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Igrejas alemãs devem perder milhões de membros

 Bancos vazios de igreja e um fiel sentado ao fundo
Estudo prevê que número de católicos e protestantes cairá pela metade até 2060. Perda de fiéis deve acarretar dificuldades financeiras às duas maiores instituições religiosas do país.
As duas principais instituições religiosas da Alemanha são financiadas em grande parte por impostos pagos por fiéis.

O número de fiéis das duas maiores instituições religiosas na Alemanha cairá pela metade até 2060, assim como os recursos financeiros das instituições, aponta um estudo da Universidade de Freiburg. O levantamento foi publicado nesta quinta-feira (02/05) pela Conferência dos Bispos Alemães, que representa as dioceses católicas, e pela Igreja Evangélica na Alemanha (EKD), organização mais importante do protestantismo no país.

De acordo com os cálculos, o número de membros diminuirá de 44,8 milhões em 2017 para 34,8 milhões em 2035 (menos 22%) e para 22,7 milhões até 2060 (menos 49%). A Igreja Católica perderá um pouco menos membros (menos 48%) do que a EKD (menos 51%), que reúne 20 igrejas Luteranas, Reformadas e Protestantes Unidas.

"As igrejas querem usar as conclusões do estudo para se adaptarem às mudanças a longo prazo", enfatizam o presidente do conselho da EKD, o bispo Heinrich Bedford-Strohm, e o presidente da Conferência dos Bispos da Alemanha, cardeal Reinhard Marx.

"Não entramos em pânico com essa projeção, mas adaptaremos nosso trabalho em conformidade com ela", acrescenta Marx. Bedford-Strohm ressalta que as pessoas precisam "sentir com mais vigor o poder que emana da mensagem de Jesus Cristo". O objetivo das mudanças, segundo ele, é "que nós, como Igreja, passemos a ser tão convidativos que as pessoas queiram se juntar a nós".

O arcebispo de Freiburg, Stephan Burger, apela para que as entidades não optem pela resignação mas mostrem que "a Igreja é e continuará sendo relevante para as questões da vida da população".

"As igrejas cristãs continuarão sendo as maiores organizações não governamentais da Alemanha", destaca Bedford-Strohm. "E tenho certeza de que a Igreja, justamente em tempos em que uma orientação se torna mais importante do que nunca, continuará sendo ouvida."

O diretor da pesquisa, o economista Bernd Raffelhüschen, frisa que menos da metade do declínio no número de membros se explica por mudanças demográficas. Segundo ele, fatores que devem mais contribuir para a queda no número de fiéis são a queda no número de batismos e a saída dos membros das igrejas.

A EKD e a Igreja Católica são em grande parte sustentadas por impostos. Os contribuintes têm um percentual de sua renda descontados em prol de uma das duas instituições, de acordo com sua confissão, a menos que se declarem "sem religião" ou que se desvinculem formalmente, declarando não serem mais fiéis de nenhuma das duas igrejas. O imposto religioso é regulamentado por lei, recolhido pelo Estado e encaminhado às autoridades religiosas. Os alemães pagam de 8% a 9% do valor do imposto de renda, dependendo da região em que vivem.

Publicado originalmente em DW

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