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O filme gospel de Aretha Franklin, lançado 40 anos depois

'AMAZING GRACE' FOI GRAVADO EM UMA IGREJA BATISTA DE LOS ANGELES
Registro de apresentações feitas em 1972, ‘Amazing grace’ evidencia raízes musicais e religiosas da cantora
Inédito por 46 anos, um documentário sobre uma apresentação histórica de Aretha Franklin já tem data marcada para estrear. “Amazing grace” é um projeto de 1972 em que a cantora exibe as raízes gospel do seu trabalho. A intenção era que o registro rendesse um disco e um filme, mas as imagens nunca chegaram ao público.
Lançado como álbum em 1972, “Amazing Grace” é o álbum gospel ao vivo mais vendido da história dos Estados Unidos, batendo a marca das 2 milhões de cópias. No ano seguinte, ganhou o Grammy de Melhor Performance Soul Gospel.
As filmagens estavam a cargo de Sydney Pollack, que tinha então na bagagem então produções como “A noite dos desesperados” (1969), pela qual foi indicado ao Oscar de melhor diretor. Seu currículo depois incluiria “Tootsie”, com Dustin Hoffmann, e “Entre dois amores”, de 1985, com o qual foi vencedor do Oscar de direção.
No projeto com Aretha, Pollack cometeu um descuido que comprometeu o futuro do filme. Como não marcou as cenas gravadas com claquete, o processo de sincronizar som e imagem provou-se muito difícil e custoso para a Warner, estúdio responsável pelo projeto. O material acabou na gaveta até que Alan Elliott comprou-o da Warner em 2007. Executivo da indústria musical, Elliott se tornou o produtor de “Amazing grace”.
No repertório estão músicas como “Mary, don’t you weep”, canção afro-americana cristã da época da escravidão
Graças à tecnologia digital já disponível, som e imagem foram finalmente emparelhados em 2010. No ano seguinte, a produção estava pronta para ir a público. Dessa vez, no entanto, foi a própria Aretha quem barrou a exibição na Justiça. Nenhum motivo para o bloqueio foi alegado publicamente à época, mas rumores davam conta de que a cantora, já doente, se sentia desconfortável ao rever sua juventude nas imagens.
Com a morte de Aretha, em agosto de 2018, a família autorizou o seguimento do projeto. “Seus fãs precisam ver esse filme, que é tão puro e alegre”, declarou Sabrina Owens, sobrinha e encarregada do patrimônio da cantora, em comunicado à imprensa. “E o mundo precisa vê-lo. Nosso país está em tal estado nesse momento.”
“Amazing grace” tem estreia marcada nos Estados Unidos para 12 de novembro. Ele deve ficar uma semana em cartaz naquela cidade e em Los Angeles, pré-requisito para concorrer ao Oscar.

Vibração positiva
 “Amazing grace” foi registrado em uma humilde igreja batista do bairro de Watts, em Los Angeles. Aretha, o coral da igreja e todos o pessoal técnico realizou dois dias de gravações para um álbum e um filme no local. Havia plateia também, incluindo um certo Mick Jagger, dos Rolling Stones, parte do elenco da gravadora Atlantic, como Aretha.
Em 1967, o bairro de Watts havia sido palco de distúrbios raciais violentos. Entre os muitos casos de erupção social em áreas de população negra nos EUA naquela década, Watts foi um dos mais emblemáticos.
“Aretha entrou e o lugar pegou fogo com aleluias de emocionar a alma”, lembrou Elliott Johnson, um dos presentes, em uma matéria da imprensa local de 2015. “Foi a experiência mais positiva possível. Levou muito, muito tempo para concluir, mas ninguém se importou com isso.”

ARETHA FRANKLIN EM CENA DO DOCUMENTÁRIO 'AMAZING GRACE' 
Conhecida como a Rainha do Soul graças a sucessos comerciais como “Respect” e “I say a little prayer”, Aretha estava ali para visitar as raízes do gênero que fez sua fama. No repertório estão músicas como “Mary, don’t you weep”, canção afro-americana cristã da época da escravidão, e “Amazing Grace”, um hino religioso cuja primeira versão data de 1779.
“A gente tinha acabado de passar pelos anos 1960 (...) [o slogan] ‘Negro é lindo’ tinha acabado de surgir”, declarou a uma rádio local o pastor da igreja Alexander Hamilton, responsável por conduzir o coro que acompanha a cantora, em entrevista de 2012 a uma rádio local. “Você olha para Aretha, e embora seja possível ver a arte e o domínio da voz, você também vê a humildade. Não era a Aretha sob o holofote que se vê no palco. Era só Aretha, nossa irmã, cantando para o Senhor.”

Da igreja para as paradas
A soul music surgiu da “secularização” da cantoria do fundo da alma que caracterizava a música gospel típica das igrejas negras protestantes americanas. Em vez de se dirigir a Jesus, cantores como Ray Charles e Sam Cooke abordavam temas do dia a dia em suas letras.
Além do estilo vocal, a soul music trouxe do banco da igreja também a esperança e a altivez. Durante os anos 1960, o soul se tornou a trilha sonora da era dos direitos civis, através de músicas como “A change is gonna come” (Uma mudança virá, em tradução livre), de Sam Cooke, e “Say it loud, I’m black and I’m proud” (Fale alto, sou negro e com orgulho, em tradução livre), de James Brown.
Foi na igreja batista em que seu pai pregava que Aretha Franklin aprendeu a cantar. Sua primeira interpretação à frente do coral foi “Jesus, construa uma cerca ao meu redor”. O vozeirão de Aretha se tornou um paradigma de interpretação, em cantoras negras e brancas, de Chaka Khan a Adele.

Publicado originalmente em NEXO
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