidas que ajudaram a levar o Cristianismo mais longe e de forma mais rápida.
O estudo aponta ainda que os grupos mais pequenos eram mais propensos a notar as mudanças dos grupos vizinhos – característica descrita como transmissão cultural dependente da frequência.
Os autores consideram um povo ou comunidade “convertida”, quando mais de metade da sua população adota uma nova doutrina.
O estudo está longe de ser a palavra final sobre a forma como os grandes sistemas culturais, como as religiões, competem e convertem uma comunidade em detrimento de uma outra. No entanto, esta pesquisa fornece mais evidências que descrevem fatores importantes para o tema.
“Conhecer apenas algumas características de cada população, como o seu tamanho e a sua organização política, melhora drasticamente a nossa capacidade de prever corretamente se uma ideia se vai espalhar ou não na sociedade”, concluiu Nicole Creanza, especialista em evolução cultural e genética da Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos, que não participou na pesquisa.

Publicado originalmente em Science Alert via ZAP
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